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de suspensão, impedimento e interrupção não são aplicáveis à decadência, que envolve prazos fatais, peremptórios, salvo disposição em contrário, como a exceção encontrada no art. 26, § 2°, do Código de Defesa do Consumidor.
SEMANA 14 AULA 26

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Um exemplo singelo de decadência é o seguinte: a concessão de um prazo para pagamento à vista de uma obrigação com direito a desconto; exercido o direito em tempo hábil, haverá o benefício do desconto, caso contrário, ocorrerá a caducidade do próprio direito.

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Outro exemplo de decadência junto ao direito positivo é o do Art. 103 do CP:
 Art. 103 - Salvo disposição expressa em contrário, o ofendido decai do direito de queixa ou de representação se não o exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses, contado do dia em que veio a saber quem é o autor do crime, ou, no caso do § 3º do Art. 100 deste Código, do dia em que se esgota o prazo para oferecimento da denúncia.

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É possível se transformar um prazo prescricional em decadencial?
Sim, contudo tal decadência será chamada de convencional, já que surge por acordo das partes e não por imposição de lei. Nessa hipótese, a decadência não poderá ser reconhecida sem a devida alegação da parte a quem ela beneficia, por determinação do artigo 211 do Código Civil. A regra tem sua razão de ser. O juiz não poderia reconhecer tal decadência contratual, pois, pela lei estaríamos diante de um caso de prescrição (não podemos esquecer que as partes transformaram um prazo de prescrição em decadência), que, como vimos, não poderá, em regra, se reconhecida de ofício.
Todavia, se o beneficiado pela decadência convencional alegá-la, em qualquer grau de jurisdição, deverá o juiz reconhecê-la (art. 221 do CC/02).

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Imaginemos, por exemplo, um contrato de mútuo de dinheiro (empréstimo) pelo qual as partes convencionam que, na hipótese de inadimplemento do mutuário, o prazo para a cobrança das importâncias devidas será decadencial e não prescricional, como dispõe o art. 206, § 5º, inciso I.
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O prazo de decadência, uma vez iniciado, segue continuadamente, até seu final, inadmitidas a suspensão ou a interrupção, ao passo que o prazo de prescrição comporta suspensão ou interrupção.
Por outro lado ocorre na decadência como na prescrição a não oponibilidade a absolutamente incapazes. (Art. 3º, CC e Art. 198, I, CC).

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ESPÉCIES DE DECADÊNCIA
1 LEGAL

Quando é prevista em lei, sendo reconhecida de ofício pelo juiz, ainda que se trate de direitos patrimoniais; de acordo com o arts. 210 do Código Civil de 2002.
O prazo decadencial legal é irrenunciável, segundo o art. 209 do Código Civil de 2002.

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EXEMPLO
O prazo que a vítima do dolo tem para interpor demanda visando à anulação do contrato firmado em razão do vício do consentimento é de 4 anos, contados da data em que se celebrou o negócio jurídico de acordo com o artigo 178, II do Código Civil. Então, se o autor da demanda propusê-la decorridos 5 anos da data em que o contrato foi assinado, caberá o juiz, já com a leitura da inicial, extinguir o processo sem mesmo determinar a citação do réu, pois a matéria é de ordem pública e não precisa ser invocada pelo réu para que a decadência seja reconhecida.
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2. CONVENCIONAL
Estipulada pelas partes, somente a parte beneficiada poderá alegá-la, sendo vedado ao juiz de Direito suprir a alegação da parte, consoante o art. 211 do Código Civil de 2002.
O prazo decadencial convencional pode ser renunciado, a teor do art. 209 do Código Civil de 2002, a contrario sensu.

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Esclarece Humberto Theodoro Junior que "quando se trata de fruto da autonomia negocial, não cabe o juiz conhecer da decadência, senão quando arguida pela parte, porquanto tem esta disponibilidade a respeito do direito que nela se funda. Não cabe ao juiz sobrepor-se à vontade dos interessados em terreno dominado pela disponibilidade dos direitos." 
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Paramos por aqui.
Não esqueça de fazer as leituras e resolver os casos dessa aula e conferir os gabaritos na próxima semana.

Até lá!!!

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