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Disciplina:GEOGRAFIA ECONÔMICA1.053 materiais9.171 seguidores
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causas desses efeitos diametralmente opostos mas em todo caso serviria
para provar que os preços das mercadorias não são governados pelos
preços do trabalho. Todavia, prescindiremos perfeitamente desse mé-
todo empírico.

Poder-se-ia, talvez, negar que o cidadão Weston sustente o dogma
de que “os preços das mercadorias se determinam ou regulam pelos
salários”. De fato, ele jamais formulou esse dogma. Disse, ao contrário,
que o lucro e a renda do solo são também partes integrantes dos preços
das mercadorias, visto que destes têm de sair não só os salários dos
operários como os lucros do capitalista e as rendas do proprietário da
terra. Porém, a seu modo de ver, como se formam os preços? Formam-se,
em primeiro lugar, pelos salários; em seguida, somam-se ao preço um
tanto por cento adicional em benefício do capitalista e outro tanto por
cento adicional em benefício do proprietário da terra. Suponhamos que
os salários do trabalho invertido na produção de uma mercadoria as-
cendem a 10. Se a taxa de lucro fosse de 100%, o capitalista acres-
centaria 10 aos salários desembolsados, e, se a taxa de renda fosse
também de 100% sobre os salários, ter-se-ia que ajuntar mais 10, com
o que o preço total da mercadoria viria a cifrar-se em 30. Semelhante
determinação do preço, porém, estaria presidida simplesmente pelos
salários. Se estes, no nosso exemplo, subissem a 20, o preço da mer-
cadoria elevar-se-ia a 60 e assim sucessivamente. Eis por que todos
os escritores antiquados de economia política que alvitravam a tese
de que os salários regulam os preços intentavam prová-la apresentando
o lucro e a renda do solo como simples percentagens adicionais sobre
os salários. Nenhum deles era, naturalmente, capaz de reduzir os li-
mites dessas percentagens a uma lei econômica. Pareciam, ao contrário,
acreditar que os lucros se fixavam pela tradição, costume, vontade do
capitalista, ou por qualquer outro método igualmente arbitrário e inex-
plicável. Quando afirmavam que os lucros se determinam pela concor-
rência entre os capitalistas, portanto, não explicavam absolutamente
nada. Essa concorrência por certo nivela as diferentes taxas de lucros
das diversas indústrias, ou seja, as reduz a um nível médio, porém
jamais pode determinar esse nível, ou a taxa geral de lucro.

Que queremos dizer quando afirmamos que os preços das mer-
cadorias são determinados pelos salários? Como o salário não é mais
do que uma denominação do preço do trabalho, queremos dizer com
isso que os preços das mercadorias regulam-se pelo preço do trabalho.
E como “preço” é valor de troca — e quando falo de valor refiro-me
sempre ao valor de troca —, a saber: valor de troca expresso em dinheiro,
aquela afirmativa equivale a esta outra: “O valor dos mercadorias é
determinado pelo valor do trabalho”, ou, o que vem a dar no mesmo,
“O valor do trabalho é a medida geral do valor”.

Mas, por sua vez, como se determina o “valor do trabalho”? Aqui,
chegamos a um ponto morto. A um ponto morto, sem dúvida, se ten-

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