Caderno de FIlosofia e Ética
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Caderno de FIlosofia e Ética


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antropológico-social (pautada pela Antropologia Social, ciência que estuda a organização 
e estrutura sociais);
d) jurídica (confrontada com o Direito, ciência que estuda o sistema de normas que regula 
as relações sociais); e) econômico-política (vinculada à Economia Política, ciência que estuda as 
relações de produção).
Cabo Frio, 4 de outubro de 2011.
Aula 3 - O caráter histórico e social da moral 
Tentando sobreviver, o ser humano supera a sua natureza natural, instintiva, transformando-a em 
uma dimensão social. Para que a vida em sociedade seja possível, são estabelecidas regras que 
organizam as diversas relações humanas. Sem princípios, normas ou regras que criam o 
mundo moral, torna-se inimaginável a existência de qualquer povo ou cultura. 
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JULIO CESAR DE SOUZA
(Continuação do Caderno de Filosofia e Ética.................................................................................)
Se a moral constituída regula o que os homens realizam socialmente, o seu significado, função 
e validade variam historicamente nas diferentes sociedades. 
O comportamento moral muda de acordo com o tempo e lugar, conforme as condições pelas 
quais diferentes sociedades foram se organizando ao longo da história. E o desenvolvimento 
dessa organização depende de uma mudança da realidade, dirigida por finalidades 
conscientes: o trabalho humano. Por ele, o homem transforma a natureza, aprendendo a 
conhecê-la e adaptando-a às suas necessidades. Ele favorece a convivência, desenvolve 
habilidades, levando os seres humanos a conhecerem as próprias forças e limitações. 
Trabalho
Escola
Negócio
O Trabalho na Idade Mèdia - Na Idade Média, período de mais ou menos mil anos, 
comprendido entre o final da Idade antiga (ocorrido nos séculos III-IV), com destaque para o ano 
de 476, em que o Império Romano do Ocidente encontra seu final oficial, e os séculos XIII-XIV 
(Renascimento), a arte mecânica ainda é considerada inferior. Nela impera um regime de 
servidão, organizado sob relações de dependências e vassalagens. 
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JULIO CESAR DE SOUZA
(Continuação do Caderno de Filosofia e Ética.................................................................................)
Riqueza, religião e ética 
O Papel da Igreja - E é em torno desse aspecto que compreendemos o papel da Igreja. Ela 
tornou-se a maior proprietária de terras no período feudal. Através de doações de fiéis, incluindo 
nobres e reis, ela passou a possuir quase a metade de todas as terras da Europa Ocidental. Bispos 
e abades detinham os mesmos privilégios que condes e duques na estrutura feudal.
Poder e Riquesa - No início do feudalismo, a Igreja assumiu um papel tanto dinâmico, ao 
preservar muito da cultura romana, quanto progressista, pois incentivou a educação, ajudou 
pobres, desamparados e doentes. Enquanto os nobres dividiam suas propriedades, atraindo mais 
simpatizantes, a Igreja tornava-se mais rica, de tal modo que suas posses tenderam a superar a 
sua função espiritual. Segundo alguns historiadores, ela não realizou tudo o que sua riqueza 
permitia. Ao mesmo tempo que suplicava ajuda dos que possuíam mais dinheiro, economizava 
dos seus próprios recursos. 
Religião e Ética - O clero e a nobreza ocupavam o lugar de classes governantes, controlando as 
terras e o poder que daí provinha, prestando proteção militar. A Igreja fornecia auxílio espiritual. 
Ela se aproveitava do fato da religião garantir ao longo do período feudal uma certa unidade 
social, pois a política dela dependia como instituição que defendia a religião, exercendo forte 
poder espiritual e centralizando integralmente a vida intelectual. Justo sob essas circunstâncias, 
podemos entender de que modo a moral concreta, efetiva ou ética, permanece impregnada \u201cde 
um conteúdo religioso que encontramos em todas as manifestações da vida medieval\u201d 
(SÁNCHEZ VÁZQUEZ:2002,275-276).
