Princípios e direitos fundamentais
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Princípios e direitos fundamentais

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e os de quarta geração (como o direito à democracia, à informação e ao pluralismo). O fato é que todas essas gerações de direitos interagem-se entre si, complementam-se, não significando, portanto, que o surgimento de uma exclua as precedentes.
Cabe lembrar que novas gerações (ou dimensões) de direitos vêm sendo reconhecidas ao longo da histórias, tais como as de 5ª, etc.

I. DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS (art. 5)

a) Deveres individuais e coletivos
“Por deveres, em sentido genérico, deve-se entender as situações jurídicas de necessidade ou de restrições de comportamento impostas pela Constituição às pessoas” 15. Ainda que não apareçam de forma explícita e expressa, pode-se concluir pela sua conexão aos direitos, decorrendo destes “na medida em que cada titular dos direitos individuais tem o dever de reconhecer e respeitar igual direito do outro”. A imposição desses deveres tem como destinatários todos, especialmente o Poder Público e seus agentes.

b) Direitos individuais e coletivos
Convém lembrar que os direitos individuais e coletivos, apesar de guardarem na Constituição um capítulo próprio, encontram-se espalhados por toda ela. Neste tópico busca-se estudar apenas aqueles expressamente incursos no domínio do art. 5º, por razões puramente didáticas.
Quanto aos destinatários há divergência doutrinária: a parte majoritária prefere compreender a expressão “estrangeiros residentes no Brasil” (caput do art. 5º) no sentido de que a Constituição assegura esses direitos (igualdade, liberdade, vida, propriedade e segurança) a todos que estejam em território brasileiro, residentes ou não (portanto, também os turistas e aqueles em trânsito) porque tendo caráter universal “deles serão destinatários todos os que se encontrem sob a tutela da ordem jurídica brasileira, pouco importando se são nacionais ou estrangeiros” 17 (deve-se utilizar este primeiro posicionamento para fins de concurso público, já que é o entendimento do Supremo Tribunal Federal); outra parte da doutrina, neste caso minoritária, prefere o entendimento de que se estrangeiro não é residente, mas esteja de passagem pelo país terá com certeza essa proteção, mas por norma infraconstitucional18.
Vale lembrar que aos brasileiros serão assegurados esses direito, independentemente de se encontrarem em território nacional ou não.
Quanto aos direitos coletivos, apenas as liberdades de reunião e de associação (art. 5º, incisos XVI a XX), o direito de entidade associativa de representar seus filiados (art. 5º, inciso XXI) e os direitos de receber informações de interesse coletivo (art. 5º, inciso XXXIII) e de petição (art. 5º, inciso XXXIV, alínea a) são considerados direitos coletivos dentre todos aqueles previstos no art. 5º da Constituição Federal. “Alguns deles não são propriamente direitos coletivos, mas direitos individuais de expressão coletiva, como as liberdades de reunião e associação” 19, enquanto outros dão motivo a classificação “porque conferidos não em função de interesse individual, mas da coletividade, específica ou genérica”20.

Direito à vida: diz respeito ao direito à existência física e moral, incluindo em seu conceito o direito à privacidade, o direito à integridade físico-corporal, o direito à integridade moral e o direito à existência. Em consequência, a pena de morte é proibida no território brasileiro em tempo de paz, podendo ser excepcionada apenas em tempo de guerra declarada (art. 5º, inciso XLVII, alínea a e art. 84, inciso XIV) e não em mero estado de beligerância. Além disso, a adesão ao Pacto de San José da Costa Rica estabelece essa obrigação convencional de não adoção da pena de morte no país, impedindo inclusive a extradição quando a pena cominada for à de morte. Outras cláusulas constitucionais do art. 5º que podem ser citadas, exemplificativamente, são aquelas dos incisos III e XLIII (no que diz respeito à tortura), V, X e XLIX.

