pascal_pensamentos
121 pág.

pascal_pensamentos

Disciplina:FILOSOFIA E ÉTICA1.161 materiais34.434 seguidores
Pré-visualização43 páginas
sentimentos nos parecem. tão, distantes
dos outros, que dizemos serem os mesmos que aqueles aos quais nós os comparamos! O sentimento do
fogo, esse calor que nos afeta de maneira tão diversa da do tato, a recepção do som e da luz, tudo isso

nos parece misterioso, e, no entanto, é grosseiro como uma pedrada. É verdadeiro que a pequenez dos
espíritos que entram nos poros toca outros nervos; mas, são sempre nervos.

LXIX

A natureza se imita. Uma semente lançada em boa terra produz. Um princípio lançado num
bom espírito produz.

Os números imitam o espaço, que são de natureza tão diferente.

Tudo é feito e conduzido por um mesmo Senhor: a raiz, o ramo, os frutos, os princípios, as
conseqüências.

LXX

A natureza age por progressos: itus et reditus (95). Passa e volta; depois, vai mais longe; depois,
duas vezes menos; depois, mais do que nunca, etc.

A natureza do homem não é ir sempre; tem suas idas e vindas.

A febre tem seus tremores e seus ardores, e o frio mostra tão bem a grandeza do ardor da febre
quanto o próprio calor.

LXXI

A admiração estraga tudo desde a infância. Oh! como isso está bem dito! como foi bem feito!
como é sábio! etc.

Caem na negligência os filhos de Port-Royal aos quais não se dá esse estimulo de inveja e, de
glória.

LXXII

Não nos sustentamos na virtude por nossa própria força, mas peio contrapeso de dois vícios
opostos, assim como ficamos de pé entre dois ventos contrários: tirai um desses vícios, e caímos no
outro.

LXXIII

Dizem eles que os eclipses pressagiam desgraças, porque as desgraças são comuns; de sorte que
acontece tão freqüentemente o mal, que muitas vezes eles adivinham; ao passo que, se dissessem que
pressagiam felicidade, mentiriam freqüentemente. Não atribuem a felicidade senão a raros acidentes do
céu; assim, deixam pouco freqüentemente de adivinhar.

LXXIV

Não é bom ser livre demais.

Não é bom ter todo o necessário.

Instinto e razão, marca de duas naturezas.

NOTAS

(1) É esse o título da edição de Port-Royal, 1670; a de Condorcet traz: DA NECESSIDADE DE
SE OCUPAR COM AS PROVAS DA EXISTÊNCIA DE UMA VIDA FUTURA; a edição de Bossut,
1779: NECESSiDADE DE ESTUDAR A RELIGIÃO; e a de ,Faugère, 1844: PREFÁCIO GERAL.

(2) "Deus absconso".

(3) Esse artigo tem, na edição de 1779, este titulo: COMO É DIFÍCIL DEMONSTRAR A
EXISTÊNCIA DE DEUS PELAS LUZES NATURAIS, MAS COMO O MAIS SEGURO É CRER
NELA; e, no volume de Cousin e na edição de Faugère, o seguinte: INFINITO, NADA. O título da
presente edição é o da de 1670.

(4) Ou, segundo a edição de Port-Royal: "Não há tão grande desproporção entre a unidade e o
infinito como entre a nossa justiça e a de Deus."

(5) "Dissera Montaigne antes de Pascal: "Precisamos embrutecer para tornarmo-nos sábios." E
São Paulo: Nemo se seducat: si quis videtur inter vos sapiens esse in hoc sceculo, stultus fiat ut sit
sapiens; sapientia enim hujus mundi stultitia est apud Deum. (Epist. ad Corinth., III, 19). — "Ninguém
se iluda: se alguém, dentre vós, julga ser sábio neste século, faça-se louco para ser sábio; porque a
sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus. (Epístola aos Coríntios, III, 19)."Em Pascal como em
São Paulo, embrutecer não deve ser tomado à letra, mas na profundeza do sentido cristão: é uma dessas
palavras que a verdadeira filosofia aceita e defende contra as declamaç6es de uma filosofia superficial
e contra os excessos de uma devoção abusiva". — Nota de Faugère.

(6). "Na verdade, tu és Deus absconso."

(7) A tradução literal é: "Esperei a tua salvação, Senhor." (Gênese, XLIX, 18).

(8) "Porque o louco é de Deus, o sábio é dos homens."

(9) "Inclina o meu coração, oh Deus, ao teu testemunho."

(10) É o seguinte o título desse artigo na edição de 1779: DOS JUDEUS, CONSIDERADOS
EM RELAÇÃO COM A NOSSA RELIGIÃO; e o da de Faugére: DO POVO JUDEU.

