pascal_pensamentos
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Disciplina:FILOSOFIA E ÉTICA1.161 materiais34.446 seguidores
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sairá da família de Judá (Gênese, XLIX, 8 e
seguintes), e de Davi (II Reis, VII, 12 e seguintes; Isaias, VII, 13 e seguintes); aparecerá principalmente
em Jerusalém (Malaquias, V, 1; Ageu, II, 10);

Ele deve cegar os sábios e os doutos (Isaias, VI, 10), e anunciar o Evangelho aos pobres e aos
pequenos (Isaias, LXI, 1); abrir os olhos dos cegos e dar saúde aos enfermos (Isaias, XXV, 5 e 6), e
levar à luz os que languecem nas trevas (Isaias, XLII, 16);

Deve ensinar a via perfeita (Isaias, XXX, 21), e ser o preceptor dos gentios (Isaias, LV, 4);

Deve ser a vítima pelos pecados do mundo (Isaias, LIII, 5);

Deve ser a pedra fundamental e preciosa (Isaias, XXVIII, 16); -

Deve ser a pedra de toque e de escândalo (Isaias, VIII, 14); Jerusalém deve chocar-se contra
essa pedra (Isaias, VIII, 15);

Os edificantes (21) devem reprovar essa pedra (Salmo CXVIII, 22);

Deus deve fazer dessa pedra o chefe do canto(22)(ibidem);

É essa pedra deve crescer numa montanha imensa e encher toda a terra (Daniel, II, 35);

Que assim deve ser repelido (Salmo CXVII, 22), desconhecido (Isaias, LIII, 2 e 3), traído
(Salmo XL, 10), vendido (Zacarias, XI, 12), cuspido, esbofeteado (Isaias, L, 6), escarnecido (Isaias,
XXXIV, 16), afligido de uma infinidade de maneiras (Salmo LXVIII, 27), embebido de fel (Salmo
LXVIII, 22); (que ele teria) os pés e as mãos trespassados (Salmos, XXI, 17); que seria morto (Daniel,
IX, 26) e os seus hábitos jogados ao acaso (Salmo XXI, 19);

Que ressuscitaria no terceiro dia (Salmo XV, 10; Oséias, VI, 3);

Que subiria ao céu (Salmo XLVI, e LXVII,19)para sentar-se à direita (de Deus) (Salmo CIX,
1);

Que os reis se armariam contra ele (Salmo II, 2);

Que, estando à direita do Pai, seria vitorioso dos seus inimigos (Salmo CIX, 5);

Que os reis da terra e todos os povos o adorariam (Salmo LXXI, 11);

Que os judeus subsistirão em nação (Jeremias, III, 36);

Que serão errantes (Amós, IX, 9), sem reis, sem sacrifícios, sem altar, etc. (Oséias, III, 4), sem
profetas (Salmo LXXIII, 9), esperando a salvação e não a encontrando (Isaias, LIX, 9; Jeremias, VIII,
15).

III

Só o Messias devia produzir um grande povo, eleito, santo e escolhido; conduzi-lo, nutri-lo,
introduzi-lo no lugar de repouso e de santidade, torná-lo santo em Deus, fazer dele o templo de Deus,
reconciliá-lo em Deus, livrá-lo da servidão, do pecado, que reina visivelmente no homem; dar leis a
esse povo, gravar essas leis no seu coração, oferecer-se a Deus por eles, sacrificar-se por eles, ser uma
hóstia sem mancha, e ele próprio sacrificador; devendo oferecer ele próprio seu corpo e seu sangue, e
entretanto oferecer pão e vinho a Deus. (Jesus Cristo fez tudo isso).

(Foi predito) que ele devia vir como libertador, que esmagaria a cabeça do demônio; que devia
livrar seu povo dos seus pecados, ex omnibus iniquitastibus (23) (Salmo CXXX, 8); que devia haver
um Novo Testamento que seria eterno; que devia haver um outro sacerdócio segundo a ordem de

Melquisedec; que este seria eterno; que o Cristo devia ser glorioso, potente, forte e, todavia, tão
miserável que não seria reconhecido; que não seria tomado pelo que é; que seria repelido, que seria
morto; que o seu povo, que o renegaria, não seria mais seu povo; que os idólatras o receberiam e
recorreriam a ele; que ele deixaria Sião para reinar no centro da Idolatria; que, todavia, os Judeus
subsistiriam sempre; que ele devia ser de Judá, e quando não houvesse mais rei.

