Princípios e direitos fundamentais
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Princípios e direitos fundamentais

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À PROTEÇÃO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA.

1.4. PROCESSO DE INCORPORAÇÃO DOS TRATADOS NA ORDEM JURÍDICA INTERNA
- O sistema é DUALISTA porque existe uma ORDEM JURÍDICA INTERNACIONAL e outra INTERNA >> Até ser incorporado, o tratado só pertence àquela
- Fases de incorporação:
1) Celebração
2) Aprovação do tratado pelo CN
3) Ratificação pelo PR
4) Promulgação e publicação pelo PR

1) CELEBRAÇÃO
- Art. 84, VIII: Competência do PR >> Pela CF, é COMPETÊNCIA INDELEGÁVEL mas a Convenção de Viena autoriza que PREPOSTOS DO PR POSSAM CELEBRAR TRATADOS (pegadinha: aparente contrariedade entre a CF e a Convenção de Viena)

2) APROVAÇÃO
- Regra: Aprovação por MAIORIA SIMPLES (maioria dos presentes)

* O único tratado com status constitucional é o TRATADO SOBRE PROTEÇÃO ÀS PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA.

* Requisitos para que um tratado sobre direitos humanos tenha status de EC:
1) CONTEÚDO: Deve ter conteúdo de DIREITOS HUMANOS
2) FORMA: Aprovação pelo RITO DE APROVAÇÃO das EC´S (2 votações em cada Casa, com 3/5)

* Portanto, os tratados podem ter:
STATUS SUPRA LEGAL >> Art. 5º §2º (rito simplificado)
STATUS DE EC >> Decorre do art. 5º §3º (rito complexo)
 Este tipo de tratado pode alterar a CF, acrescentando novos direitos. Se uma lei afrontar esse tratado, essa lei poderá ser declarada inconstitucional

* Todos os tratados sobre DIREITOS HUMANOS têm STATUS DE EC?
Não. Para isso, o tratado tem que ser aprovado no rito das EC´s. E como vou saber se ele vai ser aprovado com status de EC ou supralegal?
Terei que ver como foi a discussão e votação no CN:
Se foi aprovado no RITO SIMPLES (1 só turno em cada Casa, com no mínimo maioria simples), terá STATUS SUPRALEGAL
Se foi aprovado no RITO DAS EC´S, terá STATUS DE EC.

Quem escolhe se um tratado vai ter status supralegal ou de EC?
Entende-se que um dos legitimados à apresentação de PEC pode requerer que a discussão e votação do tratado se submeta ao rito das EC´s. Se ninguém requerer, segue o rito normal.

1.5. HISTORICIDADE ou GENERATIVIDADE
- Significa que os direitos fundamentais foram nascendo ao longo da história. A cada momento de nascimento de uma família de direitos corresponde uma geração

	1ª GERAÇÃO
	2ª GERAÇÃO
	3ª GERAÇÃO

	- Nasceu no séc. XVIII >> Concepção de ESTADO LIBERAL

	- Final do séc. XIX e início do séc. XX >> Concepção de ESTADO SOCIAL

	- Nasceu depois da 2ª Guerra

	- Consagrado pelas Constituições dos EUA (1787) e Francesa (1791)

	- Consagrados nas Constituições Mexicana e de Weimar

	- Marco: Declaração Universal dos Direitos do Homem da ONU (década de 40)

	- Consagra as LIBERDADES NEGATIVAS porque aqui o indivíduo exige do Estado um COMPORTAMENTO NEGATIVO
- São chamados pela doutrina de DIREITOS DE DEFESA CONTRA O ESTADO
	- Consagra as LIBERDADES POSITIVAS pois o indivíduo exige do Estado uma PRESTAÇÃO

	- Concretiza os DIREITOS DOS POVOS

	- São os DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS:
a) DIREITOS DE GARANTIA, que são as liberdades públicas, de cunho individualista: a liberdade de ir e vir, de propriedade, de expressão e de pensamento, etc.
b)DIREITOS INDIVIDUAIS EXERCIDOS COLETIVAMENTE: liberdades de associação: formação de partidos, sindicatos, direito de greve, por exemplo.

