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Filosofia e Ética
Aula 3
Prof. Luiz Cláudio Deulefeu
Rio de Janeiro, 30 de abril de 2011

Nessa nossa terceira aula teletransmitida da disciplina de Filosofia e Ética vamos juntos estudar o caráter histórico e social da moral

Aula 3

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Sejam bem vindos a nossa terceira aula tele transmitida da disciplina de Filosofia e Ética, estaremos juntos no decorrer dos seus estudos, aproveitem e desejo a todos sucesso.

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 Podemos constatar que a moral possui um caráter histórico e social, isso quer dizer que ela, a moral, vai variar conforme as diferentes épocas e conforme as diferentes sociedades nas quais ocorre como fenômeno. Assim sendo quando uma época e uma sociedade se deparam com uma mudança estrutural da vida social, essa mudança provoca então uma mudança dos valores que regem a conduta moral. 

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 Como cada indivíduo ao inserir-se na vida social guia sua conduta por princípios morais, cada indivíduo se submete a esses princípios que se expressam por meio de valores ou normas morais. Os indivíduos não possuem a capacidade, de sozinhos, transformarem os princípios morais, nem tampouco os valores ou normas morais sem contar com a adesão de outros indivíduos.

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O fenômeno normativo moral é possuidor de caráter histórico e social, somente nesse ambiente ocorrem as permanências e as transformações dos códigos morais. É, portanto, por conta da sujeição do indivíduo ao fenômeno moral que as normas elaboradas pela comunidade se manifestam com clareza comprovando o caráter social e histórico da moral.

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Uma conduta humana sempre acarreta uma avaliação social que vai variar conforme a época e a sociedade na qual ocorre. A conduta humana moral está sempre sujeita a aprovação ou a reprovação dos demais membros do grupo social, pois são atos que possuem impacto sobre os demais membros do grupo social.

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A moral tem uma função social que se baseia na ordenação regulada das relações entre os homens com o intuito de sustentar ou transformar uma determinada ordem social, preservando a sociedade, bem como a integridade de um grupo social. 

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A moral faz com que os indivíduos se mantenham harmonizados em suas condutas através da conjugação dos seus interesses pessoais com os interesses da coletividade. O fenômeno moral tem caráter histórico e social, já que os indivíduos se submetem aos princípios, normas ou valores, que foram socialmente estabelecidos e que normatizam aquelas condutas e que podem acarretar conseqüências para os demais membros do corpo social.

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Da mesma forma as transformações do fenômeno moral suscitam necessariamente a adesão de demais membros do corpo social aquela nova conduta proposta para que essa nova conduta possa ser estabelecida como uma conduta aprovada socialmente pelos demais, formatando assim novos princípios, valores ou interesses morais que passam a ser considerados como legítimos.

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Utilizaremos como exemplo as transformações morais ocorridas na passagem do paradigma do modelo feudal para o paradigma do modelo capitalista e as conseqüentes transformações que ocorreram nos códigos morais de uma época pra a outra.

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Processo histórico é o conjunto de transformações que ocorrem na vida humana desde o início de sua existência. Dá-se através do relacionamento que os homens mantêm entre si e com a natureza, através do qual ocorrem as transformações qualitativas e quantitativas.

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As transformações qualitativas envolvem o aparecimento de condições inteiramente diferentes das anteriores; são mudanças essenciais na vida humana, que se refletem imediatamente na totalidade do corpo social.

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Vídeo sobre a transição do feudalismo para o capitalismo
http://www.youtube.com/watch?v=KeUrLxLIqQk

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O mundo feudal estava profundamente marcado pela hegemonia e pelo controle eclesiástico que influenciava as relações sociais, os valores culturais e as formas de exercício dos poderes políticos. A crise da estrutura político-administrativa romana entre os séculos III e IV engendrou um sistema de poder descentralizado, com a soberania pulverizada em múltiplas esferas de governo.

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Nesse caso, as idéias morais medievais estão impregnadas e reproduzirão concepções marcadamente religiosas, sendo que as origens e os fundamentos do poder respondem a uma ordem e hierarquia de representação divina. Assim, o pensamento político greco-romano antigo por seu imaginário naturalístico, cívico e cósmico distingue-se da transcendência, espiritualidade e ortodoxia do pensamento moral medieval.

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Durante a Idade Média, na Europa Ocidental os cristãos vivenciavam uma concepção comum de mundo: as formas de saber e de verdade estavam expostas no Novo Testamento, nas Escrituras Sagradas e nos ensinamentos dos Padres da Igreja. Tanto a filosofia política quanto as outras áreas da cultura e do conhecimento científico estavam sob o controle e sob a ingerência da teologia oficial e das doutrinas da Igreja Romana.

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A defesa da supremacia do poder espiritual e da autoridade eclesiástica sobre a laica proclamada por doutores, canonistas e Padres da Igreja, na Idade Média, desencadeará a emergência de doutrinas morais que justificavam a hegemonia do poder religioso sobre o poder civil.

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A Europa entre os séculos XI e XIV, se vê permeada de acontecimentos que mudam a forma de pensar e de viver da sociedade. A crise e o declínio do feudalismo, o surgimento de novas ordens religiosas, a reforma e o cisma da Igreja católica, dentre outros acontecimentos, fazem parte do contexto de mudanças que surgem.

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A Europa, a partir do século XV, passa por profundas transformações no seu modo de vida, recaindo essa mudança nas instituições e no modo de pensar da sociedade. Novas cidades vão surgindo, do desenvolvimento dos burgos, e passam a conhecer um desenvolvimento econômico e social, devido ao aumento da atividade mercantil, representada pelas rotas comerciais e pelo surgimento de corporações.

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Neste contexto de desenvolvimento comercial, surgem conflitos onde o sistema feudal é duramente abalado, e vê-se de forma inconteste em decadência frente a força do chamado capitalismo mercantil que emerge da prática comercial cada vez mais robusta. A passagem do Feudalismo para o Capitalismo é marcada por diversos fatos.

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O sistema feudal estava passando por alguns problemas e o sistema capitalista se aproximava cada vez mais, isso aconteceu no período da passagem do período Medieval para o Moderno. Os burgueses eram ex-servos que viviam nos campos e passaram a fazer parte da vida nas cidades e do mercado.

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Nesse momento a burguesia queria se desvincular do clero. Em toda a Europa ocidental os burgueses estavam cada vez mais independentes e com o comércio crescendo cada vez mais. A reabertura do mar Mediterrâneo , o renascimento urbano e comercial, o nascimento dos Estados Nacionais, o contexto cultural-religioso marcado pelo renascimento e reforma protestante, são acontecimentos que integram este momento de transformações.

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Nessa passagem do Feudalismo para o Capitalismo, ocorreram todas essas mudanças na economia, na igreja, nas cidades etc, e principalmente no homem, tornando- o mais crítico e menos teocentrista. Com esse exemplo vemos que a moral possui, em sua essência, uma qualidade social.

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A Moral manifesta-se somente na sociedade, respondendo às suas necessidades e cumprindo uma função determinada. Uma mudança radical da estrutura social provoca uma mudança fundamental de moral. A moral possui um caráter social. Cada indivíduo, comportando-se moralmente, se sujeita a determinados princípios, valores ou normas morais, sendo que o indivíduo não pode inventar os princípios ou normas nem modificá-los por exigência pessoal.

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O normativo é algo estabelecido e aceito por determinado meio social. Na sujeição do indivíduo a normas estabelecidas pela comunidade se manifesta claramente o caráter social da moral. O comportamento moral é tanto comportamento de indivíduos