Resumo de protozoários
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Resumo de protozoários

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Leonardo Martins Caldeira de Deus – Med 137

Protozoários

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Leonardo Martins Caldeira de Deus – Med 137

Capítulo X – Amebíase

X.1 – Agente Etiológico

 Filo: Sarcomastigophora.

 Família: Sarcodina.

 Espécies: Entamoeba histolytica.

 Em 1997, foi descrita uma nova espécie, Entamoeba dispar, que apresenta características

morfológicas parecidas com E. histolytica, pode acarretar em infecções assintomáticas,

caracterizadas pela não invasão da mucosa.

X.2 – Morfologia e Habitat

 As amebas apresentam duas formas básicas:

 Trofozoíto: forma ativa do parasito, que se

alimenta e se reproduz. Apresenta forma amebóide e

possui um núcleo com cromatina pequena e central. Vive

na luz ou na mucosa do ceco e cólon sigmóide, formando

colônias.

 Cisto: forma de resistência ou de transmissão do

protozoário. São esféricos, podendo apresentar 2 a 4

núcleos. São usualmente eliminados com as fezes

formadas.

X.3 – Ciclo Biológico

Trofozoíto na luz do intestino grosso →

Progressão com bolo fecal (desidratação com

formação de pré-cisto) → Transformação em

cisto → Eliminação junto com as fezes →

Ingestão de água ou alimentos contaminados

com o cisto → Processo de desencistamento

(cada núcleo dá origem a um trofozoíto) →

Colonização do intestino grosso.

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 É válido ressaltar que os cistos permanecem vivos no meio externo por 10 a 20 dias e que

ainda conseguem resistir à ação do suco gástrico. Já os trofozoítos podem invadir a mucosa

formando úlceras e, depois, via sangüínea, podem atingir o fígado, pulmões e cérebro.

 A forma de alimentação desse protozoário se dá por meio de macropinocitose e fagocitose,

sendo o deslocamento do mesmo garantido por meio de pseudópodes. O mecanismo de virulência

da E. histolytica para invadir a mucosa se dá por meio da ligação deste protozoário às células do

hospedeiro com lectina, ou por meio da liberação de enzimas para digerir a célula. Já a E. dispar,

apesar de não invadir o tecido, causa dor abdominal.

 A variabilidade da virulência do protozoário depende de três fatores principais:

 Idade: a maior incidência ocorre na faixa etária de 20-50 anos, uma vez que nessas idades as

pessoas dependem mais de restaurantes e lanchonetes (verduras mal lavadas). Além disso,

essa faixa etária corresponde ao período sexual ativo da população, sendo o sexo anal um

dos principais responsáveis pela infecção por amebíase. Ainda, deve-se ressaltar os estados

nutricional e imunológico do paciente;

 Flora Intestinal: bactérias anaeróbias são capazes de potencializar a virulência de sepas de E.

histolytica;

 Conteúdo Enzimático: a E. histolytica apresenta uma gama de enzimas, como hialuronidase,

tripsina, pepsina, colagenase, fosfolipase, amebaporo e outras, as quais atuam ativamente na

destruição e perfuração do intestino do hospedeiro.

X.4 – Patogenia e Sintomatologia

 Por razões ainda não conhecidas a E. histolytica pode viver no intestino grosso sem provocar

nenhum tipo de lesão (pacientes assintomáticos) ou provocar úlceras por invasão da submucosa

(forma mais virulenta do protozoário). Essas úlceras podem ser isoladas ou se fundir, originando

uma grande área ulcerada. Os sintomas mais comuns dessa úlcera são:

 Colite diarréica: é a mais comum e caracterizada por hábitos intestinais anormais, com dor

abdominal no baixo ventre e geralmente não acompanhada por febre. Nesse caso o parasito

habita principalmente a região do ceco e o diagnóstico diferencial deve ser feito para

síndrome do intestino irritado, diverticulite do cólon e doença de Crohn;

 Colite disentérica: é mais rara e caracterizada por sintomas mais exagerados de dor

abdominal no baixo ventre, flatulência, tenesmo, plenitude gástrica, pirrose (azia),

alternância constante entre diarréia e estado normal, sendo que as fezes apresentam

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característica muco-sangüinolenta. Nesse caso o parasito habita principalmente o cólon

sigmóide.

