Sociologia J. - Anotação (9)
10 pág.

Sociologia J. - Anotação (9)

Disciplina:Sociologia Jurídica E Judiciária1.407 materiais13.020 seguidores
Pré-visualização3 páginas
esse critério, há dois tipos: os atos vinculados e os atos discricionários.

Atos vinculados: costuma-se dizer que neles a lei predetermina a decisão a ser tomada no caso concreto,

sendo que o agente administrativo apenas aplica a norma, numa atividade meramente mecânica. Ex.: a

emissão de uma certidão, o lançamento de um tributo são atos vinculados

Atos discricionários: aqui a lei deixa ao agente uma margem de escolha, para que ele adote a solução mais

adequada ao interesse público. Isso porque o legislador, ao editar a lei, não tem o poder de prever todas as

situações possíveis e editar todas as normas apropriadas aos casos concretos. Por exemplo: a decisão a ser

tomada pelo Prefeito, entre construir um hospital ou uma creche no bairro.

Essa margem de escolha costuma ser denominada de mérito do ato, e que compreende as razões de

conveniência e oportunidade que embasam a decisão adotada. Somente os atos discricionários, portanto,

possuem mérito, nesse sentido de que falamos.

Extinção do ato administrativo.

Com a extinção, cessam os do ato administrativo e ele deixa de existir no mundo jurídico.

Pode-se dizer que esta extinção tanto pode ser "natural" como provocada.

São "causas naturais" de morte do ato jurídico:

Hipóteses de extinção natural do ato administrativo

a) Cumprimento de seus efeitos, compreendendo:

a.1) Esgotamento do prazo;

a.2) Execução material do ato;

a.3) Implemento de condição resolutiva ou termo final.

b) Desaparecimento do sujeito da relação jurídica.

c) Desaparecimento do objeto da relação jurídica.

O ato administrativo também pode se extinto pela edição de outro ato administrativo que o desfaça, como se

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

www.r2direito.com.br

05

pode ver abaixo:

Hipóteses de extinção provocada por meio de outro ato jurídico:

a) Por ato jurídico de particular, em que temos:

a.1) A renúncia;

a.2) A recusa.

b) Por outro ato jurídico da Administração. São espécies:

b.1) A invalidação;

b.2) A revogação;

b.3) A cassação;

c) A caducidade.(advento de nova legislação, contrária ao ato)

d) Por ato judicial (invalidação judicial)

Interessa-nos especialmente os casos em que a extinção é provocada pela Administração, por se tratar de

atos administrativos que incidem sobre outros atos administrativos, retirando-os do mundo jurídico.

Esses atos são exercidos com base no poder de autotutela da Administração, que já estudamos na aula

relacionada aos princípios.

A invalidação

Para CELSO ANTONIO BANDEIRA DE MELLO, a invalidação também chamada anulação "é a supressão,

com efeito retroativo, de um ato administrativo ou da relação jurídica dele nascida, por haverem sido

produzidos em desconformidade com a ordem jurídica".

Ao invalidar, isto é, ao anular seus atos, a Administração Pública exerce um dever de reparar, consertar a

ordem jurídica violada. Em razão do dever de zelar pela legalidade, a invalidação dos atos pela

Administração pode e deve ser realizada ex officio, isto é, sem a necessidade de provocação, por iniciativa

da própria Administração.

Porém, quando a invalidação puder prejudicar direitos de terceiros, é necessário que ao administrado seja

permitida a defesa de seus interesses, respeitando-se as garantias constitucionais do devido processo legal,

da ampla defesa e do contraditório vide art. 5º, incisos LIV e LV da CF/88.

Porém, nem todo vício do ato administrativo leva à invalidação, pois pode haver a possibilidade de

convalidação do ato, que adiante estudaremos.

A revogação

A revogação é o desfazimento do ato administrativo, com a finalidade de realizar uma nova escolha, mais

adequada ao interesse público, substituindo o ato por outro mais apropriado ou simplesmente fazendo

cessar os seus efeitos em definitivo.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

www.r2direito.com.br

06

Portanto, que o ato de revogação é um ato discricionário, isto é, baseado numa escolha do administrador,

que decidirá sobre a conveniência e a oportunidade de manter aquele ato anterior ou revogá-lo.

Justamente por se tratar de uma atividade discricionária, apenas a Administração pode revogar os seus atos,

não sendo permitido ao Poder Judiciário desfazê-los dessa forma. Ao Poder Judiciário cabe, quando

provocado, invalidar o ato que apresente vício. Revogar é prerrogativa da própria Administração.

No tocante aos efeitos que produz, a revogação também é diferente da invalidação, pois, o ato revocatório

somente pode cessar os efeitos do ato revogado no momento atual ou posterior à sua edição. Ou seja, os

seus efeitos operam ex nunc (isto é, não retroativos). E é lógico que seja assim, pois o ato que foi revogado

era plenamente lícito, válido, não havendo motivo para negar os efeitos que ele já produziu.

Vamos agora observar o seguinte esquema, que compara invalidação e revogação, de maneira a gravarmos

bem suas diferenças:

A cassação

A cassação é diferente tanto da invalidação quanto da revogação, pois ela é causada por uma atitude do

próprio administrado. Ela é uma sanção aplicada ao administrado, beneficiado por um ato administrativo,

em razão do descumprimento de deveres jurídicos a ele impostos como condição para o gozo desses

benefícios. Ex.: a cassação da habilitação para dirigir, em razão do excesso de infrações cometidas pelo

condutor.

Com relação à cassação, não se pode classificá-la como ato vinculado ou discricionário, visto que isso

dependerá do que a lei dispõe a respeito, podendo estabelecê-la como um dever ou uma escolha do agente

administrativo.

E a cassação retroage? Isso também depende do que a lei estabelecer. Mas, como regra geral, devem

permanecer os efeitos ocorridos até o momento em que ocorreu a violação do dever pelo administrado, pois

somente nesse momento ocorreu a violação daquela condição imposta a ele para gozar dos efeitos

benéficos do ato administrativo.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

www.r2direito.com.br

INVALIDAÇÃO REVOGAÇÃO

Causa: vício do ato Causa: realização de nova escolha, mais

adequada ao interesse público

É ato vinculado: há dever de invalidar É ato discricionário: há escolha em revogar

O Judiciário pode invalidar O Judiciário não pode revogar

Opera efeitos retroativos (ex tunc) Opera efeitos não retroativos (ex nunc)

07

Convalidação do ato administrativo

Como já vimos, quando está diante de um vício em um ato seu, a Administração se vê diante de duas

possibilidades: ou invalida, anula o ato, porque isso é necessário; ou, convalida o ato, se isso for possível. A

convalidação, portanto, é um ato que corrige os vícios do ato anterior, atuando de forma retroativa.

Porém, para que possa ocorrer a invalidação, é necessário que o vício do ato a ser convalidado seja sanável,

isto é, de possível correção.

Consideram-se sanáveis, em tese, os vícios relativos ao elementos sujeito (competência) e forma. Porém

somente a análise do caso concreto é que permitirá