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Na estrutura do Código Civil, coexistem dois grupos de causas cuja existência gera a invalidade do ato ou negócio jurídico, as quais são acomodadas segundo um grau de rejeição:

a) nulidade (grau de rejeição ou intolerância total); e

b) anulabilidade (grau de rejeição ou intolerância parcial).

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NULIDADE
Nulidade é o reconhecimento da existência de um vício que impede um ato ou negócio jurídico de ter existência legal, ou produzir efeitos. Vem a ser a sansão, imposta pela norma jurídica, que determina a privação dos efeitos jurídicos dos negócios praticados em desobediência ao que prescreve.

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ATO ILÍCITO CIVIL
Consideram-se ilícitos os atos jurídicos quando infringem as normas legais instituídas.
Uma vez praticados, geram relação jurídica, independentemente da vontade do agente (art. 186 CC).
Por exemplo, a agressão, o furto, o homicídio geram a obrigação de pagar indenização (art. 927 CC) à vítima do evento danoso e ilícito ou a seus herdeiros; o excesso de velocidade na direção de veículo gera a obrigação de pagar multa ao Estado etc.
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A ação humana, da pessoa jurídica ou do ente despersonalizado capaz de gerar ato jurídico ilícito é qualificável tanto subjetiva quanto objetivamente.

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No primeiro caso está a teoria da responsabilidade subjetiva, que nasce do dolo ou da culpa do agente causador do dano.
O dolo é um elemento psíquico, a intenção ou vontade consciente, que sustenta um ato capaz de causar dano a outrem, ou que, ao ser praticado, o seu autor o tenha feito de forma que assuma o risco de causar o dano a outrem.
É exercício de ato ilícito, portanto,e, como tal, proibido pelas normas jurídicas.
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 A culpa é caracterizada pela execução de ato danoso por negligência, imprudência ou imperícia.

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NEGLIGÊNCIA
 É a desatenção ou falta de cuidado ao exercer certo ato,consiste na ausência de necessária diligência, implicando em omissão ou inobservância de dever, ou seja, aquele de agir de forma diligente, prudente, agir com o devido cuidado exigido pela situação em tese. O motorista não troca a pastilha de freio do veículo na época devida e com isso provoca um acidente ao pisar no freio e o mesmo não funcionar/ colocar um vaso na janela e derrubá-lo em cima de alguém.
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Imperícia
 Refere-se à falta de técnica ou de conhecimento (erro ou engano na execução, ou mesmo consecução do ato), de outra forma, tem-se uma omissão daquilo que o agente não deveria desprezar, pois consiste em sua função, seu ofício exigindo dele perícia – uso de técnica que lhe é própria ou exigível até mesmo pelo seu mister.
 Refere-se, por fim, a uma falta involuntária, mas também eivada de certa dose de má-fé com pleno conhecimento de que seus atos poderão vir a resultar em dano para outrem.
 É o cirurgião que deixa um pedaço de gaze dentro do paciente que operou).

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Imprudência
Tem a ver com algo mais que mera falta de atenção, mas ato que pode revelar-se de má-fé, ou seja, com conhecimento do mal e a intenção de praticá-lo (1); a ação imprudente é aquela revestida de dolo – a má-fé concretizada -, e portanto, embora não querida pelo agente também não revestida de absoluta ausência de intenção.
Melhor explicando, age de forma imprudente aquele que sabedor do grau de risco envolvido, mesmo assim acredita que seja possível a realização do ato sem prejuízo para qualquer um.
É o caso do motorista ultrapassa um sinal vermelho e causa um acidente).

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Simulação
Tradicionalmente, no Código de 1916, os vícios dos negócios jurídicos eram erro, dolo, coação, simulação e fraude contra credores, todos esses atos ocasionando a anulação do ato jurídico com um prazo prescricional de 4 anos.
Hoje temos um prazo decadencial de quatro anos também para a anulação desses negócios, mas com exceção da simulação.
O ato simulatório não é mais uma causa de anulabilidade, mas de nulidade, portanto nunca terá um prazo de decadência.

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Conceito de Simulação
A simulação é o artifício ou fingimento na prática ou na execução de um ato, ou contrato, com a intenção de enganar ou de mostrar o irreal como verdadeiro, ou lhe dando aparência que não possui.

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O artigo 167 diz ser nulo o negócio jurídico simulado, esclarecendo o seu § 1o que há simulação nos negócios jurídicos quando:
 (I) aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem;
(II) contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira;
(III) os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados.
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Simulação absoluta e relativa

Na simulação absoluta, a declaração aparente de vontade não visa a produzir qualquer efeito jurídico. Através do acordo simulatório, as partes convencionam um negócio jurídico aparente, mas que também não desejam produzir qualquer efeito com esse ato.
 Na simulação relativa, por outro lado, visa-se com o negócio simulado produzir efeitos diferentes dos típicos do negócio. O negócio aparente, na simulação relativa, não passa de um meio de realização do ato dissimulado, ou realmente dsejado.
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Simulação maliciosa e inocente
 Na simulação inocente, o intuito de enganar a terceiros não visa a prejudicar qualquer desses ou violar determinação legal. Os simuladores desejam com o negócio jurídico simplesmente ocultar de terceiros a verdadeira natureza do negócio, sem, no entanto, causar dano a interesses de qualquer pessoa.
Na simulação maliciosa, por outro lado, as partes visam prejudicar terceiros ou violar disposição legal. É, portanto, a finalidade do agente que irá determinar a consideração do negócio como malicioso ou inocente.

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Efeitos da Simulação no Código Civil

 O atual Código Civil não mais trata a simulação maliciosa como um defeito do negócio jurídico e sim como causa de nulidade deste.
 Desta forma, estabelece o artigo 167 do novo normativo que "é nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma".
 Na simulação absoluta, considerava a doutrina tratar-se de negócio jurídico inexistente. Agora não mais., segundo o §2o do artigo 167 que são ressalvados "os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado".

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 Com o intuito de proteger a própria fluência das transações no mercado e a confiança imprescindível entre os agentes, a ordem jurídica ressalva os direitos de terceiros de boa-fé que acreditaram e fundamentaram suas ações na aparência do negócio jurídico a eles apresentado. Declara-se a nulidade do negócio simulado maliciosamente, preservando-se, contudo, os efeitos gerados pelo negócio aparente em relação a terceiros que desconheciam a divergência entre a vontade real e a declaração dos contratantes.
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Gabarito
Casos concretos
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CASO CONCRETO 1

 Ana Elisa empresta R$ 15.000,00 (quinze mil reais) a seu amigo, Luiz Gustavo. No vencimento da obrigação, Luiz Gustavo não paga o empréstimo. Ana Elisa, dispondo de título executivo, ingressa com a ação de execução. Nenhum bem de Luiz Gustavo é encontrado para ser penhorado. Ana Elisa, porém, descobre que Luiz Gustavo, após vencido o débito, havia vendido para seu irmão Otacílio o único imóvel de que era titular, mais precisamente, uma sala comercial avaliada em R$ 95.000,00 (noventa e cinco mil reais). Pergunta-se:
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A venda entre Luiz Gustavo e Otacílio é anulável em razão da fraude contra credores.
2) A situação seria diferente caso, ao invés de venda, tivesse havido uma doação?
Quando o devedor insolvente doa um bem ou se torna insolvente por causa da doação, o negócio