Sociologia J. - Anotação (6)
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Sociologia J. - Anotação (6)

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Professor: Dr. Wagner Balera

DISCIPLINA: DIREITO PREVIDENCIÁRIO

Capítulo 1 - Aula 1

CONCEITO E PRINCÍPIOS

DA SEGURIDADE SOCIAL

Coordenação: Prof. Dr. Wagner Balera

DE APERFEIÇOAMENTO PROFISSIONAL

01

1. Conceito de seguridade social

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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Em torno do conceito de seguridade social, núcleo essencial da nossa disciplina, será desenvolvido todo este

Curso de Direito Previdenciário.

Tal conceito é, hierarquicamente, precedido por alguns valores constitucionais que, por assim dizer,

conformam seus limites e contornos.

O primeiro valor, que quase pode ser considerado a suma conceitual do Direito em geral e do Direito

Previdenciário em particular é a Justiça: fim da Ordem Social Constitucional.

Para que a seguridade social cumpra a sua árdua missão constitucional, dela se espera, como resultado

necessário, que se concretize a Justiça Social.

Para nós, estudiosos do direito, o conceito atua como núcleo do pensamento que se edifica em torno do

objeto a ser examinado.

E, ao lume do conceito, serão compreendidos os diferentes passos a serem percorridos no itinerário que terá

como ponto de chegada a Justiça Social.

Quando se cogita da Justiça Social, o que se pretende é nada menos do que a modificação dos diferentes

estados de coisas que geram as situações de necessidade amparadas pelos programas de seguridade social.

A quem imagine que se trata de programa ambicioso, lembremos as palavras de VILANOVA, segundo quem:

"o Direito positivo tem a pretensão de modificar o mundo;".

Ademais do fim último que é a implantação do Estado do Bem Estar, sinônimo da Justiça Social, a Ordem

Social (artº 193) se identifica com outro valor fundamental, a partir de cuja construção histórica os homens

perceberam que careciam um dos outros para a superação das situações de necessidade. É esse o valor

social do trabalho.

LOURIVAL VILANOVA, "As estruturas lógicas e o sistema do direito positivo", São Paulo, Ed. Rev. dos

Tribunais, 1977, p. 229.

O trabalho humano se situa no plano existencial como realidade sem a qual ninguém pode levar uma vida

digna. É celebre a crua advertência do Apóstolo PAULO: “Quem não trabalha não tem o direito de comer”.

Meio através do qual o homem conquista a subsistência, se olhado em perspectiva meramente econômica, o

trabalho é bem mais do que isso. Trata-se, como assinalou o filósofo MICHEL FOUCAULT , de valor "quase

transcendental". Só o trabalho se ajusta ao ideário proposto como fim da Ordem Social: constituição de uma

sociedade mais justa.

O trabalho faz parte do conceito de Justiça, com o significado que esta possui dentro do nosso Direito.

Capítulo 1

02

O relevo dado ao valor trabalho permite, a todos quantos buscam o conceito de Justiça (velho problema

com que se defronta a filosofia do Direito), fixar-lhe limites precisos.

É necessário termos presente que toda norma jurídica, sobre ser a imposição de um dever ser (segundo a

objetiva terminologia de KELSEN); opera como limite ao ser. Por essa razão, as normas pretendem impor a

ordem onde, até o momento em que foram editadas, operava a desordem.

As normas de seguridade social identificam a desordem com as situações de necessidade geradas pelo

mundo do trabalho que até então não obtiveram concretas medidas de proteção jurídica.

De fato, serão incorporadas ao conceito de seguridade social e delas cuidará o Direito Previdenciário, as

normas que descrevem eventos sociais (que, comumente, denominaremos riscos, em atenção ao primitivo

modelo normativo que os albergou) e, de pronto, acionam sobre tais eventos as medidas jurídicas de

proteção social.

Verifica-se, deste modo, que o conceito não se firmará como realidade estática. Sempre que novos e

desconhecidos perigos vierem a exigir medidas de proteção social do tipo daquelas que a seguridade é apta

a concretizar, o conceito merecerá correções, ampliações e reparos, para melhor descrição do objeto. A

realidade, observa VILANOVA, é sempre muito mais abrangente do que o conceito que a descreve. Nem

tudo aquilo que a realidade desvela pode ser albergado pelo conceito.

O estudioso toma da realidade, então, como que uma fotografia instantânea, retrato fiel do direito atual.

Sempre que o mundo fenomênico vier a se modificar, se a modificação provocar pela sua gravidade e

importância - alteração na ordem normativa, outra fotografia deverá ser tomada. A série histórica das

normas opera, portanto, como uma reportagem da realidade social subjacente, reconstruída pela ordem

normativa a partir da interferência sobre ela do Direito Positivo, sempre armado para modificar a realidade.

 MICHEL FOUCAULT, "As Palavras e as Coisas", tradução de Antônio Ramos Rosa, Lisboa, Portugália

Editora, p. 327.

No conceito de seguridade social estarão identificados, necessariamente, quem serão os destinatários da

proteção do Direito, assim como quem deve prestar tal proteção; o tipo de proteção oferecida pela ordem

normativa e os meios pertinentes à respectiva concretização.

Afirmava, com razão, o Lorde BEVERIDGE que o conceito de seguridade social se confunde, a seu modo,

com o de política social.

"A seguridade social", afirmou o Social Insurance and Allied Services, "tem por objeto abolir o estado de

necessidade."

Mas um conceito tão amplo correria sério risco de denegação prática.

Nenhuma nação foi capaz de inventariar a totalidade dos problemas que a questão social traz à baila.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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03

Sempre surgirão novas situações de risco social que a componente aleatória do fenômeno protetivo não foi

capaz de identificar ao seu tempo.

Sempre que as novas situações qualificadas como riscos sociais demandassem equacionamento teriam,

assim o legislador como o executor da lei de proporcionar o devido socorro ao usuário do sistema.

Mas aqui podemos apontar uma vantagem na configuração do nosso sistema jurídico positivo. É que o

constituinte foi suficientemente explicito ao definir os objetivos da seguridade social e, com esse labor,

acabou fixando os limites do conceito.

Mesmo assim, o bem elaborado programa constitucional de proteção social tem amargado diversas

deformações por causa das reformas redutoras de direitos levadas em efeito por intermédio das Emendas

Constitucionais n. 20, de 1998 e n. 41, de 2003.

Permanece, mesmo após as reduções, o conceito de seguridade social como sendo a completa conjunção

entre o seguro social (entre nós mais comumente denominado previdência social) e os serviços sociais (de

saúde e de assistência social).

Para dar acabamento ao quadro conceitual não se pode deixar de considerar a cada vez mais significativa

presença dos particulares na condução dos programas de proteção.

É assim na área da saúde, com os planos privados assumindo posição de destaque. Do mesmo modo na

esfera da assistência social, em que predomina a iniciativa e a ação das entidades beneficentes de

assistência.

E segue sendo ampliada a rede complementar de previdência, com as entidades abertas e fechadas

cumprindo papel da maior relevância.

 O Relatório é de 1942 e foi traduzido por ALMIR DE ANDRADE, com o título de "O Plano Beveridge".

Rio, 1943.

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