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JULIO CESAR DE SOUZA
(Continuação do Caderno de Filosofia e Ética.................................................................................)
Ainda sobre o sistema fabril
Sob o sistema fabril, em que a máquina e o capital desalojam das mãos do trabalhador sua 
importância e habilidade, encontramos um segundo exemplo para caracterizar a relação moral-
história. Transformações de peso na vida social e econômica, como o desenvolvimento das 
técnicas, da experimentação e a ampliação dos mercados, estão na base de seu surgimento. 
Os instrumentos de produção passam a ser comprados pelo capital acumulado, obrigando os 
mestres artesãos e os ajudantes a venderem sua força de trabalho em troca de um salário para 
sobreviver. Com o aumento da produção, o que é produzido deixa de pertencer aos trabalhadores, 
sendo oferecido como mercadoria pelo burguês que retém um valor não-remunerado: mais-valia 
ou lucro. Nessas condições, surge a classe econômica dos trabalhadores assalariados ou 
proletariado. 
Aula 4: A estrutura do ato moral 
Orientação da moral 
Quando uma criança joga o lixo no chão e é repreendida pelos pais, dizemos que os pais estão 
educando-a; mais propriamente, dizemos que os pais estão ensinando o que é certo ou errado a se 
fazer. A aceitação de exigências e prescrições ocorre pela consciência que discerne o valor moral 
de nossos atos. Herdando valores universais sobre o certo e o errado (Bem/Mal) recebidos pela 
tradição e agregando juízos e avaliações estabelecidos ao longo da história humana, ela nos 
permite reconhecer dois grandes planos que orientam a moral. Vejamos como Sánchez 
Vázques os estrutura: 
\u201co normativo, constituído pelas normas ou regras de ação e pelos imperativos que enunciam algo 
que deve ser; b) o fatual, ou plano dos atos morais, constituído por certos atos humanos que se 
realizam efetivamente, isto é, que são independentemente de como pensemos que deveriam ser\u201d 
(SÁNCHEZ VÁZQUEZ:2002,63). 
No segundo plano, o fatual, encontramos ações concretas: a solidariedade de um amigo por 
outro, a denúncia de uma traição. Neste último plano, não teríamos apenas atos que podem ser 
postos em relação positiva com uma norma. 
Como vimos na primeira aula, o não cumprimento de uma promessa, ocultar a traição de alguém 
conhecido ou omitir informações são comportamentos que violam normas, tendo valores 
negativos, mas não deixam de pertencer à reflexão ética. 
E é esta valoração positiva e negativa, orientando e justificando nossas decisões em situações 
como a da estratégia do Tylenol (exemplo de comportamento ético), que nos permite 
compreender a apresentação dos diversos elementos que compõem os atos morais, de acordo 
com Sánchez Vázquez. 
Elementos dos atos morais: motivação 
Cintia é uma jovem que mora sozinha em um apartamento no centro da cidade. 
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JULIO CESAR DE SOUZA
(Continuação do Caderno de Filosofia e Ética.................................................................................)
Ela possui o hábito de fumar maconha, e costuma justificar esse ato como sendo uma \u201cválvula de 
escape\u201d, uma forma de relaxar. 
Milton é vizinho de Cintia. Segundo a visão de Milton, todo consumidor equivale a traficante, e 
deve ser tratado como tal. 
Como o cheiro da droga é sentido no corredor do prédio em que moram, Milton resolveu ligar 
para a polícia e denunciar Cintia como traficante de drogas. 
O ato de Milton produz efeito. A polícia foi ao prédio e prendeu Cintia em flagrante, já que ela 
possuía em sua residência uma quantidade considerável daquela droga, ainda que tivesse alegado 
aos policiais que era para consumo próprio. 
Quando denunciamos uma pessoa, por exemplo, podemos estar sendo movidos tanto pela busca 
sincera da verdade, quanto pelo engrandecimento de nossa ação pela comunidade. Um mesmo 
ato realiza-se segundo diversos motivos e, diversamente, o mesmo motivo pode gerar atos e 
finalidades diferentes. Mas, os motivos que induzem os homens a agirem de