	- São os DIREITOS SOCIAIS, ECONÔMICOS E CULTURAIS:
direito ao bem estar social, direito ao trabalho, à saúde, à educação, etc

	- São direitos de titularidade coletiva:
a) no plano internacional: direito ao desenvolvimento e a uma nova ordem econômica mundial, direito ao patrimônio comum da humanidade, direito à paz, direito à autodeterminação
b) no plano interno: interesses coletivos e difusos, como, por exemplo, o direito ao meio-ambiente.

a) DIREITOS DE 1ª GERAÇÃO

b) DIREITOS DE 2ª GERAÇÃO

c) DIREITOS DE 3ª GERAÇÃO

* Veja que cada geração consagra um valor da Revolução Francesa:
1ª geração: LIBERDADE
2ª geração: IGUALDADE
3ª geração: FRATERMIDADE

d) 4ª GERAÇÃO
- Direito ÀS NOVAS TECNOLOGIAS (internet, fertilização in vitro)
e) 5ª GERAÇÃO
- Direito à PAZ SOCIAL (= BEM ESTAR SOCIAL). Não é a paz da 3ª geração (= como ausência de guerra).

1.6. CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS

a) RELATIVIDADE

Colisão entre direitos fundamentais
Colisão entre direitos fundamentais e o interesse público (primário)
A ponderação ou balanceamento
O princípio da proporcionalidade

b) IRRENUNCIABILIDADE
 O caso dos “anões” na França
 A indisponibilidade do direito de ser tratado com dignidade

c) INDIVISIBILIDADE

d) IMPRESCRITIBILIDADE

e) UNIVERSALIDADE

 O princípio da proibição do retrocesso social (efeito “cliquet”)

1.7. ESPÉCIES de DIREITOS FUNDAMENTAIS

a) Direitos individuais e coletivos
b) Direitos sociais
c) Direitos de nacionalidade
d) Direitos políticos
 Partidos políticos

1.8. TITULARIDADE dos DIREITOS FUNDAMENTAIS
a) Brasileiros e estrangeiros
- Residentes e não residentes

b) Pessoas físicas e jurídicas
A compatibilidade com a personalidade
As pessoas jurídicas de direito público
As pessoas jurídicas como titulares

 Súmula 227 do STJ: “A pessoa jurídica pode sofrer dano moral”
 Súmula 365 do STF: “Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação popular.”

1.9. DIREITOS FUNDAMENTAIS EXPRESSOS E IMPLÍCITOS (art. 5º, §2º, CF):
 Sistema aberto de direitos e garantias

O papel da jurisprudência construtiva
Os primeiros direitos fundamentais a se apresentarem no panorama ocidental foram os direitos individuais, daí serem conhecidos como direitos de primeira geração ou primeira dimensão de direitos, compreendidos como aqueles inerentes ao homem e oponíveis ao Estado (sujeitos a prestações negativas), a saber: o direito a liberdade (especificamente as liberdades civis e políticas) Ou seja, são direitos de resistência ou de oposição perante o Estado Liberal. Seu surgimento jurídico data de fins do século XVIII, quando das declarações de direitos dos Estados Unidos, em 1776: Declaração de Virgínia, Declaração de Pensilvânia e a Declaração de Maryland, seguida das nove emendas da Constituição de 1787. E na Revolução Francesa de 1789, da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, tendo como principal base teórica e filosófica o Contrato Social de Rousseau e as concepções jusnaturalistas. A partir daí estes direitos ganharam a característica da universalidade e generalização.
Os próximos direitos a se apresentarem no cenário constitucional foram os direitos sociais, daí serem conhecidos como direitos de segunda geração ou segunda dimensão de direitos, com a instalação do Estado do Bem Estar Social ao término da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), quando “a concepção liberal-burguesa do homem abstrato e artificial foi substituída (na verdade somada) pelo conceito do homem em sua concretude histórica, socializando-se então os direitos humanos” 14, dominando o século XX, da mesma forma que os direitos de primeira geração dominaram o século XIX. O Estado deixa de apenas se abster (prestação negativa) como também tem o dever de atuar em outros momentos a fim de que sejam assegurados aqueles direitos sociais, culturais, econômicos e coletivos (prestação positiva) como habitação, moradia, alimentação, segurança social, além de que o direito de propriedade adquire restrições para atender a sua função social. Na pós-Segunda Guerra (1939-1945) ocorre a internacionalização dos direitos humanos, com a assinatura de tratados internacionais dando proteção a espécie humana como: Declaração Universal dos Direitos do Homem (Paris, 1948); Pactos Internacionais de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais e de Direitos Cívicos e Políticos (em vigor desde 1976) e Convenção Americana de Direitos do Homem (conhecida como Pacto de San José da Costa Rica, assinado pelos Estados americanos em 1969). No Brasil, este Pacto só foi celebrado após o advento da atual CF/88.
14 Kildare Gonçalves Carvalho - Direito Constitucional Didático - Del Rey, Belo Horizonte, 1996, p.186.
Ainda foram introduzidos os direitos de terceira geração (como o direito ao desenvolvimento, à paz, ao meio-ambiente equilibrado, à comunicação e ao patrimônio comum da humanidade)