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Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2011;16(1):92-8

a importância da correção da DVF na infância, período de
crescimento e maior plasticidade do sistema sensório-motor,
favorecendo o desenvolvimento de uma função velofaríngea
normal na fala e evitando problemas psicossociais. O pre-
sente estudo revelou que não houve mudança significativa na
presença de articulações compensatórias antes e após as duas
técnicas cirúrgicas, comprovando que a cirurgia para a DVF
não tem a função de eliminar esses distúrbios, mas promover
condições anatomofuncionais que favoreçam sua eliminação
com a fonoterapia. Os dois casos em que houve a presença de
articulação compensatória somente após as cirurgias podem ser
explicados pela não identificação do distúrbio antes da cirurgia
pela fonoaudióloga, ou pela hipernasalidade e fraca pressão,
que teriam dificultado a identificação da articulação compen-
satória, que ficou evidenciada após a melhora da ressonância.

Analisando a presença de emissão de ar nasal detectável na
placa de inox, foram encontrados neste estudo valores eleva-
dos após as duas técnicas cirúrgicas, pois esse sinal pode ser
encontrado em pequenas falhas no fechamento velofaríngeo e
na presença de ressonância de fala aceitável. Isto explicaria a
presença elevada de emissão de ar nasal com bons resultados
na ressonância da fala.

O padrão de fechamento velofaríngeo é um fator determi-
nante na indicação da técnica cirúrgica para correção da DVF,
uma vez que o tamanho da falha e o grau de deslocamento
das estruturas da velofaringe indicarão qual o procedimento
mais adequado.

A literatura aponta que a técnica de retalho faríngeo pode
ser indicada em falhas grandes no fechamento e padrões de
tentativa de fechamento do tipo circular ou sagital, pois em
ambos existe movimento das paredes laterais da faringe, con-
dição importante para o fechamento dos orifícios laterais ao
retalho faríngeo(10,11,15,16). No presente estudo, foi constatado

que os indivíduos submetidos à técnica de retalho faríngeo
apresentaram melhora significativa no padrão velofaríngeo,
com consequente diminuição da hipernasalidade. Assim como
na literatura, a população retratada neste estudo apresentou
90% de pacientes com falhas médias a grandes no fechamento
antes da técnica de retalho faríngeo, enquanto 57% do grupo
com veloplastia intravelar apresentou os mesmos tamanhos
de falha. Entre os pacientes que apresentaram falhas médias
e grandes antes da veloplastia, foi verificado que apenas 16%
apresentaram fechamento velofaríngeo total, enquanto que os
90% submetidos ao retalho faríngeo apresentaram fechamento
total em 39% dos casos.

Pode-se inferir que os resultados poderiam ter sido me-
lhores no grupo com veloplastia, caso não fossem incluídos
pacientes com falhas maiores no fechamento. Alguns estudos
mostraram que as técnicas de veloplastia intravelar apresen-
tam melhores resultados em pacientes com falhas menores
no fechamento(20,22).

Dessa forma, baseados nos dados obtidos, acredita-se que
a definição da conduta cirúrgica para os casos com falhas mé-
dias e grandes no fechamento deve considerar o procedimento
cirúrgico que oclua mais efetivamente a velofaringe, como o
retalho faríngeo, aumentando as chances de correção da DVF.

CONCLUSÃO

Os resultados obtidos no presente estudo permitem con-
cluir que a técnica de retalho faríngeo promoveu uma melhora
significativa na ressonância da fala e na função velofaríngea
quando comparada à técnica de veloplastia intravelar. As duas
técnicas cirúrgicas não diferiram em relação à emissão de ar
nasal e articulações compensatórias.

ABSTRACT

Purpose: To compare speech and velopharyngeal function after pharyngeal flap and intravelar veloplasty techniques for the correction
of residual velopharyngeal dysfunction. Methods: It was carried out a retrospective study analyzing 148 cases of cleft lip and palate
operated and submitted to velopharyngeal dysfunction surgical correction, 77 with pharyngeal flap (mean age: 20.4 years) and 71
with intravelar veloplasty (mean age: 16.2 years). Speech resonance, presence of compensatory articulations, nasal air emission,
and velopharyngeal gap size were assessed before and after the use of both techniques. Results: Sixty four (83%) of the 77 cases
submitted to pharyngeal flap presented resonance improvement, while 48 (68%) of the 71 cases with intravelar veloplasty improved,
with significant difference between the groups. Six (8%) subjects with pharyngeal flap, and two (3%) with intravelar veloplasty
showed improvement in compensatory articulations, while nasal air emission improved in 17 (22%) cases with pharyngeal flap, and
18 (26%) with intravelar veloplasty. No significant differences were found between the groups regarding compensatory articulations
and nasal air emission. The velopharyngeal gap size reduced in 75 (96%) cases with pharyngeal flap, and 46 (66%) with intravelar
veloplasty, with a significant difference between the groups. Conclusion: The pharyngeal flap technique was more effective in im-
proving resonance and velopharyngeal closure, when compared to intravelar veloplasty.

Keywords: Cleft lip/surgery; Cleft palate/surgery; Velopharyngeal insufficiency/therapy; Speech disorders; Palate/surgery

98 Mituuti CY, Bento-Gonçalves CGA, Piazentin-Penna SHA, Brandão GR, Mituuti CT

Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2011;16(1):92-8

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