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Disciplina:GEOGRAFIA ECONÔMICA1.053 materiais9.122 seguidores
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distinguindo-os unicamente pela proporção em que contêm essa mesma
e idêntica medida. Como os valores de troca das mercadorias não pas-
sam de funções sociais delas, e nada têm a ver com suas propriedades
naturais, devemos antes de mais nada perguntar: Qual é a substância
social comum a todas as mercadorias? É o trabalho. Para produzir
uma mercadoria tem-se que inverter nela, ou a ela incorporar, uma
determinada quantidade de trabalho. E não simplesmente trabalho,
mas trabalho social. Aquele que produz um objeto para seu uso pessoal
e direto, para consumi-lo, cria um produto, mas não uma mercadoria.
Como produtor que se mantém a si mesmo, nada tem com a sociedade.
Mas, para produzir uma mercadoria, não só se tem de criar um artigo
que satisfaça a uma necessidade social qualquer, como também o tra-
balho nele incorporado deverá representar uma parte integrante da
soma global de trabalho invertido pela sociedade. Tem que estar su-
bordinado à divisão de trabalho dentro da sociedade. Não é nada sem
os demais setores do trabalho, e, por sua vez, é chamado a integrá-los.
Quando consideramos as mercadorias como valores, vemo-las somente
sob o aspecto de trabalho social realizado, plasmado ou, se assim qui-
serdes, cristalizado. Consideradas desse modo, só podem distinguir-se
umas das outras enquanto representem quantidades maiores ou me-
nores de trabalho; assim, por exemplo, num lenço de seda pode encer-
rar-se uma quantidade maior de trabalho do que em um tijolo. Mas
como se medem as quantidades de trabalho? Pelo tempo que dura o
trabalho, medindo este em horas, em dias etc. Naturalmente, para
aplicar essa medida, todas as espécies de trabalho se reduzem a tra-
balho médio, ou simples, como a sua unidade.

Chegamos, portanto, a esta conclusão. Uma mercadoria tem um
valor por ser uma cristalização de um trabalho social. A grandeza de
seu valor, ou seu valor relativo, depende da maior ou menor quantidade
dessa substância social que ela encerra, quer dizer, da quantidade
relativa de trabalho necessário à sua produção. Portanto, os valores
relativos dos mercadorias se determinam pelas correspondentes quan-
tidades ou somas de trabalho invertidas, realizadas, plasmadas nelas.
As quantidades correspondentes de mercadorias que foram produzidas
no mesmo tempo de trabalho são iguais. Ou, dito de outro modo, o
valor de uma mercadoria está para o valor de outra, assim como a
quantidade de trabalho plasmada numa está para a quantidade de
trabalho plasmada na outra.

Suspeito que muitos de vós perguntareis: existe então uma di-
ferença tão grande, supondo que exista alguma, entre a determinação
dos valores das mercadorias na base dos salários e sua determinação
pelas quantidades relativas de trabalho necessárias à sua produção?
Não deveis perder de vista que a retribuição do trabalho e a quantidade
de trabalho são coisas perfeitamente distintas. Suponhamos, por exem-
plo, que num quarter de trigo e numa onça de ouro se plasmam quan-

OS ECONOMISTAS

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