PODER LEGISLATIVO
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PODER LEGISLATIVO

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e SP) (contas dos demais ordenadores de despesas no âmbito Municipal)
b) Fiscalização político-administrativa
- Feita por meio das CPI´s (art. 58 §3º traz as principais regras)
- Requisitos formais para criação das CPI´s:
1) Requerimento de pelo menos 1/3 dos parlamentares: O STF entende que esse requerimento não se submete a discussão e votação em Plenário. Portanto, estando presente o requerimento e os demais requisitos, o Presidente da Casa é OBRIGADO a compor a CPI
2) PRAZO CERTO: Pode prorrogar, desde que a prorrogação seja CERTA. E a prorrogação tem que ocorrer DENTRO DA LEGISLATURA (PRINCÍPIO DA UNICIDADE DA LEGISLATURA: o que começou em uma legislatura, tem que terminar na mesma legislatura)
3) A CPI investiga FATOS DETERMINADOS (determinação objetiva) e PESSOAS ENVOLVIDAS (determinação subjetiva)
- CPI para investigar corrupção nos Correios não é fato determinado. Tem que dizer quem vai investigar e quais atos de corrupção serão investigados
- Esses fatos têm que estar relacionados com a GESTÃO DA COISA PÚBLICA. O STF entendeu que negócios privados, ainda que ilícitos, não podem ser investigados pela CPI.

* A CPI tem que respeitar o princípio federativo. Assim, CPI Municipal não pode investigar fatos relacionados exclusivamente à gestão do patrimônio público estadual.

* A CPI tem “poderes de investigação próprios das autoridades judiciais” (Lei 1579/52 e Lei 10.001/2000)
 Os poderes da CPI são delimitados pelos poderes dos juízes.
Quais os poderes dos juízes? Poderes de julgar, instrutório e cautelar.
CPI tem poder de julgar? Não. Costuma cair muito a pergunta sobre se a CPI tem poder de anular atos do Poder Executivo. Não pode porque a CPI não tem poder decisório.
A CPI tem poder instrutório (poder relacionado à produção de prova para esclarecimento de fatos)? Sim, mas de forma limitada (não é amplo como dos juízes).
A CPI tem poder cautelar? O STF entende que há 2 medidas cautelares que podem ser determinadas pelas CPI´s, pois são medidas que visam à proteção da prova.
Na verdade, a CPI assemelha-se muito ao inquérito policial pois em ambos é feito um relatório, opinando-se pela culpabilidade dos investigados ou não. No caso da CPI, caso os parlamentares entendam pela culpabilidade dos investigados, o relatório é enviado para o MP para que promova a responsabilização dos mesmos.

* Cláusula de reserva de jurisdição: É como o STF chama os atos que só podem ser praticados pelo Poder J, por quem está investido no poder jurisdicional.

 PODERES DAS CPIs:
a) Pode quebrar SIGILO FISCAL, BANCÁRIO e TELEFÔNICO (registros telefônicos)
 Cuidado: A CPI pode ter acesso à conta de telefone. Isso não significa escutar as conversas de terceiros. Para a quebra do sigilo, não é preciso ORDEM JUDICIAL >> Mas o STF exige a observância do PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE (decisão por maioria absoluta da CPI para a quebra dos sigilos (quebra só pelo Presidente não pode)

b) A CPI pode INTIMAR AUTORIDADES, TESTEMUNHAS e INDICIADOS para prestar depoimento, com possibilidade de condução coercitiva
- A CPI não convida, ela ORDENA >> Por isso, se o intimado não comparecer e não justificar, o CPI pode ordenar a CONDUÇÃO COERCITIVA, pedindo auxílio à autoridade policial.
- Mas a CPI tem que respeitar o direito ao silêncio do indiciado e da testemunha >> Como se tornou comum a CPI dar voz de prisão em flagrante àquele que invoca o direito ao silêncio, ao argumento de ocorrência de crime de desacato, a jurisprudência tem aceitado a impetração de HC preventivo para garantir a pessoa o direito à não incriminação.

c) A CPI pode PRODUZIR PROVAS LÍCITAS (art. 5º, inc. LVI, CF)

d) PRISÃO EM FLAGRANTE (art. 5º, inc. LXI, CF)

e) MEDIDAS CAUTELARES
BUSCA E APREENSÃO, desde que não seja domiciliar
BUSCA PESSOAL (revista da pessoa e de seus pertences)