IV

Considere-se que, desde o começo do mundo, a espera ou adoração do Messias subsiste sem
interrupção; (que ele foi prometido ao primeiro homem logo depois de sua queda) ;que se acharam
homens que disseram que Deus lhes revelara que devia nascer um Redentor que salvaria seu povo; que
Abraão veio em seguida dizer que tinha tido revelação de que ele nasceria dele por um filho que teria;
que Jacó declarou que, dos seus doze filhos, ele nasceria de Judá; que Moisés e os profetas vieram em
seguida declarar o tempo e a maneira de sua vinda; que disseram que a lei que tinham era apenas para
esperar a do Messias; que até então ela seria perpétua, mas que a outra duraria eternamente; que assim,
sua lei e a do Messias, da qual era ela a promessa, existiram sempre sobre a terra; que, de fato, ela
sempre durou; que, enfim, Jesus Cristo veio em todas as circunstâncias preditas. Isso é admirável.

Se isso fora tão claramente predito aos judeus, (dir-se-á), como é que eles não acreditaram? ou
como foram eles exterminados porque resistiram a uma coisa tão clara? Respondo: Isso fora predito, e
não só que eles não acreditariam numa coisa tão clara, mas também que não seriam exterminados. E
nada é mais glorioso no Messias; com efeito, não bastava que houvesse profetas, era preciso que as
suas profecias fossem conservadas sem suspeita. Ora, etc.

V

Os profetas misturaram profecias particulares com as do Messias, afim de que as profecias do
Messias não fossem sem prova, e que as profecias particulares não fossem sem fruto.

Non habemus regem nisi Caesarem (24), (diziam os judeus) (João, XIX, 15). Portanto, Jesus
Cristo era o Messias, de vez que eles não tinham mais rei senão um estrangeiro e que não queriam
outro.

As setenta semanas de Daniel são equívocas pelo termo do começo, por causa dos termos da
profecia; e pelo termo do fim, por causa das diversidades dos cronologistas. Mas, toda essa diferença
não vai além de duzentos anos (25).

(As profecias que representam Jesus Cristo pobre o representam também senhor das nações
(Isaias, LIII, 2 e seguintes; Zacarias, IX, 9 e 10).

(As profecias que predizem o tempo não o predizem senão senhor dos gentios e sofrendo, e não
nas nuvens, nem juiz; e as que o representam assim julgando as nações e glorioso, não marcam o
tempo.)

(Quando ele falou do Messias como grande e glorioso, é visível que é para julgar o mundo e
não para redimi-lo (Isaias, LXVI, 15, 16).

ARTIGO XI

DIVERSAS PROVAS DE JESUS CRISTO

I

Os apóstolos foram enganados ou enganadores. Um ou outro é difícil. Com efeito, não é
possível pegar um homem para ser ressuscitado; e a hipótese dos apóstolos trapaceiros é bem absurda.
Sigamo-la até ao fim; imaginemos esses doze homens reunidos depois da morte de Jesus Cristo,
fazendo a conspiração de dizer que ele ressuscitou. Eles atacam com isso todas as potências. O coração
dos homens é estranhamente inclinado à leviandade, à mudança, às promessas, aos bens. Por pouco que
um deles fosse desmentido por todos esses atrativos e, o que é mais, pelas prisões, pela tortura e pela
morte, eles estavam perdidos. Sigamos isso.

Enquanto Jesus Cristo estava com eles, podia sustentá-los. Mas, depois disso, se não lhes
apareceu, quem os fez agir?

II

O estilo do Evangelho é admirável de tantas maneiras, e, entre outras, não pondo nunca
nenhuma invectiva contra os carrascos e inimigos de Jesus Cristo. Com efeito, não há nenhuma dos
historiadores contra Judas, Pilatos, nem nenhum dos judeus.

Se essa modéstia dos historiadores evangélicos tivesse sido afetada, assim como tantos outros
traços de um belo caráter, e se a tivessem afetado somente para fazê-lo notar; se eles próprios não
tivessem ousado notá-lo, não teriam deixado de conseguir amigos que tivessem feito esses reparos em
seu proveito. Mas, como agiram dessa forma sem afetação e por um movimento todo desinteressado,
não o fizeram notar a ninguém; e creio que várias dessas coisas não foram notadas até aqui; e é o que
testemunha a frieza com a qual a coisa foi feita.

III

Jesus Cristo fez milagres, e os apóstolos em seguida, e os primeiros santos em grande número;
porque as profecias, não estando ainda realizadas e realizando-se por eles, nada testemunhavam senão
milagres. Estava predito que o Messias converteria as nações. Como se teria realizado essa profecia
sem a conversão das nações? E como as nações se teriam convertido ao Messias, não vendo este último
efeito das profecias que o provam? Antes, pois, de ter