Resumo de protozoários
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Resumo de protozoários

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causador da malária:

 P. vivax: uso de cloroquina por 3 dias ou uso de primaquina, único medicamento capaz de

acabar com o ciclo na fase hipnozoíta. Contudo o tratamento deve ser realizado durante 14

dias.

 P. falciparum: quinino por 3 dias, doxiciclina por 5 dias ou primaquina por 6 dias.

 O medicamento mais recente e mais potente utilizado no tratamento da malária é o Coartem

(artemisina + lumefantrina). Contudo, o uso desse medicamento deve ser restrito a casos muito

específicos, uma vez que a tendência é o desenvolvimento de resistência pelo plasmódio.

 Algumas pessoas, principalmente estrangeiros, utilizam o mefloquina como profilático, uma

vez que uma única dose do medicamento permanece no corpo por aproximadamente 23 dias

XV.6 – Epidemiologia e Profilaxia

 No Brasil a malária é endêmica na Amazônia, ocorrendo surtos esporádicos em outros

estados quando viajantes ou trabalhadores retornam às suas cidades. Por essa razão, a

probabilidade de se morrer de malária em estados fora da Amazônia Legal é aproximadamente 6

vezes maior, uma vez que a equipe médica não está habituada a lidar com essa doença, que

apresenta sintomas comuns a outras doenças, como dengue. O Anopheles darlinge é o principal

vetor e existe principalmente no interior do país, sendo que o Anopheles aquasalis existe em

regiões mais costeiras.

 Fonte de infecção: humanos contaminados que possuem gametócitos no sangue;

 Forma de transmissão: esporozoíto;

 Via de Transmissão: Inoculação de esporozoítos durante hematofagia;

 Via de penetração: pele.

 No Brasil a mortalidade é muito baixa, girando em torno de 100 mortes/ano, uma vez que o

principal agente causador da malária é o P. vivax, uma espécie não tão letal quanto a P. ovale

que é endêmica da África. A melhoria geral dos serviços de saúde, a educação sanitária e

ambiental e a melhoria da qualidade de vida da população são fatores determinantes do sucesso

duradouro das campanhas de profilaxia.

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Capítulo XVI – Filo Apicomplexa

 As principais estudadas nesse filo são isospora belli, Cryptosporidium parvum e

Toxaplasma gondii. Todas apresentam relevância médica apenas em casos de indivíduos

imunossuprimidos, como aidéticos por exemplo.

 Os protozoários desse filo apresentam em seu ápice organelas típicas, como roptrias,

micronemas e conóides, as quais participam ativamente do processo de penetração na célula do

hospedeiro, uma vez que tais organismos só se reproduzem em ambiente intracelular. Nesse

processo também ocorre a produção de gametas femininos e masculinos, os quais originam os

oocistos, estruturas resistentes que sai nas fezes. É importante ressaltar que o

oocisto de toxoplasma só está presente nas fezes do gato.

 O desenho ao lado mostra de forma esquemática a constituição de um

oocisto. Essa estrutura de resistência consegue permanecer no meio ambiente

por até 1 ano e meio sem perder a viabilidade.

 As companhias de saneamento não realizam tratamento da água para

matar tais estruturas, daí a importância da filtração.

XVI.1 – Isospora belli

 Características do agente etiológico:

 Filo: Apicomplexa.

 Família: Eimeriidae.

 Espécies: Isospora belli

XVI.1.1 – Ciclo Biológico

Ingestão de oocistos esporulados → Penetração do esporozoíto (forma infectante) no epitélio

intestinal, onde forma vacúolos → Divisão por esquizogonia dentro dos vacúolos e produção de

merozoítos → Migração dos merozoítos produzidos para outras células ainda não infectadas

(colonização) → Gametogonia = produção de gametas masculino (microgameta) e feminino

(macrogameta) pelos morozoítas → Formação de oocistos que são liberados nas fezes.

 As fezes do indivíduo infectado são liberadas juntamente com oocistos, os quais na presença

de umidade, oxigenação e temperatura (20-40ºC) adequadas conseguem se desenvolver para chegar

1

2
3

Esquema de oocisto

(3), contendo dois

esporocistos (2), cada

um possuindo 4

esporozoítos (1).

