Captulo 1
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Captulo 1


DisciplinaContabilidade Social e Balanço de Pagamentos139 materiais1.368 seguidores
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ao contrário, indica exatamente a situação oposta. Evidentemente, do ponto de vista do país e da sociedade como um todo, é sempre preferível a primeira à segunda situação.\ufffd
Para terminar este capítulo, apresentamos a seguir o cálculo do produto da economia brasileira (PIB) no ano de 2007 segundo as três óticas aqui estudadas. Não nos preocupemos, por enquanto, em entender cada um dos agregados que aí aparecem, tampouco qual é o exato significado da sigla PIB. Trata-se aqui do cálculo efetivamente elaborado (pela Fundação IBGE) para uma economia real (a economia brasileira), num ano real (2007). 
Uma economia real, em primeiro lugar, tem governo (e, portanto, gastos públicos e tributos, dentre outras coisas). Em segundo lugar, ela não é fechada, ou seja, apresenta transações com outros países (como exportação e importação, por exemplo). Em terceiro lugar, existe toda uma gama de elementos intermediários que se interpõem entre as categorias básicas até aqui estudadas. Assim, por exemplo, entre o salário e o lucro, ou seja, entre os trabalhadores assalariados e os donos de empresas, existem as categorias dos profissionais liberais, daqueles que trabalham por conta própria, dos aposentados, dentre outras, cujas remunerações não se enquadram adequadamente em nenhuma dessas duas categorias básicas de rendimento. 
Todas essas operações e variáveis serão devidamente explicadas no momento adequado. A intenção, aqui, é apenas ilustrar, com um exemplo, a apuração do produto (que, para nós, por enquanto, pode ser entendido como sinônimo de PIB) de uma economia de verdade, bem como a existência das três óticas possíveis para sua mensuração. De qualquer forma, os elementos até aqui apontados são já suficientes para que se perceba, por detrás dos detalhes, as estruturas básicas de cada uma das três óticas. 
	Tabela 1.2
Produto da economia brasileira (PIB) segundo as três óticas \u2013 2007
	Ótica do produto
	R$ milhões
	Ótica do Dispêndio
	R$ milhões
	Ótica da Renda
	R$ milhões
	Valor Bruto da Produção
	4.628.740
	Consumo Final
	2.133.194
	Remuneração de empregados
	1.099.903
	Impostos sobre produtos
	374.744
	Formação Bruta de Capital Fixo
	487.761
	Excedente Operacional Bruto*
	1.155.630
	(-) Subsídios a produtos
	(-) 1.258
	Exportação de bens e serviços
	355.672
	Impostos sobre a produção
	411.629
	(-) Consumo intermediário
	(-) 2.340.882
	(-) Importação de bens e serviços
	(-) 315.283
	(-) Subsídios à produção
	(-) 5.818
	PIB
	2.661.344
	PIB
	2.661.344
	PIB
	2.661.344
Fonte: Fundação IBGE \u2013 Sistema de Contas Nacionais
*inclui Rendimento Misto Bruto (rendimento de autônomos). 
Resumo
Os principais pontos vistos neste capítulo foram:
É a Teoria Geral de Keynes (1936) que confere contornos definitivos aos conceitos fundamentais da contabilidade social, bem como é a partir dela que são reveladas a existência de identidades no nível macro e a relação entre os diferentes agregados.
O princípio das partidas dobradas, que conforma logicamente o sistema de contas nacionais, reza que, a um lançamento a débito, deve sempre corresponder um outro de mesmo valor a crédito. O equilíbrio interno refere-se à exigência de igualdade entre o valor do débito e o do crédito em cada uma das contas, enquanto o equilíbrio externo implica a necessidade de equilíbrio entre todas as contas do sistema.
O que se convencionou chamar \u201ccontabilidade social\u201d não se reduz ao sistema de contas nacionais, mas inclui outras peças-chave como o balanço de pagamentos, as contas do sistema monetário e os indicadores sociais, como distribuição de renda e índice de desenvolvimento humano.
