Sociologia J. - Anotação (6)
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Sociologia J. - Anotação (6)

Disciplina:Sociologia Jurídica E Judiciária1.407 materiais13.021 seguidores
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a irredutibilidade do valor dos benefícios o inciso IV, do art. 194, Parágrafo único,

da Constituição, está prestigiando a garantia individual que protege o direito adquirido (art. 5º, XXXVI, do

mesmo Diploma Fundamental).

A modificação unilateral do direito que constitui objeto da relação existente entre a pessoa protegida e a

entidade previdenciária criaria a desordem social.

Os benefícios são prestações pecuniárias que não podem sofrer modificações nem em sua expressão

quantitativa (valor monetário) nem em sua expressão qualitativa (valor real).

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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A fim de que esse princípio não seja nunca violado, é imprescindível que a legislação estabeleça criterioso

modelo de aferição do poder aquisitivo do benefício. Poder aquisitivo que, se vier a ter sua expressão

ameaçada, deverá ser prontamente restabelecido, mediante mecanismo de reajustamento adequado.

A articulação racional entre os princípios da seguridade social e a isonomia retorna à cena quando se cuida

do critério que deve nortear a definição normativa dos recursos financeiros que alimentarão o sistema.

Para que se mostre conforme a isonomia, o principio constitucional ordena que, nas normas definidoras das

fontes de financiamento se observe, com rigor, a eqüidade na forma de participação no custeio.

Nesta medida, cumpre ao legislador estabelecer adequada proporção entre as quotas a serem vertidas pelos

diferentes atores sociais para a implementação da seguridade social. Não nos esqueçamos que, logo em

seguida, o art. 195 afirmará: toda a sociedade financiará a seguridade social.

A necessária congruência estrutural entre isonomia e eqüidade exige ponto de equilíbrio entre a capacidade

econômica do contribuinte e o esforço financeiro que dele será cobrado para a constituição do fundo

comum de proteção social.

Aplicado o critério em comento, esse meio indispensável para a concretização da seguridade, que é a forma

de participação no custeio, não se constituirá em outro elemento apto a propulsionar ou agravar as

desigualdades sociais que, como fatores de risco, a ordem econômica acaba criando.

Em suma, a regra ordena que o legislador, ao produzir a norma de custeio, atue com o propósito indireto de

reduzir as desigualdades, mediante a prudente e adequada repartição dos encargos sociais.

Ao definir o desenho genérico das fontes de recursos para a seguridade social, o constituinte já tratou de pôr

em evidência como entende que pode ser concretizada a equidade.

Determina o art. 194, par. único, em seu inciso VI que há de existir: diversidade da base de financiamento.

Esse princípio pode ser observado sob dois ângulos: o objetivo e o subjetivo.

Do ponto de vista objetivo, o comando exige diversificação dos fatos que gerarão contribuições sociais.

Em perspectiva subjetiva, a regra exige consideração das pessoas naturais ou jurídicas que verterão

contribuições.

Queremos notar que a característica da regra é sua maior abertura, quando comparada ao esquema de

financiamento previdenciário que vigorou, entre nós, desde a Constituição de 1934.

No entanto, ao prever e regular grupos e casos onde a incidência ocorrerá, o constituinte restringiu o âmbito

de incidência, pondo em risco a expansão do sistema.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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Resta, de todo modo, ao legislador complementar a faculdade para explorar e identificar, com base no art.

195, § 4º, combinado com o art. 154, I, da Constituição, outros sinais de riqueza que poderão ensejar a

cobrança de novas contribuições sociais, a fim de que fique garantida a manutenção ou expansão da

seguridade social.

Em outra ordem de idéias, mas dentro do tema dos recursos financeiros, cumpre considerar que a

manutenção das atividades da seguridade social, exige receitas obtidas mediante fontes básicas de custeio

que são, na esfera pública, as contribuições sociais e as receitas orçamentárias das diferentes pessoas

políticas.

A previsibilidade dessas receitas é elemento indispensável para que o sistema tenha preservado, em caráter

permanente, como exigem os artigos 40 e 201, da Constituição, o equilíbrio financeiro e atuarial.

A contribuição dos empregadores incidirá sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho, sobre

o faturamento e sobre o lucro.

O importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar, também é chamado a verter o

seu tributo social.

Os trabalhadores contribuem com base na respectiva remuneração ou com base no resultado da

comercialização da respectiva produção.

Remanescente atual das antigas cotas de previdência é prevista, ainda, a contribuição sobre a receita de

concursos de prognósticos, incidente sobre loterias, jogos e apostas.

Ainda que sob argumentos os mais meritórios, todo e qualquer desvio dos recursos da contribuição sobre a

receita de concursos de prognósticos afronta a destinação constitucional desses valores.

Não convivem com o sistema, pois, o desvio de recursos para o programa de crédito educativo (art. 26 da Lei

n. 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei n. 8.436, de junho de 1992); a verba destinada ao Fundo

Penitenciário Nacional (Lei Complementar n.79, de janeiro de 1994, art. 2o, inciso VIII) e a receita líquida da

loteria esportiva destinada à Federação Nacional das APAE'S (Lei n. 9.092, de setembro de 1995).

Conquanto esta última se refira a uma atividade compreendida no universo da seguridade social a proteção

da pessoa portadora de deficiência há modelo sistemático de procedimento para a destinação de recursos

da seguridade social para quaisquer fins. É a via orçamentária já referida aqui, a exigir que todos os recursos

da seguridade social integrem o orçamento especifico e sejam, de modo integrado, distribuídos pelo colégio

gestor na proposta orçamentária a ser submetida ao Poder Legislativo.

Já o conjunto da sociedade verte recursos, de modo direto, da contribuição provisória sobre movimentação

financeira e, de modo indireto, através das transferências orçamentárias a serem operadas pelas entidades

federativas do país: União, Estados, Distrito Federal e Municípios.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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Estes, porém, só estão obrigados, nos termos do art. 77 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias,

a contribuir com percentuais fixos de seus orçamentos para o setor de saúde (percentuais que variam de 5% a

15%, conforme o nível institucional em que se situa a pessoa política).

No entanto, a falta de compromisso com as verbas a serem vertidas aos programas de assistência social

impede que outro dos objetivos fundamentais da Constituição (a erradicação da pobreza e da

marginalização) venha a se concretizar em breve tempo.

Naturalmente, outras contribuições poderão ser instituídas nos termos do estabelecido no art. 195 da

Constituição