Sociologia J. - Anotação (5)
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Sociologia J. - Anotação (5)

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para o sistema de Seguridade Social, pois não é
possível proporcionar benefícios e serviços sem a provisão de recursos econômicos para sua efetivação.

Esse preceito constitucional tem o condão de criar, ao redor das áreas de prestação e custeio, um amálgama,
uma união indissolúvel, e lança seus efeitos sobre todas as demais normas jurídicas que tratam, quer do
custeio, quer dos benefícios protetivos.

A regra da contrapartida pode ser observada por dois ângulos distintos. De um lado,
materializa-se na noção de dever de equilíbrio do orçamento da Seguridade Social,
ou seja, não podem ser concedidos benefícios além das fontes de custeio existentes.
Este equilíbrio, entretanto, só se verifica na presença de uma ampla avaliação
técnica atuarial do sistema. Avaliação esta que dependerá de um plano de custeio
bem estruturado, assegura Wagner Balera (BALERA, Wagner. Contribuições
sociais. In Caderno de Pesquisa Tributária, n.17, São Paulo: Resenha Tributária e
Centro de Extensão Universitária, p. 322).

De outro lado, a regra da contrapartida promove a reafirmação da destinação
específica dos resultados financeiros auferidos pela incidência da contribuição social
destinada à Seguridade Social e a determinação da capacidade tributária ativa das
contribuições sociais previstas no art. 195, I, e no art. 239, da CF/88.

Princípio da eqüidade no custeio (art. 194, § ú, V c/c art. 195, § 9 º, da CF/88).
O art. 194, § único, inciso V, da CF/88 prescreveu como objetivo da Seguridade Social a eqüidade na forma
de participação no custeio. Tal dispositivo, conjugado ao art. 195, § 9º, da Carta Maior, desenha o princípio
da eqüidade no custeio.

A norma jurídica tributária, se geral e abstrata, será criada para atingir todos de modo indistinto. E isso,
dependendo das realidades materiais (riscos sociais por elas provocadas) dos possíveis sujeitos passivos da
obrigação, poderá gerar grave injustiça, uma vez se que todos contribuírem de modo igual para o caixa
geral da seguridade, porém, existindo empregadores que necessitem de maior giro de mão-de-obra que
outras, ou, desempenhem atividades que possuam a capacidade de gerar maiores riscos aos eventuais
beneficiários da proteção conferida pela Seguridade Social, estas circunstâncias podem provocar maiores

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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retiradas do sistema de proteção. Assim, nada mais justo que tais pessoas contribuam mais para o caixa
comum do sistema protetivo.

Não obstante a Lei de Custeio fundada no art. 195, I, "b", da CF/88 ser de aplicação geral a todos os
possíveis sujeitos passivos, as peculiaridades de cada um já em 1991 eram de possível consideração no
planejamento, por força do art. 194, § ú., inc. V, que fixou como objetivo da Seguridade Social a eqüidade
na forma de participação no custeio.

A Emenda Constitucional nº. 20/98 acrescentou o § 9º ao art. 195, e com isso inseriu os critérios através dos
quais o objetivo eqüidade no custeio deverá ser alcançado. Tomando-se em conta a combinação entre os
artigos referidos, o custeio da Seguridade Social tornou-se mais justo, materialmente igualitário, na medida
em que possibilitou a criação de uma lei mais equânime, ajustada às realidades em que fundam o
planejamento da Seguridade Social. Daí dizer que, a eqüidade no custeio é uma versão especialíssima da
igualdade tributária, prevista no art. 150, I, da CF/88.

Assim, o legislador está autorizado a construir contribuições sociais incidentes sobre
o faturamento e receita, com alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, conforme
as peculiaridades objetivas dos sujeitos passivos, em razão da atividade econômica
ou da utilização intensiva de mão-de-obra por eles utilizada e sempre tendo em vista
a finalidade das contribuições sociais em tela. Toda e qualquer diferenciação de
base de cálculo ou alíquota deverá, necessariamente, estar fundamentada na
relação sinistro/prêmio, onde quanto maior o risco provocado pelas atividades dos
sujeitos passivos, maior deverá ser a contribuição à caixa da Seguridade Social.

Os critérios objetivos presentes no art. 195, § 9º, da CF/88 não podem ser interpretados destacadamente
dos demais dispositivos constitucionais. Não será com base apenas neles que o legislador obterá o vínculo
semântico necessário para fundamentar a diferenciação de alíquotas e bases de cálculo da COFINS ou do
PIS-Faturamento.

Para tal mister, o legislador deverá tomar como base especialmente o plano de custeio do sistema de
seguridade que, por sua vez, encontrar-se-á submetido também ao parágrafo 9º, é ali onde as projeções de
risco/contribuição estarão dispostas. Os critérios citados funcionarão apenas como norte para o custeio, na
medida em que é o planejamento atuarial que demonstra, com clareza, a realidade fática apresentada por
determinados sujeitos passivos, no que concerne ao grau de risco que estes provocam.

O plano de custeio da Seguridade Social é instrumentalizado através de previsões de despesas e receitas
fixadas a partir de avaliações atuariais, hoje com projeção mínima para 20 anos. Seu objetivo é a
planificação econômica do regime protetivo e promoção de equilíbrio financeiro.

Nesse sentido, a Lei nº 8.212/91, em seu art. 96 dispôs: "O Poder Executivo enviará ao Congresso Nacional,
anualmente, acompanhando a Proposta Orçamentária da Seguridade Social, projeções atuariais relativas à
Seguridade Social, abrangendo um horizonte temporal de, no mínimo, 20 (vinte) anos, considerando
hipóteses alternativas quanto às variáveis demográficas, econômicas e institucionais relevantes".

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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Portanto, não é possível considerar como verdadeiro plano de custeio o disposto na Lei nº 8.212/91, pois o
referido Diploma Legal não se encontra fundado em qualquer tipo de levantamento (estatístico, demográfico
e atuarial), e, portanto, cria bases de financiamento sem nenhum apoio técnico.

O previsto no § 9º retrata as circunstâncias fáticas autorizadoras do discrimen com
vistas à igualdade real entre as pessoas jurídicas empregadoras contribuintes, mas
estas circunstâncias deverão ser consideradas no plano de custeio da Seguridade
Social, para somente aí serem tomadas como fundamento das diferenciações de
bases de cálculo e alíquotas.

Não basta o legislador levar em consideração a utilização intensiva da mão-de-obra
ou a atividade econômica, em si mesma considerada. O legislador há de considerar
estas circunstâncias quando as mesmas provocarem um aumento ou diminuição dos
riscos sociais sob a proteção da Seguridade Social e, com isso, gerarem uma maior
ou menor demanda no custeio dos benefícios por esta devidos.

Logo, não será uma diferença qualquer entre os sujeitos passivos, como por exemplo, as peculiaridades dos
produtos que produzem, importam ou comercializam, que autorizará o legislador a criar alíquotas e bases
de cálculo, maiores ou menores para as contribuições incidentes sobre o faturamento ou demais
contribuições sociais destinadas à Seguridade Social. O agravamento ou não do critério quantitativo da
exação precisará ter seu fundamento nas necessidades identificadas no plano de custeio do sistema
protetivo.

Assim, pode-se concluir que o princípio da eqüidade no custeio é um princípio