Sociologia J. - Anotação (6)
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Sociologia J. - Anotação (6)

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de outubro de 1988.

Em outra abordagem inovadora, conforme a definição estampada no seu preâmbulo, a Constituição define

o Brasil como Estado Democrático de Direito.

Essa vontade, expressa no art. 1º da Lei Magna, é parte do arcabouço normativo e exige integração com

outras regras capazes de configurar a respectiva concretização.

Eis a função que cabe ao derradeiro princípio da seguridade social, grafado no parágrafo único, inciso VII,

do art. 194 da Lei Maior: completar a definição constitucional do que se entende por Estado Democrático de

Direito.

Na parte social do Estado Democrático de Direito, é dizer, no setor do Estado brasileiro que irá tocar a

seguridade social, deve imperar o: caráter democrático e descentralizado da administração, mediante

gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do

governo.

Aponta MOACYR VELLOSO CARDOSO DE OLIVEIRA as raízes históricas que levaram a emissão desse

comando.

Merecem ser consideradas, por igual, as normas de direito internacional que, ao criarem a Organização

Internacional do Trabalho, predefiniram e conformaram o protótipo da legislação social dos diferentes

países membros.

É claro que, em setor no qual o futuro dos trabalhadores, empresários e aposentados está sendo decidido, a

presença dos mesmos se coloca como exigência democrática fundamental.

A fim de dar consistência prática à estrutura que idealizou, permitindo que a mesma se aproxime dos

destinatários das medidas de proteção social, o constituinte determinou a descentralização da gestão da

seguridade social.

A descentralização transfere para a periferia do sistema o poder de decisão, permitindo que os conselhos

estaduais e municipais discutam e proponham - a partir da situação local, sempre peculiar, da necessidade

particular daquela população assistida - diretivas e planos de ação.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

www.r2direito.com.br

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"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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É o que leciona MICHEL TEMER:

"A descentralização administrativa implica, pois, na criação de novos centros dotados de capacidade, os

quais agem e deliberam em nome próprio."

De ordem que a descentralização também adjudica a execução do plano de proteção, que consiste na

prestação dos benefícios e dos serviços; na implementação de programas de saúde e de assistência social e

dos projetos de enfrentamento da pobreza, aos órgãos locais.

Rebela-se, porém, contra referida diretriz a Medida Provisória n. 2.216-37, de agosto de 2001.

Com efeito, sem maiores explicações, o art. 7o da Lei n. 8.213, de julho de 1991, que instituíra os Conselhos

Estaduais e Municipais da Previdência Social, é revogado.

Trata-se de manifesta afronta ao propósito descentralizador engendrado pelo constituinte.

MOACYR VELLOSO CARDOSO DE OLIVEIRA, Um pouco da história da Previdência Social. O

Conselho Nacional do Trabalho, suas origens, in Revista de Previdência Social n.º 90, p. 269.

MICHEL TEMER, Território Federal nas Constituições Brasileiras", São Paulo, RT - EDUC, 1976, p. 58.

É essa, em apertada síntese, a estrutura em que se assenta o edifício da seguridade social, como concebido

pelo constituinte pátrio.

É importante salientar quando se cogita dos recursos da seguridade social que o constituinte, ainda que

tenha catalogado como primeiro dos objetivos do sistema o da universalidade da cobertura e do

atendimento (art.194, par. Único, I), não universalizou o modo de financiamento.

Essa universalização consagraria o modo indireto de financiamento, mediante o qual as receitas de

seguridade social são hauridas do orçamento geral do Estado, que é constituído de tributos vertidos por toda

a sociedade.

De outra parte, o custeio do sistema previdenciário é motivo de preocupação permanente do legislador.

A Constituição estabelece dispositivo que, pelo seu alcance, merece transcrição. Trata-se do § 5º do art.

195, que assim se encontra grafado:

Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a

correspondente fonte de custeio total.

Temos considerado que essa diretriz, que denominamos regra da contrapartida, desvela a preocupação do

legislador constituinte, vedando a criação de benefícios ou serviços sem previsão da fonte de custeio, com o

equilíbrio financeiro do sistema de proteção social.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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É notória a crise do sistema, que antecede a atual estrutura constitucional dos programas.

A norma limita o agir do legislador ordinário, vedando a imposição de ainda maiores ônus ao sistema

mediante criação, majoração ou extensão de benefícios ou serviços. Só com a concomitante previsão da

fonte de custeio é que se pode cogitar de novas prestações.

É até certo ponto paradoxal que a seguridade social brasileira, ainda tão deficiente e repleta de lacunas, não

possa desenvolver aperfeiçoada linha de benefícios ou criar serviços sociais mais modernos.

Cf. o nosso: A Seguridade Social na Constituição de 1988, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1989,

p. 68.

Sobre as causas e as razões da crise vide CELSO BARROSO LEITE, A Crise da Previdência Social,

ZAHAR, Rio de Janeiro, 1981 e RIO NOGUEIRA, A Crise Moral e Financeira da Previdência Social,

DIFEL, São Paulo, 1985.

Para resolver este paradoxo é preciso ressaltar que as deficiências do sistema não se encontram no elenco

dos benefícios ou dos serviços - que se ajustam ao modelo internacional estampado na Norma Mínima de

1952 - mas em incompreensíveis distorções de tratamento fiscal que impedem a redução de desigualdades

econômicas e sociais.

A contribuição social dos trabalhadores não respeita a eqüidade no custeio, cuja implementação exige

progressivas alíquotas incidentes não apenas sobre valores qualificados como salários de contribuição e sim

sobre todas as verbas percebidas pelos segurados. Com tal configuração, o modo de financiamento

resultaria desgarrado das estruturas primitivas do seguro e imporia a cooperação de todos em prol do bem

comum.

A contribuição dos empregadores, para respeitar a eqüidade no custeio, deve guardar intimidade com o

risco social inerente à atividade econômica do contribuinte.

Incidindo com maior intensidade sobre aqueles setores de atividades que provocam maior situação de risco,

a contribuição definiria melhor as responsabilidades sociais pelo financiamento do sistema.

É, aliás, o que determina § 9º do art. 195 da Constituição, acrescentado pela Emenda n. 20/98, ao

comandar:

§ 9º As contribuições sociais previstas no inciso I deste artigo poderão ter alíquotas ou bases de cálculo

diferenciadas, em razão da atividade econômica ou de utilização intensiva de mão de obra.

O § 4º do art. 239, da Constituição, em preceito que se relaciona com o adrede transcrito, também

estabelece:

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"Proibida a reprodução total ou parcial,