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artigos têxteis. Portanto, seu produto de 20 horas não tinha mais valor
do que aquele que antes elaborava em 10.

Se, então, a quantidade de trabalho socialmente necessário, ma-
terializado nas mercadorias, é o que determina o valor de troca destas,
ao crescer a quantidade de trabalho exigível para produzir uma mer-
cadoria aumenta necessariamente o seu valor e vice-versa, diminuindo
aquela, baixa este.

Se as respectivas quantidades de trabalho necessário para pro-
duzir as respectivas mercadorias permanecessem constantes, seriam
também constantes seus valores relativos. Porém, assim não sucede.
A quantidade de trabalho necessário para produzir uma mercadoria
varia constantemente, ao variarem as forças produtivas do trabalho
aplicado. Quanto maiores são as forças produtivas do trabalho, mais
produtos se elaboram num tempo de trabalho dado; e quanto menores
são, menos se produzem na mesma unidade de tempo. Se, por exemplo,
ao crescer a população, se fizesse necessário cultivar terras menos fér-
teis, teríamos que inverter uma quantidade maior de trabalho para
obter a mesma produção, e isso faria subir, por conseguinte, o valor
dos produtos agrícolas. Por outro lado, se um só fiandeiro, com os
modernos meios de produção, ao fim do dia converte em fio mil vezes
mais algodão que antes fiava no mesmo espaço de tempo com auxílio
da roca, é evidente que, agora, cada libra de algodão absorverá mil
vezes menos trabalho de fiação que dantes e, por conseqüência, o valor
que o processo de fiação incorpora em cada libra de algodão será mil
vezes menor. E na mesma proporção baixará o valor do fio.

À parte as diferenças nas energias naturais e na destreza ad-
quirida para o trabalho entre os diversos povos, as forças produtivas
do trabalho dependerão, principalmente:

1 — Das condições naturais do trabalho: fertilidade do solo, ri-
queza das jazidas minerais, etc.

2 — Do aperfeiçoamento progressivo das forças sociais do trabalho
por efeito da produção em grande escala, da concentração do capital, da
combinação do trabalho, da divisão do trabalho, maquinaria, melhoria
dos métodos, aplicação dos meios químicos e de outras forças naturais,
redução do tempo e do espaço graças aos meios de comunicação e de
transporte, e todos os demais inventos pelos quais mais a ciência obriga
as forças naturais a servir ao trabalho, e pelos quais desenvolve o caráter
social ou cooperativo do trabalho. Quanto maior é a força produtiva do
trabalho, menos trabalho se inverte numa dada quantidade de produtos
e, portanto, menor é o valor desses produtos. Quanto menores são as
forças produtivas do trabalho, mais trabalho se emprega na mesma quan-
tidade de produtos e, por conseqüência, maior é o seu valor. Podemos,
então, estabelecer como lei geral o seguinte:

Os valores das mercadorias estão na razão direta do tempo de

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