Sociologia J. - Anotação (6)
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Sociologia J. - Anotação (6)

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social.

 TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JUNIOR, reproduzindo lições que hauriu em EMIL LASK, explica que: "A

"norma jurídica", contudo, diferencia-se da mera "norma moral", na medida em que expressa o etos

comum, não na sua totalidade, mas enquanto seu "esboço pobre" (dürftiges Umrissen).", in

"Conceito de Sistema no Direito", São Paulo, Ed. Revista dos Tribunais, 1976, p. 126.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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2. Princípios da Seguridade Social

O regramento da seguridade social é imenso. Sua leitura e análise dependem necessariamente, da

compreensão dos princípios informadores de tal conjunto normativo.

São princípios da seguridade social - bases estruturais do sistema - os objetivos estampados no parágrafo

único do artigo 194 da Constituição.

Abrindo aqui um parêntese explicativo, esclarecemos que coube a ARMANDO DE OLIVEIRA ASSIS a

primazia na formulação do que aquele mestre cognominou "princípios técnicos".

Os princípios técnicos, explica ASSIS, devem ser tomados como "constitutivos sobre os quais se esteia o

sistema, e que são, a bem dizer, o sistema em si mesmo" .

Princípios que, diríamos nós, se constituem em verdadeiros "guides" interpretativos da Constituição em

determinada matéria.

Os princípios podem ser identificados com aquelas normas-objetivo cujo propósito, no dizer de EROS

GRAU, assim se revela:

"... a existência de uma norma-objetivo no bojo de uma parcela do ordenamento jurídico vincula o intérprete

na interpretação de suas normas de conduta e de Organização, de modo que não poderá ser tida como

aceitável hermenêutica que não seja estritamente coerente com a realização dos fins nela inscritos."

O pilar estrutural da seguridade social se expressa no inciso I, do Parágrafo único do art. 194 da

Constituição e é assim enunciado: universalidade da cobertura e do atendimento.

Pode-se dizer que, dessa base, a universalidade, modo pelo qual a seguridade social deverá ser

implementada em nosso país, todas as demais derivam.

As próprias regras de modificação do preceituário constitucional devem estar sujeitas a esse princípio,

verdadeira pedra fundamental em que se encontra baseada toda a edificação da seguridade social.

Funciona ao modo de barreira de contenção do sistema, impedindo os recuos da rede de proteção social

para limites antecedentes já implementados.

ARMANDO DE OLIVEIRA ASSIS, Compêndio de Seguro Social, Rio Serviço de Publicações da

Fundação Getúlio Vargas, 1963, p.152.

EROS ROBERTO GRAU, "Direito, conceitos e normas jurídicas", São Paulo, Ed. Rev.dos Tribunais,

1988, p. 153

Em plena congruência com o princípio da igualdade - fixado no caput do art. 5º da Lei das Leis - a

universalização da proteção tornará a seguridade social habilitada a igualar todas as pessoas que residam

no território nacional.

A todos é reservado igual lugar, aquele que lhe confere cobertura e atendimento segundo a respectiva

necessidade, na estrutura institucional da proteção social.

Eis a razão de termos afirmado que a universalidade se constitui:

“Na específica dimensão do princípio da isonomia (garantia estatuída no art. 5º da Lei Maior), na Ordem

Social. É a igual proteção para todos."

São dois os modos pelos quais se concretiza a universalidade.

De um lado, ela opera implementando prestações. De outro, ela identifica os sujeitos que farão jus a essas

prestações.

A universalidade da "cobertura" refere-se às situações da vida que serão protegidas. Sejam todas e quaisquer

contingências que possam gerar necessidades.

Já a universalidade do "atendimento" diz respeito aos titulares do direito à proteção social. Todas as pessoas

possuem tal direito.

NAIR LEMOS GONÇALVES também atribui dupla dimensão ao objetivo em estudo. Denomina princípio da

abrangência à diretriz da universalidade do atendimento; chama de princípio da universalidade quanto ao

campo de aplicação à regra da universalidade da cobertura.

Verificam-se, pois, dois ângulos de estruturação da isonomia entre as pessoas protegidas.

Relacionado direta e imediatamente com a regra da universalidade vamos encontrar, logo em seguida na

enunciação constitucional da matéria, o inciso II, do mesmo artigo 194, par. único, que determina a

uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais.

Em período antecedente à promulgação da Constituição de 1988, os trabalhadores rurais e respectivos

dependentes eram cobertos por mui restrito plano de proteção.

 WAGNER BALERA, A Seguridade Social na Constituição de 1988, RT, São Paulo, 1989, p. 36

 idem, ibidem, p. 35.

 NAIR LEMOS GONÇALVES, Novo Benefício da Previdência Social, São Paulo, IBRASA, Instituto

Brasileiro de Difusão Cultural, 1976, p.50.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

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A base estrutural lançada pelo constituinte exige igual sistema de proteção social, vale dizer, o mesmo elenco

de prestações, com critérios idênticos de apuração do respectivo valor, contemplará assim os trabalhadores

do campo como os que laboram na cidade.

Ao fim e ao cabo, o que se quer é a imediata implantação da isonomia entre as diversas categorias de

trabalhadores, qualquer que seja o local do território nacional no qual exerçam as atividades profissionais.

Explicitando, por outra via, a igualdade a ser alcançada por intermédio da seguridade social, o constituinte

valeu-se de base tática, apta a adaptar o plano de proteção a variáveis situações de fato.

Trata-se do principio previsto no inciso III, do Parágrafo único do mesmo art. 194 da Lei Magna, a determinar

a: seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e dos serviços.

Mediante a seletividade, o legislador é chamado a estimar aquele tipo de prestações que, em conjunto,

concretizem as finalidades da Ordem Social, a fim de fixar-lhes o rol na norma jurídica.

Realizada a estimativa, a distributividade faculta a escolha, pelo legislador, de prestações que - sendo direito

comum a todas as pessoas - contemplam de modo mais abrangente os que se encontram em maior estado

de necessidade.

Novas circunstâncias poderão exigir a definição de outro plano tático e a fixação de outras prestações, com

valores diferenciados, a fim de que se realize, em plenitude, a igualdade de cobertura e do atendimento.

Essa base estrutural exige que o sistema de seguridade social implante a justiça distributiva, proporcional,

geométrica, que permite maior amparo à parcela da população cujas necessidades são maiores. Nada mais

conforme com os termos do artigo 3º da Lei das Leis que quer a construção d'uma sociedade livre, justa e

solidária (inciso I), com erradicação da pobreza e redução das desigualdades sociais (II), e promoção do

bem de todos (III).

É outro o valor constitucional que dá suporte à seguinte base estrutural do sistema.

Com efeito, ao assegurar