No sistema econômico em que vivemos, tudo pode ser avaliado monetariamente. Assim, a imensa gama de diferentes bens e serviços que uma economia é capaz de produzir pode ser transformada numa coisa de mesma substância, ou seja, dinheiro. É isso que torna possível a mensuração dos agregados como o produto nacional e a renda nacional.
Uma das noções fundamentais da contabilidade social é a de identidade (por exemplo, produto \uf0ba renda \uf0ba dispêndio ou poupança \uf0ba investimento). Mas não se pode esquecer que uma identidade contábil A \uf0ba B não implica nenhuma relação de causa e efeito da variável A para a variável B ou vice-versa.
Para se chegar ao produto agregado da economia é preciso deduzir, do valor bruto da produção, o valor do consumo intermediário.
Todo bem que, por sua natureza, é um bem final, deve ter seu valor considerado no cálculo do valor do produto, mas nem todo bem cujo valor entra no cálculo do produto é um bem final por natureza.\u200b
A ótica da despesa ou do dispêndio avalia o produto de uma economia considerando a soma dos valores de todos os bens e serviços produzidos no período que não foram destruídos, ou absorvidos como insumos, na produção de outros bens e serviços.
Pela ótica do produto, a avaliação do produto total da economia consiste na consideração do valor efetivamente adicionado pelo processo de produção em cada unidade produtiva.
Pela ótica da renda, podemos avaliar o produto gerado pela economia num determinado período de tempo considerando o montante total\u200b das remunerações pagas a todos os fatores de produção nesse período.
A identidade produto \uf0ba dispêndio \uf0ba renda significa que, se quisermos avaliar o produto de uma economia num determinado período, podemos somar o valor de todos os bens finais produzidos \u2014 ótica do dispêndio \u2014 ou, alternativamente, somar os valores adicionados em cada unidade produtiva \u2014 ótica do produto \u2014 ou, ainda, somar as remunerações pagas a todos os fatores de produção \u2014 ótica da renda.
Como produtores, os membros da sociedade se organizam em conjuntos aos quais se dá o nome de unidades produtivas ou empresas; na condição de consumidores eles são membros de conjuntos de outra natureza, aos quais denominamos famílias.
Além de desempenhar o papel de consumidores, as famílias detêm também a condição de proprietárias dos fatores de produção e é nessa condição que elas garantem seu acesso aos bens e serviços produzidos.
Na sociedade em que vivemos e que é, no aspecto material, inteiramente organizada\u200b pela troca, a ótica do produto considera a atividade dos indivíduos como produtores, ou seja, a atividade das unidades produtivas ou empresas. Já a ótica do dispêndio (ou do gasto, ou da demanda) refere-se a sua atuação como consumidores, ou seja, como famílias. Finalmente, a ótica da renda analisa os indivíduos em sua condição de proprietários de fatores de produção. As transações ocorrem entre famílias e empresas e envolvem fluxos reciprocamente determinados de bens e serviços concretos, por um lado, e de dinheiro, por outro.
O fluxo circular da renda deixa bem claro que o que de fato circula é o dinheiro: o dinheiro que remunera os fatores de produção é o mesmo que reverte às empresas na compra dos bens e serviços finais. Isso não acontece com os demais bens. Os fatores de produção fazem uma única viagem: das famílias às empresas; os bens e serviços finais também fazem uma única viagem: das empresas às famílias.
Questões para revisão
Por que razão torna-se possível mensurar e agregar a infinidade de diferentes bens e serviços que uma economia é capaz de produzir?
Como devem ser entendidas as identidades macroeconômicas e qual é a relação que existe entre troca e identidade contábil?
Qual é a diferença entre valor bruto da produção e produto?
Considerando a ótica do dispêndio, como se deve definir um bem final?
De que forma se avalia o produto agregado da economia quando utilizamos a ótica do produto?
Por que a soma das remunerações pagas aos diversos fatores de produção pode ser um caminho para a avaliação do produto da economia? De que ótica estamos falando?
Por que o produto, a renda e o dispêndio agregados conformam uma identidade?
Além de consumidores, em que outra condição as famílias aparecem no jogo da reprodução material da sociedade? Quais as conseqüências disso?
Por que, numa sociedade organizada materialmente pela troca, a relação entre famílias e empresas produz aquilo que chamamos