Schwarts (Eduardo)
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Schwarts (Eduardo)

Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais452 seguidores
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A atividade açucareira, baseada em engenhos e canaviais, tinha status de empresa e, como tal, levantava questões relativas a custos de estabelecimento e manutenção de um engenho, seus retornos sobre capital investido e a forma de obtenção deste. É importante entender que, devido à escassez de moeda (depreciação monetária portuguesa), muitas transações efetuavam-se com base no crédito, fundamental na organização da economia açucareira.
	A concessão creditícia costumava ser garantida por bens imóveis/hipotecas, e suas principais fontes eram instituições e comerciantes. Estes detinham posição de destaque em termos de financiamento da atividade, de modo que ofereciam materiais necessários ao engenho à base do crédito. A capitalização da indústria açucareira proporcionou-se, sobretudo, via o crédito mercantil, e grande parte dos senhores recorria a esta modalidade. Estes também utilizavam deste sistema de modo a financiar as atividades de lavradores. Ou seja, o crédito possibilitava a participação na empresa açucareira, além de sua manutenção e possível expansão.

	A aquisição de uma propriedade envolvia certas variáveis tanto no tempo como entre unidades produtivas. Em termos de capital investido no engenho, maior parcela cabia ao valor relativo da terra, principalmente quando a esta se acrescia o valor da cana cultivada. A terra era, portanto, o principal fator produtivo, sem desconsiderar, contudo, o valor da mão-de-obra escrava nos investimentos.
	Em relação a custos operacionais, a aquisição de mão-de-obra era item crucial das despesas – reposição, manutenção e ampliação, porém considerada despesa anual em vez de acréscimo ao estoque de capital. Outros gastos relevantes envolviam combustíveis, transporte, materiais, aquisição de animais e equipamentos, fatores estes fundamentais na produção açucareira. Os altos gastos com equipamentos relacionavam-se com a importação destes da Europa, e os gastos com manutenção dos escravos configuraram um tipo de custo fixo.
	O lucro era o objetivo último do engenho e os níveis de retorno sobre o capital investido variavam no tempo conforme os custos com fatores produtivos. Também se entende que, na economia açucareira, a criação de capital dava-se por meio da formação do engenho, através do qual se aumentava a riqueza sob a forma de bens de capital. A terra se configurava como um valioso ativo graças ao produto que gerava; houve, portanto, um padrão de acumulação, com ganhos de capital, por meio de bens imóveis, necessários à produção.
	O estabelecimento do engenho exigia pequena fração do capital necessário para fazê-lo: a concessão de terras era, a princípio, via sesmarias, e o crédito financiava a aquisição de escravos e equipamentos (escravos africanos mais caros, porém propiciavam maior produtividade).
	Contudo, não é possível precisar a lucratividade da indústria açucareira baiana, dada a variação do retorno sobre o capital. Ademais, as estimativas de produção de Simonsen e Furtado induzem ao erro para o cálculo de produtividade, acúmulo de riquezas e crescimento econômico. Este último autor nos fornece uma visão de constante declínio da economia açucareira em face da competitividade internacional. Esta ênfase nos aspectos externos do comércio açucareiro limita a análise deste, uma vez que esta indústria afetava diretamente a economia regional; mesmo em períodos difíceis no cenário internacional, não se verificavam radicais mudanças estruturais na indústria. A economia regional se diversificava conforme o crescimento populacional, com crescentes vendas locais de açúcar e seus subprodutos, além do encadeamento do setor açucareiro com outros setores. Ou seja, no caso baiano havia um fluxo de renda para outros setores com grande transferência de recursos, contradizendo a atribuição de “enclave” dessa empresa. Entretanto, apesar do “encadeamento para trás”, não foi promovido o desenvolvimento econômico colonial, tanto devido ao encadeamento fiscal como pela orientação da indústria açucareira em atender os interesses de Portugal e de seus parceiros comerciais.