 Essas úlceras podem ser curadas espontaneamente por ação do sistema imune do paciente ou

por ação medicamentosa. Ainda, em alguns locais do mundo, como México, África do Sul e

Amazônia, pode ocorrer a amebíase extra-intestinal, isto é:

Lesões intestinais → Via hematogênica → Formação de úlceras no fígado, pulmão e cérebro

 A amebíase hepática é caracterizada por dor hepática, febre alta, hepatomegalia,

desconforto, anorexia, náusea, vômito, icterícia e surtos diarréicos.

X.5 – Diagnóstico

 O diagnóstico usual da amebíase é o exame parasitológico das fezes, sendo que no período

assintomático há eliminação de cistos junto com as fezes formadas e durante o período sintomático

(com diarréia) há eliminação de trofozoítos. Os conservantes podem mudar em relação a

consistência das fezes:

 Fezes formadas: MIF

 Fezes diarréicas: SAF

 Exames imunológicos (ELISA) ainda podem ser realizados para identificar antígenos no

soro ou nas fezes do paciente. Na amebíase hepática, o ELISA é realizado após análise radiográfica

do fígado.

X.6 – Epidemiologia e Profilaxia

 É um protozoário de distribuição mundial, principalmente em países mais pobre, pois se

relaciona principalmente a precárias condições de saneamento básico. No Brasil a amebíase possui

maior relevância nas regiões Norte e Nordeste do país, sendo a rota de contaminação oral-fecal.

 Fonte de infecção: humanos, especialmente os portadores assintomáticos;

 Forma de transmissão: cistos;

 Via de Transmissão: água e alimentos contaminados e mãos sujas contendo cisto;

 Via de penetração: boca.

 A essência da profilaxia da amebíase consiste no tratamento da fonte de infecção (humanos

positivos), tratamento de esgoto adequado, distribuição de água potável, higienização de mãos e

verduras e educação sanitária, cívica e ambiental da população.

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X.7 – Tratamento

 Existem vários medicamentos que podem ser utilizados em quadros de amebíase, os quais

devem ser conciliados com uma dieta pobre em fibras e rica em sais minerais, com reposição de

líquidos. O mais indicado para pacientes assintomáticos é a utilização de amebicidas luminais, já

para pacientes sintomáticos é uma associação de amebicidas luminais com amebicidas teciduais,

uma vez que estes últimos são muito rapidamente absorvidos. .

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Capítulo XI – Giardíase

XI.1 – Agente Etiológico

 Filo: Sarcomastigophora.

 Família: Mastigophora.

 Espécies: Giardia lamblia.

XI.2 – Morfologia e Habitat

 As amebas apresentam duas formas básicas:

 Trofozoíto: forma ativa do parasito, que

se alimenta e se reproduz. Apresenta simetria

bilateral, com 2 núcleos e 8 flagelos; tem aspecto

de pêra, sendo que é na superfície ventral que se

encontra a ventosa. Vive aderido à mucosa do

intestino delgado, especialmente duodeno.

 Cisto: forma de resistência ou de

transmissão do protozoário. São esféricos, possui

4 núcleos. São usualmente eliminados com as

fezes formadas.

XI.3 – Ciclo Biológico

Trofozoíto aderidos à mucosa do intestino grosso →

Desprendimento da mucosa com perda do flagelo →

Formação de parede cística e divisão celular →

Formação do cisto já no intestino grosso →

Eliminação junto com as fezes → Ingestão de água ou

alimentos contaminados com o cisto.

 É válido ressaltar que essa eliminação de

cistos não é constante, podendo haver “períodos

negativos” de 2, 5 e até 7 dias, quando retorna a

haver eliminação de cistos.

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 Ainda deve-se destacar que a G. lamblia não invade o intestino, mas forma uma espécie de

tapete em sua superfície.

XI.4 – Patogenia e Sintomatologia

 A aderência do trofozoíto à mucosa