Schwartz (Aline)
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Schwartz (Aline)

Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais451 seguidores
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O historiador Schwartz, em Engenhos e Escravos na sociedade colonial, analisa a importância dos engenhos e do açúcar como instrumento de desenvolvimento para Salvador e do Recôncavo Baiano.
Inicia a analise relacionando os engenhos a empresas que reagem a lucros e perdas e são sensíveis às alterações do mercado. A estrutura consistia na propriedade principal que dependia da cana fornecida por lavradores ligados ao engenho. O primeiro aspecto para a compreensão do engenho foi a dificuldade de avaliar os custos relativos de usar dependentes como parte das operações do engenho. O segundo aspecto foi referente a escassez de moeda circulante na economia, na qual a desvalorização monetária em Portugal incentivou o retorno à Europa do fluxo de moeda brasileiro e elevou os preços das importações na colônia.
Durante todo o século, os habitantes da colônia procuraram amenizar seu endividamento com o aumento doe estoque de moeda. Assim, a primeira analise foi em relação ao capital e ao crédito que fundamentou a organização da economia açucareira brasileira. O acesso ao crédito foi mais importante do que o dinheiro em caixa, podiam, por exemplo, possuir apenas 1/3 do dinheiro em caixa.
Os investimentos vinham de estrangeiros como os flamengos e italianos, ou até mesmo da própria metrópole. Contudo, no século seguinte, houve uma grande diminuição dos investimentos.
Os empréstimos eram garantidos por bens imóveis, como engenhos, canaviais, casas, em suma a hipoteca. Como o valor de engenho geralmente excedia o valor do empréstimo, muitas vezes a mesma hipoteca era utilizada como garantia de outras dividas. Isso foi um fator que dificultou a cobrança das dividas.
As fontes de créditos eram advogados, clérigos, senhores de engenho, comerciantes e, principalmente, as instituições religiosas. A irmandade da Misericórdia, por exemplo, em 1727 efetuou uma nova contabilidade e a situação declinante da economia açucareira refletiu-se na lista dos devedores dessa irmandade, razões do declínio do café, da dificuldade em cobrar e da inadimplência.
Tempos depois, devido à escassez da moeda metálica, foi necessário que as transações fossem realizadas a base de troca ou escambo, sendo que as mercadorias tiveram que serem utilizadas como créditos.
Outra forma de usar o sistema creditício em proveito próprio foi à maneira que os senhores de engenho utilizaram para adquirir controle sobre subordinados engajados na indústria açucareira, por exemplo, concederam empréstimo a um lavrador de cana, que então se comprometia a moer seu produto no engenho emprestador. Outras alternativas foram os arrendamento, que proporcionava uma renda constante, com poucos riscos e problemas.
Contudo, a indústria açucareira enfrentou bons e maus tempos, e os engenhos às vezes fracassavam e os valores das propriedades variavam devido a má administração, preços baixos ou teimosia dos escravos, más condições e dos leiloes para a quitação de dividas.
As despesas do engenho aumentaram conforme o crescimento no preço dos escravos, mas de acordo com um estudo, o principal item nas despesas de capital era a terra.
O risco e a incerteza faziam parte da economia açucareira e para ajudar havia uma dificuldade muito grande em precificar ativos e de contabilizar os custos, em geral, devido à documentação escassa e da escrituração deficiente. Os únicos registros contábeis consistentes são dos jesuítas e beneditinos.
O custo da mão-de-obra foi um item crucial nas despesas, com despesas com salários e com novos escravos, outros gastos como combustíveis, transportes, materiais, animais e equipamentos, cada engenho era distinto com suas vantagens e desvantagens e com as suas próprias formas de contabilizar os custos.
Naquele século, as terras eram geralmente obtidas através de sesmarias, os trabalhadores indígenas eram numerosos e baratos, embora a substituição elevasse o custo da mão de obra, isso foi compensado por aumentos na produtividade.
Por volta de 1600 as condições começaram a mudar, pois não havia mais terras gratuitas, a mão de obra indígena estava desaparecendo, os custos aumentando e o preço do açúcar caindo. Somente com a introdução de uma nova tecnologia, a moenda de três tambores, que elevou a taxa de crescimento.
O engenho de Sergipe foi uma região que apresentou um vislumbre na escrituração no período inicial do desenvolvimento da economia açucareira, mas possui muitos inquéritos sobre as atividades do Padre Pereira, acusações da má administração e de negligencia na escrituração.
Contudo, foi demostrado que o engenho apresentou prejuízo não só pela contabilidade mal feita, mas também pela má administração, pois eram inexperientes e algumas vezes satisfaziam as obrigações do Colégio em detrimento do engenho. Além disso, foi um período difícil para a indústria açucareira, com queda nos preços, invasão holandesa.
Durante bons e maus períodos os engenhos dos beneditinos na Bahia em geral, apresentaram lucros, mesmo pequenos, consequência de boa administração, melhor tratamento dos escravos e de economia de gastos.
A indústria do açúcar não foi nem tão rica e nem tão pobre nas épocas difíceis como muitos historiadores afirmam. O açúcar supriu uma parte da demanda europeia e tornou-se cada vez mais importante á medida que a população crescia e diversificava a economia. A disponibilidade desse subproduto abriu uma vantagem comparativa sobre outros fornecedores dos portos da África.
Mesmo com as flutuações da indústria, essa época tornou-se um negócio lucrativo para os senhores do engenho. O seu fracasso resultou da politica governamental voltada para a metrópole que taxava a indústria, mas não empregava as receitas como investimentos e desenvolvimento econômico brasileiro. Apesar das dificuldades, a economia açucareira incentivou uma sociedade que refletia as hierarquias do engenho e uma grande variedade de outras atividades econômicas.