Resumo_FES1_1S11
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Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais448 seguidores
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assinalou Marx, e que consistiria
na introdução dos capitais acumulados pela burguesia mercantil no processo interno
da produção. Mais ainda, está claro, ficou afastada a outra via, autenticamente
revolucionária, da formação endógena da burguesia industrial a partir dos mestres
artesãos.

Nos países ibéricos, a exploração colonialista não favoreceu, mas obstacularizou o
desenvolvimento do modo de produção capitalista. -> durante séculos, o Estado
português praticou um mercantilismo do tipo inferior e não evoluía no sentido de
protecionismo da indústria. O tratodo de Methuen marcou o triunfo dos interesses
agrários opostos à industrialização.

- Primórdios da conexão de Portugal com a escravidão moderna:

O trabalho escravo não foi desconhecido na sociedade portuguesa medieval;

Os portugueses tornaram-se os pioneiros de novo tipo de tráfico na História
Moderna, momentaneamente com uma tríplice destinação. Em primeiro lugar, a
Coroa e os traficantes concessionários obtiveram uma fonte de grandes lucros na
venda dos negros à Espanha, Itália e aos donos das plantagens produtoras de
açúcar na ilhas mediterrâneas. Em segundo lugar, os portugueses desenvolveram
suas próprias plantagens na Ilhas da Madeira e de São Tomé eno arquipélago de
Açores. -> experiência da organização plantacionista, do fabrico do açúcar e da
exploração do trabalho escravo.

Revivência do trabalho escravo decorreu de 2 causas: i) estrutural -> demonstra,
como comprova, a rigidez que ainda conservava a ordem feudal dominante.
Precisamente, porque persistiam os vínculos do campesinato à terra dominical,
ficava impedido a formação de um mercado capitalista de mão-de-obra.

ii) trabalho escravo surgiu como recurso substitutivo dos escassos jornaleiros,
também recrutados à força. Compensação parcial de perda populacional.

Aula 30/03/2011 – Fernando Novais capítulos 1 a 4

1. o êxito da empresa açucareira no Brasil é um sucesso comparado ao que aconteceu na
produção na Ilha da Madeira.

Na Ilha da Madeira, observamos um crescimento na produção, porém, também temos uma
forte queda no preço, indicando que a o mercado não absorvia toda a produção de açucara.
Assim, a Coroa portuguesa limitou a produção e determinou que 2/3 da mesma deveria ser
distribuída pelos holandeses.

O sucesso brasileiro vem do Brasil ter conseguido aumentar a sua produção e continuar a
exportar açúcar a preços constantes e/ou crescentes -> entendido o sucesso, começa-se a
discutir os fatores do êxito da produção açucareira, que são divididos em 2 grandes blocos:
i) quantidades crescentes e ii) preços constantes/crescentes.

2. Tesouro Americano e Decadência econômica na Espanha:

Mercado pela precoce descoberta de metais na colônia (principalmente no México e no
Peru). Assim, a política colonial espanhola era marcada:

i) Extrair metais com uso de mão-de-obra indígena, esses indígenas já sabiam extrair
metal, já tinham técnicas para isso.
Também incentivou a Espanha a utilizar mão-de-obra indígena, a Espanha não ter uma zona
africana de abastecimento de mão-de-obra escrava e a população indígena ser muito
numerosa.
ii) Tornar as colônias o mais auto-suficiente possível (artesanato local) -> permite que,
nas áreas onde não é encontrado metal precioso, ocorra um desenvolvimento co artesanato,
Para a Espanha, o comércio colonial não tem tanto problema quanto teria para Portugal. O
excedente é extraído da colônia através dos pesados impostos e do monopólio do mercúrio
(utilizado para extrair a prata) -> mecanismo básico de extração de excedente na
Espanha
iii) Defesa unicamente das áreas de extração (-> gerou a perda das Antilhas) -> isso
gera um crescimento do poder econômico do Estado Espanhol (o que cresce são as rendas
públicas). Gerando um aumento dos gastos públicos e aumento dos gastos privados
subsidiados pelo governo. Gerando uma maior demanda e um aumento nos preços internos
(“revolução dos preços” -> na Espanha, os preços crescem muito mais rapidamente do que
nos outros países europeus.)
Obs.: o auge da entrada de metais na Espanha é o período entre 1590 e 1610, período o qual
Portugal está sob domínio Ibérico.
Com o forte aumento de preços na Espanha, há uma alteração relativa de preços na
Espanha, passando a ser mais barato importar do que produzir internamente. Portanto, a
importação aumenta muito, enquanto a exportação quase não cresce. Isso gera um déficit
na balança comercial espanhola. Enquanto o Estado recebe bastante prata.
Vale lembrar que boa parte do tesouro espanhol vaza para outros países sob a forma de
pagamento comercial.

