Resumo de helmintos
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Resumo de helmintos

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rostro armardo; 2 –
ventosas; 3 - colo ou pescoço; 4 – vesícula.

Leonardo Martins Caldeira de Deus – Med 137

 A teníase é uma doença pouco patogênica, na qual os pacientes geralmente não se queixam

de nada, quando muito manifestações abdominais, tais como: dor epigástrica (dor de fome),

náuseas, podendo às vezes apresentar dor de cabeça desnutrição (especialmente quando apresenta

várias tênias) e emagrecimento.

XVIII.1.5 – Diagnóstico

 O diagnóstico é feito por meio da identificação de proglotes nas fezes ou na roupa íntima. O

exame de fezes é feito pela técnica da tamização (lavagem em peneira). Esse exame pode dar

negativo, porque as proglotes saem preferencialmente durante a noite na roupa íntima do paciente.

XVIII.1.6 – Epidemiologia e Profilaxia

 A teníase é uma doença que ocorre em nível mundial. No Brasil a teníase provocada por T.

saginata é mais comum, uma vez que o brasileiro se alimenta mais de carne bovina.

 Fonte de Infecção: humanos parasitados, que contaminam os hospedeiros intermediários;

 Forma de Transmissão: ovo, para hospedeiro intermediário, e cisticerco, para o homem;

 Via de Transmissão: carne crua ou mal-passada de suínos e bovinos que contêm cisticercos;

 Via de penetração: oral.

 A profilaxia dessa doença consiste no tratamento dos pacientes parasitados, na melhoria nas

condições do sistema de criação de animais e em não comer carne crua ou mal cozida. Além disso,

também é uma doença que depende da educação sanitária, cívica e ambiental e da construção de

esgotos sanitários.

XVIII.1.7 – Tratamento

 Na teníase, a medicação mis indicada é Niclosamida associada a um laxante. A niclosamida

é um fármaco com atividade sobre o SN do parasita, reduzindo a motilidade do mesmo. O laxante

deve ser utilizado para facilitar a expulsão do verme e assegurar que este sai pelo ânus, já que, caso

ocorra refluxo para o estômago, o verme pode ser digerido, liberar ovos e desencadear um quadro

de cisticercose (caso seja T. solium). Esse tratamento deve ser conciliado a uma dieta rica em

carboidratos, lipídeos, cálcio, ferro e vitaminas, pois esses helmintos são grandes espoliadores

desses nutrientes.

XVIII.2 – Cisticercose

 A cisticercose é causada exclusivamente pelo T. solium.

Leonardo Martins Caldeira de Deus – Med 137

XVIII.2.1 – Morfologia e Habitat

 Após a ingestão dos ovos, o embrião hexacanto se liberta no intestino delgado e pode,

posteriormente, prender-se a diferentes tecidos humanos, como músculos, cérebro, tecido

subcutâneo e olho (o parasito tem preferência por tecidos mais oxigenados).

XVIII.2.2 – Ciclo Biológico

Humano parasitado eliminação de fezes com proglotes cheias de ovos → Ingere os ovos de T.

solium → Ovos chegam no intestino e liberam a oncosfera3 → Oncosfera cai na corrente

sanguínea e migra para os músculo e demais locais citados acima → Transformação em

cisticercos maduros.

 Nesse ciclo, o humano funciona como um hospedeiro intermediário acidental. Além

disso, é importante ressaltar que os ovos de T. saginata não causa cisticercose.

XVIII.2.3 – Patogenia e Sintomatologia

 A patogenia e a sintomatologia dependem do número e do local de cisticercos presentes. Na

neurocisticercose, as partes mais atingidas são a leptomeninge e o córtex cerebral, tendo como

sintomas mais prevalentes as cefaléias e as convulsões. Na cisticercose ocular é mais freqüente a

presença de cisticercos na retina. Já no tecido subcutâneo e no músculo formam nódulos.

 O cisticerco desenvolve um processo imunoinflamatório, que tende a envolver e matar o

cisticerco, que posteriormente se calcifica.

XVIII.2.4 – Diagnóstico

 O diagnóstico é feito por meio de tomografia computadorizada ou ressonância magnética.

Ainda pode ser feito por métodos imunológicos (ELISA) e por meio do oftalmoscópio (cisticercose

ocular).