 LIMITES DAS CPIs (o que a CPI não pode fazer):
a) CPI não tem poder geral de cautela (pois esse poder está reservado à cláusula de reserva de jurisdição). Portanto, CPI não pode determinar arresto nem sequestro (são medidas cautelares), não pode decretar indisponibilidade de bens, não pode proibir a pessoa de se ausentar do país ou da Comarca
b) CPI não pode proibir a assistência jurídica das testemunhas e investigados (não pode proibir a comunicação dos investigados com seus advogados)
c) CPI não pode determinar qq ato que implique em violação domiciliar (art. 5º, inc. XI, CF)
 Conceito de “casa” >> Escritório de advocacia é casa pois o STF usa o conceito de “casa” do Código Penal (art. 150) >> Casa é o local onde a pessoa vive ou trabalha (desde que seja um local não aberto ao público e reservado à intimidade) >> invadir a casa, consultório do dentista, escritório do advogado tem que ter ordem judicial, salvo se for desastre, flagrante ou para prestar socorro.
d) CPI não pode quebrar o sigilo da comunicação telefônica (não pode ouvir conversa dos outros) (art. 5º, inc. XII, CF)
e) CPI não pode quebrar o sigilo judicial (segredo de justiça): não pode ter acesso a documentos de processos que tramitam em segredo de justiça >> Já caiu!!!
f) CPI não pode investigar atos jurisdicionais >> Os magistrados, no exercício da jurisdição, atuam com independência >> Ex: Desembargador de SP que foi intimado por CPI, suspeito de vender sentenças >> Ele impetrou HC no STF para evitar sua condução coercitiva. Seu argumento de atuação independente do Poder J foi aceito >> Mas cuidado: se fosse o caso de suspeita de fraude em concurso do Judiciário (evidências de favoritismo, nepotismo) ou ilegalidade em licitação do Poder J ou ofensa à moralidade em contrato celebrado pelo Poder J >> A CPI pode investigar porque nesses casos o Poder J está exercendo função administrativa
g) Intimação de indígena para prestar depoimento fora da reserva (art. 231, §5º, CF)
h) Ajuizamento de ação penal e julgamento

8. ESTATUTO DOS CONGRESSISTAS (arts. 53 a 56, CF)

8.1. PRIVILÉGIOS

1) IMUNIDADES PARLAMENTARES (= prerrogativa funcional)

a) IMUNIDADE MATERIAL ou INVIOLABILIDADE (art. 53, CF)
Causa excludente da ilicitude CIVIL e PENAL
 A inviolabilidade funciona como um apagador pois APAGA A ILICITUDE (civil e penal) e, portanto, a RESPONSABILIDADE
 A INVIOLABILIDADE NÃO AFASTA A RESPONSABILIDADE DISCIPLINAR >> Se o parlamentar quebrar o decoro, ele pode sofrer CASSAÇÃO do seu mandato
Opiniões, palavras e votos
Proferidas in officio ou propter officium
Dentro ou fora do recinto parlamentar (não importa onde esteja)
 Ex: Parlamentar está em sua casa e, em entrevista, diz que outro parlamentar é ladrão e tem que ser preso >> Inviolável
Posse até o término do mandato
 
b) IMUNIDADES FORMAIS:

b.1) IMUNIDADE FORMAL em relação à PRISÃO (art. 53 §2º)
Regra: Parlamentar não pode ser preso
Exceções:
a) Flagrante de CRIME INAFIANÇÁVEL
b) Prisão para CUMPRIMENTO DE PENA se a decisão judicial transitou em julgado >> Mas mesmo aqui o parlamentar tem um privilégio porque os autos serão remetidos à respectiva Casa no prazo máximo de 24hs, para que a Casa, em um JULGAMENTO POLÍTICO, resolva sobre a prisão >> A Casa pode (1) MANTER ou (2) RELAXAR A PRISÃO do parlamentar >> Essa decisão da Casa tem que ser por MAIORIA ABSOLUTA e em VOTAÇÃO ABERTA
A imunidade penal começa na DIPLOMAÇÃO (ocorre em dezembro do mesmo ano das eleições) e termina com o término do mandato

b.2) IMUNIDADE FORMAL em relação ao PROCESSO PENAL (art. 53 §§3º a 5º)
A Casa pode SUSTAR O ANDAMENTO DE UMA AÇÃO PENAL (não é de inquérito policial, não é de uma ação civil de improbidade), desde que o crime tenha sido cometido APÓS A DIPLOMAÇÃO do parlamentar.
Se o crime foi cometido ANTES, a Casa não poderá sustar o andamento da ação penal.
Recebimento da denúncia pelo STF >> Depois que o STF recebeu a denúncia, a Casa pede a sustação.
 Quem pede a sustação? Só partido político representado na Casa. O parlamentar que é réu na ação não pode fazer o pedido
A suspensão tem que ser pelo voto da MAIORIA ABSOLUTA em VOTAÇÃO ABERTA
Diplomação até o término do mandato
 A partir da diplomação, todas as ações penais porventura em trâmite são encaminhadas