Obs.: a nobreza e o clero espanhol sempre tiveram muito mais prestígio junto à Coroa do
que a nobreza e o clero portugueses.

Com o afluxo do ouro, a nobreza e a Coroa se fortalecem ainda mais, em detrimento da
classe burguesa. Isso é importante quando o volume de metais recebidos na Espanha
diminui.

Para Celso Furtado, caso os setores manufatureiros fossem mais fortes (importantes), as
áreas que não produzissem metais, não poderiam produzir visando o consumo local, tendo
que produzir algum produto voltado para exportação. Dessa forma, o produto que muito
provavelmente seria produzido é a cana-de-açúcar, sendo concorrente do açúcar brasileiro.

Obs.: outro fator para a Espanha não produzir açúcar é que os espanhóis já tinham
dizimado a população local, assim, não tinham braços para a mão-de-obra (problema com
mão-de-obra).

Após a decadência da mineração, ocorre um eesfalecimento das áreas mineratórias. A
decadência gerou uma força centrífuga (para fora) das pessoas.

O importante, tanto para o caso espanhol, quanto para o caso português, é a questão do
artesanato. Ao permitir o desenvolvimento do artesanato (ex. tecido) nas colônias
espanholas -> mostra que a Espanha já possuía manufaturas dentro do país, que poderiam
fornecer produtos para o consumo tanto local quanto das áreas mineradoras.

Já no caso brasileiro, não tinha como haver um desenvolvimento de manufaturas uma vez
que a mão-de-obra aqui não não era desenvolvida.

Os espanhóis já teriam desenvolvido o açúcar (técnicas, logísticas, etc)?

i) Já havia produção de açúcar em terras espanholas (Andaluzia, Canárias, Haiti)
A produção do Haiti teve início em 1506 (muito antes do Martin Afonso ir para o Brasil); já
em 1520 havia aproximadamente 20 engenhos, em 1550, aproximadamente 40 engenhos.
Porém, na 2ª metade do século XVI, observamos um abandono da produção, ocorre um
êxodo para as regiões mineradoras. (1º argumento para não ter produção açucareira).
Como já havia produção açucareira em Andaluzia e, a colônia não pode concorrer com a
metrópole, a produção na América Espanhola não é estimulada.
ii) Localização: as colônias espanholas eram melhor localizadas do que as colônias
portuguesas, tendo assim um menor custo de transporte, numa eventual produção
açucareira.
iii) Maior população -> maior mercado: o mercado interno espanhol era muito maior do
que o mercado interno português. (na Espanha cerca de 7 milhões de habitantes, já em
Portugal, cerca de 1,4 milhões de habitantes).
iv) Disponibilidade maior de recursos financeiros entre os espanhóis do que os
portugueses -> esses recursos poderiam ser utilizados numa eventual produção açucareira.
Além de ter uma população maior, o poder aquisitivo dessa população também era maior do
que o da população portuguesa.

Como esses recursos não foram utilizados para a colonização agrícola e, uma boa parte
desses recursos foram gastos (déficit comercial). Disponibilidade de recursos financeiros
(época do ouro na Espanha de Felipe II – 1556 – 1598) -> construções gigantes e a
formação da invencível armada que, posteriormente, foi destruída pela Inglaterra.

Essa destruição foi bastante grave para a Espanha, uma vez que era uma talassocracia,
dependendo bastante de uma armada importante.

Como a Espanha, que tinha todas as características para iniciar a produção açucareira,