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Disciplina:GEOGRAFIA ECONÔMICA1.053 materiais9.193 seguidores
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diversas os podem manter erguidos muito acima desse ponto e,
por vezes, precipitá-los um pouco abaixo. Quaisquer, porém, que
sejam os obstáculos que os impeçam de se deter nesse centro de
repouso e estabilidade, eles tendem continuamente para lá”.22

Não posso agora esmiuçar esse assunto. Basta dizer que, se a
oferta e a procura se equilibram, os preços das mercadorias no mercado
corresponderão a seus preços naturais, isto é, a seus valores, os quais
se determinam pelas respectivas quantidades de trabalho necessário
para a sua produção. Mas a oferta e a procura devem constantemente
tender para o equilíbrio, embora só o alcancem compensando uma flu-
tuação com a outra, uma alta com uma baixa e vice-versa. Se, em vez
de considerar somente as flutuações diárias, analisardes o movimento
dos preços do mercado durante um espaço de tempo bastante longo,
como o fez, por exemplo, o sr. Tooke, na sua História dos Preços, des-
cobrireis que as flutuações dos preços no mercado, seus desvios dos
valores, suas altas e baixas, se compensam umas com as outras e se
neutralizam de tal maneira que, postas à margem a influência exercida
pelos monopólios e algumas outras restrições que aqui temos de passar
por alto, vemos que todas as espécies de mercadorias se vendem, em
termo médio, pelos seus respectivos valores ou preços naturais. Os
períodos médios de tempo, durante os quais se compensam entre si
as flutuações dos preços no mercado, diferem segundo as distintas es-
pécies de mercadorias, porque numas é mais fácil que em outras adaptar
a oferta à procura.

Se, então, falando de um modo geral e abarcando períodos de
tempo bastante longos, todas as espécies de mercadorias se vendem
pelos seus respectivos valores, é absurdo supor que o lucro — não em
casos isolados, mas o lucro constante e normal das diversas indústrias
— brota de uma majoração dos preços das mercadorias, ou do fato de
que se vendam por um preço que exceda consideravelmente o seu valor.
O absurdo dessa idéia evidencia-se desde que a generalizamos. O que
alguém ganhasse constantemente como vendedor, haveria de perder
constantemente como comprador. De nada serve dizer que há pessoas
que compram sem vender, consumidores que não são produtores. O
que estes pagassem ao produtor, teriam antes de recebê-lo dele grátis.
Se uma pessoa recebe o vosso dinheiro e logo vo-lo devolve compran-
do-vos as vossas mercadorias, por esse caminho nunca enriquecereis
por mais caro que vendais. Essa espécie de negócios poderá reduzir
uma perda, mas jamais contribuir para realizar um lucro. Portanto,
para explicar o caráter geral do lucro não tereis outro remédio senão
partir do teorema de que as mercadorias se vendem, em média, pelos
seus verdadeiros valores e que os lucros se obtêm vendendo as merca-

MARX

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22 SMITH, Adam. The Wealth of Nations. Nova York, 1931. t. I. cap. 7, p. 57. (N. do T.)