XVIII.2.5 – Epidemiologia e Profilaxia

 Fonte de Infecção: humanos parasitados;

 Forma de Transmissão: ovo;

 Via de Transmissão: ingestão de ovos;

 Via de penetração: oral.

3
 A oncosfera é liberada por meio da ação da bile.

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 As vias de transmissão que podem ocorrer nos humanos são:

 Heteroinfecção: ingestão de ovos oriundos de outras pessoas e que podem estar presentes na

água, nas verduras, nas mãos sujas, etc.

 Auto-Infecção Externa: paciente parasitado por T. solium ingere os ovos da própria tênia por

meio das mãos sujas;

 Auto-Infecção Interna: por meio de retroperistaltismo, proglotes grávidas de T. solium

chegariam até o estômago do paciente e depois retornariam ao intestino liberando as

oncosferas e reiniciando o processo.

 A profilaxia dessa doença consiste no tratamento dos pacientes parasitados no intestino por

T. solium, ingestão de água filtrada ou fervida e higienização correta das verduras e das mãos.

XVIII.2.6 – Tratamento

 O tratamento da cisticercose não é fácil de ser feito, apesar da existência de medicamento

específico contra o cisticerco. A dificuldade consiste na localização do cisticerco e das

complicações advindas após a morte do parasito provocada pelo medicamento. Dessa forma, as

alternativas possíveis são a remoção cirúrgica e o uso de praziquantel associado a um

corticosteróide, já que a morte do cisticerco via medicamentosa é acompanhada por liberação de

grande quantidade de antígeno, o qual pode intensificar o processo inflamatório.

Leonardo Martins Caldeira de Deus – Med 137

Capítulo XIX – Hidatidose e Himenolepíase

XIX.1 - Hidatidose

XIX.1.1 – Agente Etiológico

 Filo: Platyhelminthes.

 Classe: Cestoda.

 Espécies: Echinococcus granulosus.

XIX.1.2 – Morfologia e Habitat

 Os vermes adultos vivem no intestino

delgado de cães (hospedeiro definitivo) e de

canídeos silvestres, como lobos e raposas. Eles são pequenos (4-6mm), possuem um

escólex (contém 4 ventosas e rostro armado), um colo e o corpo constituído por 3

proglotes, sendo uma jovem, uma madura e uma grávida, que vai se desprendendo e

sendo substituída continuamente.

 As formas larvárias, denominadas cisto hidático ou hidátide, são encontradas

nas vísceras (fígado, pulmões e cérebro) de animais herbívoros, especialmente ovelhas, bovinos,

suínos e eqüinos. A hidátide varia de tamanho (de 1mm a 10cm de diâmtro) conforme o passar dos

anos, já que a larva cresce por brotamento (reprodução assexuada). Ela é uma forma arredondada,

apresentando três membranas: adventícia (mais externa), anista (posição média – é secretada pela

membrana prolígera e funciona como uma barreira defensiva às defesas do hospedeiro) e prolígera

(mais interna – é responsável pela proliferação do parasito, reveste internamente todo o cisto e

origina as vesículas prolígeras). Dentro da vesícula prolígera estão os protoescóleces (formas

infectantes – dão origem a novos vermes quando a hidátide for ingerida por um cão). No interior do

cisto hidático, encontramos também o líquido hidático que possui composição semelhante ao

plasma sanguíneo e que pode ainda apresentar a areia hidática, que é formada por escóleces isolados

e por fragmentos de membrana prolígera e vesículas prolígeras.

XIX.1.3 – Ciclo Biológico

Cão elimina fezes com proglotes cheias de ovos → Ovelhas ingerem os ovos na pastagem →

Ovos chegam ao intestino e liberam a oncosfera4 → Oncosfera cai na corrente sanguínea e

migra para as vísceras (fígado e pulmão) → Cão ingere vísceras cruas da ovelha →

4
 Da mesma forma que nas tênias, na hidatidose a oncosfera é liberada por meio da ação da bile.

Esquema de um cisto hidático: A – membrana
adventícia; B – membrana anista; C –
membrana prolígera; D – vesícula prolígera; E
– protoescóleces; AH – areia hidática

Leonardo Martins Caldeira de Deus – Med 137
Julia Angeloni fez um comentário
  • Oi Isabella, será que você poderia enviar esse material por email?? Obrigada!
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