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na fase infectante (esporozoíto), processo esse que demora de 2 a 3 dias. Nesse intervalo de tempo a

pessoa não contamina, pois ainda não ocorreu a esporulação.

 A esquizogonia (ou merogonia) consiste em uma divisão celular, comum em protozoários e

que ocorre durante a fase assexuada do ciclo de vida do organismo. Nela, primeiramente o núcleo

sofre várias divisões para depois ocorrer a divisão citoplasmática em quantidades iguais.

 A doença é provocada pela etapa na qual o merozoíto sai da célula, cai no lúmen intestinal e

coloniza outra célula para dar origem a outros merozoítos. Nessa etapa ocorre destruição do epitélio

intestinal, impedindo a absorção (síndrome da má absorção). Não há produção de toxinas.

 Ainda é válido ressaltar que o oocisto é diplóide, enquanto que a forma infectante é

haplóide.

XVI.1.2 – Profilaxia

 Consiste no uso de privadas e fossas para evitar contaminação, além de higiene pessoal.

XVI.1.3 – Diagnóstico e Tratamento

 Exame parasitológico das fezes, no qual se investiga a presença de oocistos, material

de biópsia intestinal ou em material obtido pela raspagem da mucosa. O tratamento é realizado com

bactrim.

XVI.2 – Isospora belli

 Características do agente etiológico:

 Filo: Apicomplexa.

 Família: Cryptosporididae.

 Espécies: Cryptosporidium parvum e C. hominis.

XVI.2.1 – Ciclo Biológico

Digestão dos oocistos ingeridos com liberação esporozóítos, já que não apresenta esporocisto →

Esporozoítos são direcionados para o intestino, onde se alojam nas microvilosidades (1ª diferença

de isospora) → Amadurecimento e produção de gametas nas células do hospedeiro (2ª diferença de

isospora) → Formação do oocisto na parede do intestino do hospedeiro (3ª diferença de isospora) →

O oocisto é liberado e pode re-infectar outro lugar na parede intestinal do indivíduo (colonização)

ou ser liberado nas fezes.

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 O processo de colonização descrito acima é o responsável pelo aumento populacional do

protozoário, o qual é acompanhado pelo aumento dos sintomas, como perda de água, eletrólitos e

nutrientes por meio da diarréia. Durante esse processo ocorre destruição das microvilosidades e

conseqüentemente diminuição da capacidade de absorção. A infecção do homem ocorre por meio

da ingestão ou inalação de oocistos ou pela auto-infecção.

XVI.2.2 – Profilaxia

 Consiste no uso de privadas e fossas para evitar contaminação, evitar o contato com animais

e suas fezes, além de higiene pessoal.

XVI.2.3 – Diagnóstico e tratamento

 Exame parasitológico das fezes, no qual se investiga a presença de oocistos, material de

biópsia intestinal ou em material obtido pela raspagem da mucosa. O tratamento Cryptosporidium

spp é difícil, mas pode-se utilizar espiramicina e nitazoxanida. Para paciente aidéticos, é

aconselhada a terapia anti-retroviral para aumentar a taxa de TCD4+ associada ao uso de

nitazoxanida.

XVI.3 – Toxoplasma gondii

 Filo: Apicomplexa.

 Família: Sarcocystidae.

 Espécies: Toxoplasma gondii.

XVI.3.1 – Morfologia e Habitat

 O Toxoplasma gondii é encontrado em três formas básicas:

 Taquizoítos: forma encontrada nos líquidos orgânicos, especialmente durante a fase aguda

da doença. São organismos intracelulares que se multiplicam rapidamente, provocando

necrose e resposta inflamatória. Além disso, apresentam receptores universais o que

favorece o processo de infecção. Não produzem toxinas e são susceptíveis a medicamentos.

 Bradizoítos ou cistozoítos: forma encontrada nos tecidos (músculos, cérebro, retina, etc)

durante a fase crônica da doença. São organismos intracelulares que se multiplicam

lentamente, vivendo no interior de cistos teciduais (estrutura de resistência que contém

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