Direito à privacidade: este direito integra o direito anterior, porque não expresso explicitamente no caput do art. 5º, mas de forma reflexa. O seu corolário manifesta-se no inciso X do art. 5º: proteção à intimidade (esfera secreta da vida do indivíduo na qual este tem o poder legal de evitar os demais21, abrangendo a inviolabilidade do domicílio (5º, inciso XI), o sigilo de correspondência (5º, inciso XII) e o segredo profissional (5º, inciso XIV), à vida privada (conjunto de modo de ser e viver, como direito de o indivíduo sua própria vida, a vida interior que se debruça sobre a mesma pessoa, sobre os membros de sua família, sobre seus amigos, protegendo, portanto o segredo da vida privada e a liberdade da vida privada22), à honra (conjunto de qualidades que caracterizam a dignidade da pessoa, o respeito dos concidadãos, o bom nome, a reputação23) e à imagem (aspecto físico, perceptível visivelmente24). A violação a qualquer destes direitos poderá conduzir à indenização. Além disso, a Constituição buscou resguardar esses direitos com o remédio protetor do Habeas Data (art. 5º, inciso LXXII).

Direito à igualdade: não se busca igualizar as desigualdades naturais ou físicas, pois estas são fonte da riqueza humana da sociedade plural. O que se busca é igualizar a desigualdade moral ou política, fruto de convenções, ou seja, a igualdade jurídica, que será “satisfeita se o legislador tratar de maneira igual os iguais e de maneira desigual os desiguais” 25. Assim o caput do art. 5º estabelece o princípio da isonomia (igualdade jurídica) não só formal (perante a lei), mas também material (observando as desigualdades e impedindo quaisquer discriminações). Cláusulas constitucionais do art. 5º que podem ser citadas, exemplificativamente, são aquelas dos incisos I (admitindo-se apenas as discriminações feitas pela própria CF), XXXV(garantia da acessibilidade à justiça: igualdade de ordem formal) e LXXIV (garantia da acessibilidade à justiça: igualdade de ordem material), XXXVII (princípio da igualdade da Justiça), LIII (princípio do juiz natural), LV (princípio do contraditório e da ampla defesa do acusado), LIV (princípio do devido processo legal).

Direito à liberdade: São várias as formas de liberdade que a CF busca dar conta, porém existe aquela liberdade primeira que serve de base, de matriz para todas as demais que é a liberdade de ação em geral, a liberdade geral de atuar26: a liberdade de ação prevista no art. 5º, inciso II (princípio da legalidade). Portanto, diversamente da atuação dos agentes públicos, a sociedade civil tem como regra a liberdade de agir, só podendo ser excepcionada e condicionada quando a lei (lei no sentido formal e material: no primeiro caso, por exemplo, a lei constitucional ou infraconstitucional elaborada pelo Congresso Nacional, de acordo com o procedimento exigido pela Constituição Federal, no segundo caso, por exemplo, medida provisória) assim exigir. A partir daí pode-se identificar as liberdades: liberdade de locomoção (art. 5º, inciso XV e tem como remédio garantidor o Habeas Corpus - art. 5º, inciso LXVIII), liberdade de manifestação do pensamento e de opinião (art. 5º, incisos IV e VIII, incluindo-se aí a liberdade de escusa de consciência e a liberdade religiosa), liberdade de comunicação (art. 5º, incisos IV e IX, incluindo-se aí a criação, expressão e manifestação por meios de comunicação), liberdade de exercício profissional (art. 5º, inciso XIII), liberdade de informação jornalística (art.5º, inciso XIV).

Direito à propriedade: previsto no art. 5º, inciso XXII, é relativizado em razão do inciso seguinte que, eliminando o seu caráter exclusivo e ilimitado, impõe uma restrição matriz: atender ao interesse da sociedade (função social da propriedade) e estabelecendo a seguir aquelas restrições (art. 5º, inciso XXIV, XXV, XXVI e XXIX (neste caso tratando de uma propriedade imaterial: o direito do autor)). São essas limitações espécies de “restrições” porque retiram o caráter absoluto do direito de propriedade, como as servidões e outras formas de utilização da propriedade alheia que limitam o caráter exclusivo; e a desapropriação