(11) 0 autor tem em vista as palavras de Cristo aos judeus: "Abraão, vosso pai, desejou
ardentemente ver o meu dia: e o viu, e ficou cheio de alegria." (João, VIII, 56). E mais: "...antes que
Abraão fosse, eu sou." (idem, 58).

(12) "Sela a lei entre os meus discípulos."

(13) "Em lugar da negação absoluta, o autor pode ter dito: Não o foi tão claramente; com efeito,
os três tempos e meio de Daniel (Daniel, VII, 25, e XII, 7) e os quarenta e dois meses de São João
(Apocalipse, XI, 2, e XIII, 5) parecem levar a isso, segundo os teólogos. Mas, que significam esses
tempos e esses meses? É o que a Escritura não diz. Jesus Cristo anuncia também os sinais que
precederão o fim do mundo, e acrescenta: Quando virdes todas essas coisas, sabei que o Filho do
homem está perto (Mateus, XXIV, 33; Marcos, XIII, 29; Lucas, XXI, 31)." — Nota da edição de 1787.

(14) "Tatearás ao meio-dia. O livro será dado ao que, conhecendo as letras, disser: Não posso
ler.!

(15) "Senta-te à minha direita."

(16) "Luz para revelação dos gentios."

(17) "Não fez assim com todas as nações."

(18) "Fez de outro modo com todas as nações."

(19) "Derramei o meu espírito sobre toda carne."

(20) "Um povo descrente e contraditor."

(21) De edificantes, isto é, os que trabalhavam na edificação do templo,

(22) Isto é, a esquina, o ângulo que deve reunir os dois povos, o judeu e o gentio, na adoração
de um mesmo deus.

(23) "De todas as iniqüidades."

(24) "Não temos um rei, a não ser César."

(25) "De vinte anos", teria querido dizer Pascal, sendo de supor um lapso gráfico de sua parte,
escrevendo 200, isto é, um zero a mais, em lugar de 20.

(26) "Com o teu gládio potentíssimo."

(27) "Em santificação e em escândalo."

(28) Entre os hebreus, do mesmo modo que entre os gregos, cada letra do alfabeto tem um valor
numérico.

(29) "Rasgai os vossos corações."

(30) "Disse também Deus ao pecador".

(31) Na edição de Faugère, uma parte desse artigo tem este titulo: PREFÁCIO DA SEGUNDA
PARTE.

(32) Esse trecho tem a seguinte variante na edição de 1670: "A maior parte dos que
empreendem provar a divindade aos ímpios começam de ordinário pelas obras da natureza."

(33) "Ninguém conhece o pai a não ser o filho, e aquele a quem o filho quiser revelá-lo."

(34) V. a nota 6.

(35) "Os que conhecerem por curiosidade esquecerão por soberba."

(36) Do manuscrito só consta uma parte desse parágrafo, que aparece completo, porém, na
edição de 1670 e na História da Abadia de Port-Royal, 1752, tomo IV, págs. 468-470.

(37) "Sabemos que com Deus vieste, oh mestre; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu
fazes, se Deus não estiver com ele."

(38) O dia de sábado, que, segundo a lei de Moisés, deve ser consagrado ao repouso.

(39) "Por isso que não receberam a caridade da verdade para que fossem salvos, de forma que
Deus lhes envia a operação do erro para que creiam na mentira."

(40) Refere-se Pascal às religiosas de Port-Royal.

(41) Isto é, no calvinismo.

(42) "Vê se há em mim algum caminho de iniquidade."

(43) Possível alusão ao padre Annat,

(44) "Este homem não é de Deus, pois não guarda o sábado."

(45) "Como pode um homem pecador fazer tais sinais?"

(46) "Vós que elaborais leis iníquas."

(47) "As minhas delícias estão com os filhos dos homens." (48). V, a nota 19.

(48) V. a nota 19.

(49) "Sois deuses, etc."

(50) "Toda carne é feno".

(51) "0 homem comparou-se às bestas incipientes e fez-se semelhante a elas".

(52) "Disse eu no meu coração, dos meus filhos, que Deus os provará e mostrará serem
semelhantes às bestas".

(53) "Com amargosos."

(54) "E não entres em juízo",

(55) "Desejo de sentir, desejo de saber, desejo de dominar".

(56) "Os maus colóquios corrompem os bons costumes.".

(57) "Para que não se torne vã a cruz de Cristo".

(58) "O que adere a Deus é o espírito".

(59) Idem.

(60) Dos jesuítas.

(61) "Todos".

(62) "Bebei todos disto"

(63) "Em que todos pecarão".

(64) "Mau fingimento".

(65) "Debaixo de ti estará o teu apetite".

(66) Que a cruz não seja vã".

(67) "A fascinação