Sociologia J. - Anotação (9)
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Sociologia J. - Anotação (9)

Disciplina:Sociologia Jurídica E Judiciária1.406 materiais13.008 seguidores
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verificar se o vício em questão é sujeito à correção.

No que tange aos defeitos relativos à competência do sujeito, eles podem ser sanados, desde que o ato

possa ser ratificado, isto é, confirmado pelo órgão competente para a produção do ato. O exemplo mais

conhecido é o da prática de atos por funcionário de fato, que desde que não tenham outros vícios, podem ser

ratificados pela autoridade competente. Também podem ser ratificados os atos praticados indevidamente

pelo subordinado, mas que possam ser confirmados pelo superior hierárquico, a quem caberia praticá-lo.

Por outro lado não pode haver a convalidação de um ato praticado por uma autoridade de competência

absolutamente distinta. Assim, por exemplo, uma autorização para garimpo, concedida por um funcionário

municipal jamais poderá ser ratificada, pois essa autorização somente poderia ser dada pelo órgão federal,

em razão do que dispõe a Constituição Federal sobre essa competência. Da mesma forma, os atos

praticados por particular em usurpação de função pública jamais serão sanáveis.

Quanto à forma, cabe lembrar que ela é de natureza instrumental. Se o vício formal não afetar a própria

existência do ato e tampouco interferir na certeza e na segurança jurídica em relação ao seu conteúdo ou nas

garantias dos administrados, não há vantagem em promover a invalidação desse ato.

Por último, é importante observar que a Lei nº 9.784/99 (Lei Federal de Procedimentos Administrativos art.

11) estabelece como condição da convalidação a inexistência de lesão ao interesse público e a não

ocorrência de prejuízos a terceiros. Portanto, se ocorrerem tais circunstâncias, a Administração estará

impedida de convalidar o ato, devendo, portanto, invalidá-lo, anulá-lo.

CONTROLE JURISDICIONAL DO ATO ADMINISTRATIVO

Em nosso sistema constitucional, vigora o princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional. Isto é toda

lesão ou ameaça a direito está sujeita a controle por parte do Judiciário art. 5º, Inciso XXXV da CF/88.

Porém, há que se fazer uma distinção: com relação aos atos vinculados, isto é, aqueles produzidos como

mera aplicação de um comando legal, esse controle é pleno, ilimitado. Já com relação ao ato em que haja

um aspecto discricionário, onde a lei permitiu ao agente público realizar uma escolha, se costuma dizer que

a decisão judicial não poderá questionar o mérito do ato, isto é, essa margem de escolha que a lei ofereceu

ao agente.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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Isso não quer dizer que o uso da discricionariedade estará fora de controle. Caberá ao Poder Judiciário aferir

se o agente público respeitou os limites que lhe são impostos pela própria finalidade legal e tendo em vista a

situação concreta que lhe é apresentada. Para isso, o ato será analisado sob a luz dos princípios da

moralidade, da razoabilidade e da proporcionalidade, entre outros já explicados em nossa aula sobre os

princípios.

Além disso, o julgador poderá entender presente o desvio de finalidade, apurando, por meio de indícios, que

o agente fez sua escolha baseada em um interesse de caráter pessoal, visando beneficiar-se daquele ato ou

prejudicar algum inimigo, etc.

Poderá ainda se utilizar da teoria dos motivos determinantes: por essa teoria, ao motivar o ato, o agente

vincula sua decisão aos motivos expostos. Assim, se for provado que esses motivos eram falsos ou

inexistentes, a decisão será anulada.

Resumindo: há instrumentos jurídicos que permitem evitar o abuso da discricionariedade, isto é, a

extrapolação daquela margem de liberdade conferida pela lei ao agente público. Porém, dentro dessa

margem, isto é, sobre o mérito do ato discricionário, não pode o juiz se manifestar, sob pena de invadir a

competência da Administração, ingressando indevidamente na função administrativa ou governamental,

que não é a função que o juiz está exercendo ao proferir uma sentença.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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