Sociologia J. - Anotação (5)
20 pág.

Sociologia J. - Anotação (5)

Disciplina:Sociologia Jurídica E Judiciária1.407 materiais13.020 seguidores
Pré-visualização8 páginas
cujo fim é autorizar a
discriminação das situações fáticas capazes de gerar maiores despesas para o caixa das prestações da
Seguridade Social. Aproxima-se do princípio da igualdade tributária, mas com ele não se confunde, pois visa
a maior aproximação possível da realidade dos sujeitos passivos objetivamente considerados, por isso,
dissemos que se configura em uma versão especialíssima da isonomia tributária. Também não se confunde
com o princípio da capacidade contributiva, previsto no art. 145, § 1º, da CF/88, aplicável aos impostos em
geral, uma vez que o discrimen por este autorizado reside na gradação do signo presuntivo de riqueza,
enquanto que o da eqüidade no custeio, repetimos: discrimina as situações fáticas capazes de gerar maiores
despesas para o caixa das prestações da Seguridade Social; ou, por outro giro, as situações fáticas que
geram maior risco social e conseqüentemente maior despesa para o caixa da Seguridade Social.

Como reverso do poder de tributar de forma eqüitativa existe também o poder de isentar. Este poder,
igualmente, está limitado pelas finalidades do sistema protetivo. Assim como para criar tributos, o Poder
Legislativo para isentar também deverá obedecer às disposições constitucionais, gerais e especiais relativas
ao custeio da seguridade, mormente o princípio da eqüidade, concretizado pelo art. 195, § 9º, da CF/88.

Além do exposto, o parágrafo § 9º reafirma a natureza da exação destinada à seguridade, qual seja, a de
contribuição social; pois evidencia o vínculo existente entre a despesa especial/vantagem especial (ou a sua
possibilidade), provocada pelo sujeito passivo empregador ao sistema de proteção e o dever do primeiro em

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

www.r2direito.com.br

05

06

contribuir para o segundo.

Além das normas jurídicas constitucionais que traçam a competência condicionada, os princípios da
contrapartida e da eqüidade no custeio, outras peculiaridades traçam o regime jurídico constitucional das
contribuições sociais destinadas à Seguridade Social. Entretanto, alongar-se nestas especificidades nos fará
fugir do tema principal desta aula, que são as contribuições sociais incidentes sobre o faturamento e a
receita, cuja análise passaremos imediatamente.

Fizemos estas considerações introdutórias a respeito do regime jurídico constitucional geral das
Contribuições Sociais destinadas à Seguridade Social para demonstrar que a COFINS e o PIS Faturamento,
em vários pontos de se regramento infra-constitucional, encontram-se em desacordo com o Texto Maior,
especialmente no que se refere os sujeitos passivos, à base de cálculo, majorações e reduções de alíquotas e
os próprios fatos jurídicos tributários. A seguir passaremos à análise das referidas contribuições sociais.

Regra matriz de incidência tributária
Adotamos a orientação de que a norma jurídica de tributária possui estrutura bimembre. No primeiro
membro encontra-se o antecedente normativo; no segundo, o conseqüente.

Para melhor demonstração desta estrutura e seus elementos, lançaremos mão dos recursos disponibilizados
pela chamada regra-matriz de incidência tributária. Esta, vertida em linguagem lógico-formal, tem a
finalidade de organizar, didaticamente, os dados da norma jurídica primária (geral e abstrata) de custeio.

No antecedente da regra-matriz, os fatos jurídicos são demonstrados formalmente por meio de três critérios:
material, temporal e espacial. Apesar de seus objetos serem distintos, estes critérios se complementam para
representar um dado fato jurídico em circunstâncias de tempo e lugar.

O critério material, como recurso formal, orienta a identificação, na norma jurídica, do comportamento
subjetivo capaz de fazer nascer uma relação de custeio. E como comportamento subjetivo, entendemos toda
ação, ou estado, realizado por sujeitos de direito (pessoas físicas ou jurídicas).No campo do custeio da
seguridade social, entretanto, não será qualquer comportamento subjetivo que poderá gerar
conseqüências, mas somente aqueles comportamentos fixados, no art. 195, I e II ou outros fatos eleitos nos
termos do art. 195, § 4º, ou no art. 239, da CF/88.

Sob o ponto de vista gramatical, um comportamento compõe-se de um verbo pessoal, transitivo e com
predicação incompleta, i. é., que demande um complemento. Satisfazem o primeiro, v. g., os termos
"vender", "obter", etc; mas, por si sós, estas palavras não representam uma ação ou um estado completo.
Motivo pelo qual, necessitam ser complementadas, por exemplo, "vender + mercadoria", "obter +
faturamento", etc. Aliados entre si, os verbos e os complementos estimulam a projeção mental de um
comportamento subjetivo específico.

Já o critério espacial da regra-matriz tem por função identificar, pinçar, na norma jurídica de custeio, os
dados referentes ao local onde o fato descrito pelo critério anterior deverá ocorrer. Por seu intermédio,
identifica-se a porção ou extensão territorial onde o evento deverá se dar concretamente.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

www.r2direito.com.br

Esse critério é importante para a análise de alguns impostos que possuem em sua configuração a ocorrência
do evento jurídico num local ou área geograficamente determinados, mas, quanto às contribuições sociais
destinadas à seguridade social, este critério não é dado fundamental para a configuração destas, uma vez
que as mesmas incidem em qualquer lugar, desde que sobre o território nacional. Como regra geral, o local
não há que ser peculiar para a incidência das contribuições sociais.

Quanto ao critério temporal, que também compõe o antecedente da regra-matriz, este é relevante para
determinar o momento em que efetivamente ocorreu o evento descrito como capaz de fazer nascer os efeitos
dispostos no conseqüente normativo da norma geral e abstrata de custeio.

Comprometido com o antecedente encontra-se um conseqüente normativo. Por a regra matriz nos moldes
da norma jurídica - ser um juízo hipotético condicional, diz-se que, o primeiro implica o segundo.

O conseqüente compõe-se de critérios que possibilitam a identificação, na norma jurídica de custeio, dos
dados relativos à configuração dos elementos da relação jurídica. Estes critérios são o pessoal e o
quantitativo. O primeiro assinala as particularidades dos sujeitos ativo e passivo do liame jurídico. O
segundo revela as variáveis que, conjugadas, representarão o valor do objeto da prestação de custeio. Em
outras palavras, no conseqüente está formalizada, através dos critérios pessoal e quantitativo, uma

9representação da relação jurídica a ser instaurada pela incidência da norma de custeio.

No critério pessoal, o sujeito ativo será o titular do direito subjetivo de haver para si a prestação advinda da
relação jurídica de custeio. Já o sujeito passivo será a pessoa de quem o primeiro sujeito irá exigir o
cumprimento da prestação oriunda da referida relação.

O critério quantitativo, por sua vez, compõe-se de base de cálculo e de alíquota, critérios abstratos que,
aliados entre si, conduzem à identificação do valor do objeto da prestação jurídica do sujeito passivo. A base
de cálculo, segundo a abalizada doutrina de Aires Bernardino Barreto, é a descrição legal de um padrão de
referência "que possibilite a quantificação da grandeza do fato