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considerável, quanto a paciência daquele que comandava as nossas forças nesse ponto
foi a causa.

 Ao mesmo tempo o duque de Rohan favorecido com as principais influências dos Grisons, que
desejavam sua liberdade, entrou com felicidade no seu país, sem impedimento, apoderou-se da passagem
e dos postos mais importantes; e fortificou-os não obstante as oposições que a vizinhança do Milanês
facilitava aos espanhóis a levarem a termo comodamente.

 Os duques de Savóia e de Crequi que comandavam os exércitos de V. M. na Itália, tomaram um forte
no Milanês e construíram um outro no Pó, que foi perturbador espinho nos pés dos nossos inimigos.

 Em 1936, a covardia de três governadores das praças fronteiriças, tendo dado lugar aos espanhóis, a
que tomassem pé neste reino, adquirindo barato uma vantagem notável, não abateu a coragem de V. M.
Quando mesmo todos pareciam perdidos, V. M. colocou em seis semanas um tão poderoso exército em
pé de guerra, que de antemão se poderia prever a derrota inteira dos inimigos, se aqueles a quem V. M.
deu o comando o tivessem bem empregado. Seus defeitos obrigaram V. M. a tomar o comando; e Deus
lhe assistiu de tal sorte, que no mesmo ano foram retomadas à vista daqueles que haviam vencido essas
praças, porque delas V. M. se havia afastado, salvo a única que importava ao Estado.

 Sobrepujou V. M. nessa execução a muitos empecilhos que foram postos pelos mesmos auxiliares de
V. M., que cheios de ignorância ou de malícia, desaprovavam francamente um desígnio tão alto.

 Se o cerco de Dôle não foi um sucesso, a razão que obriga cada um a correr ao que mais importa foi a
única causa. V. M. providenciou forças com tanta mais prudência, quanto era mais importante retomar
Corbia do que tomar Dôle.

 Ao mesmo tempo Galas tendo entrado neste reino à cabeça das principais forças do império, às quais
o duque de Lorena se tinha juntado com a sua, ambos foram expulsos da Borgonha com a vergonha de
levantarem o cerco de São João de Laune, má praça; e o desgosto de perder uma parte de seus canhões, e
tão grande número de seus soldados, que de trinta mil homens com os quais eles entraram neste reino
saíram com menos de dez.

 O Tecino foi neste ano testemunha de uma ação não menos feliz na Itália, onde os nossos ganharam
um célebre e sangrento combate. E teve V. M. em Walteline vantagem tanto mais considerável, quanto
os inimigos tendo-se várias vezes resolvido ao combate com nossas tropas, para expulsá-las à força,
jamais conseguiram os seus desígnios; combaterem e serem batidos foi-lhes a mesma coisa sempre.

 Em 1637 V. M. tomou duas praças aos inimigos em Flandres, e foi retomada uma daquelas que no
ano precedente tinham sido entregues pela covardia dos governadores.

 Uma terceira situada no Luxemburgo foi tomada logo depois, e os inimigos sofreram tanto pela
entrada dos nossos exércitos no seu país quanto eles desejariam fazer V. M. sofrer pelo mesmo efeito.

 Se um terror pânico daquele que comandava as nossas forças em Walteline e a infidelidade de alguns
daqueles, para cuja liberdade V. M. moveu a campanha, fizeram perder por covardia e por traição

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conjuntas a vantagem que V. M. adquiriu pela força e pela razão, este ano foi felizmente coroado com a
retomada das ilhas de Santa Margarida e de Santo Honorato e pelo socorro de Leucare sitiado pelos
espanhóis.

 Pela primeira destas ações, dois mil e quinhentos franceses desceram em pleno dia numa ilha
guarnecida por outros tantos espanhóis e italianos; ilha fortificada por cinco fortes regulares, ligados por
linhas de comunicação, que as fechavam quase todas com um bom parapeito. Nossa gente desde que
desceu, entrou em combate, e depois de ter obrigado a maior parte a retirar-se para trás dos parapeitos,
em seis semanas forçaram-nos a ceder por tantos cercos quantos fortes havia; embora houvesse uma
fortaleza de cinco bastiões reais, como canhões e com tal guarnição e tudo que era necessário, que
parecia desafiar os nossos ataques. Pela segunda - um exército poderoso, tão bem entrincheirado, que não
havia senão uma frente de mil toesas pela qual pudesse ser abordado, frente tão bem fortificada que de
duzentos em duzentos passos havia fortes e redutos guarnecidos de canhões e de infantaria, foi atacado
de noite e forçado por um exército que por menos numeroso não deixou de vencer o adversário
inteiramente, depois de vários combates.

 Estas duas ações são tão extraordinárias que não se pode dizer que sejam efeito assinalado da coragem
dos homens, sem ajuntar que eram secundados pela providência e mão de Deus que combate
visivelmente por nós.

 Em 1638, embora o começo do ano fosse infeliz na Itália, Saint Omer, e em Fontarabia pela má sorte
dos exércitos e pela imprudência, covardia, ou malícia de alguns daqueles que comandavam os nossos, o
fim coroou a obra pela tomada de Brissac após um longo cerco, duas batalhas e diversos combates
tentados para socorrê-los.

 De resto não teve V. M. ciência do acontecimento mau relativo ao cerco de Saint Omer sem ir
imediatamente e em pessoa ao lugar onde parecia que se poderia temer desgraçados acontecimentos: V.
M. cortou o curso de desgraças dos seus exércitos, fazendo tomar e arrasar Renty, forte grandemente
incômodo na fronteira.

 Em seguida ao que o Castelet, a única praça que estava entre as mãos de inimigos, foi tomada a força
à sua vista, sem que eles ousassem opor-se aos efeitos das nossas armas.

 A batalha naval, na qual catorze galeras e quatro navios dunquerque todos retirados na enseada de
Gattary sob cinco baterias de terra, por não ousarem afrontar o mar diante de dezenove dos de V. M.,
foram todos queimados ou postos a pique, com perdas de quatro a cinco mil homens, de quinhentos
canhões e de uma grande quantidade de munições de guerra para socorro de Fontarabia, constitui um
bom contrapeso não das perdas que se teve em Saint Omer e Fontarabia que não foram grandes, mas da
vitória que falhou pela tomada de tais praças.

 Se se adicionar a tal vantagem aquela que V. M. teve antes quando os reais exércitos fizeram perder
aos inimigos no porto de Passagem catorze grandes navios, grande número de canhões, bandeiras e toda
a sorte de munições, achar-se-á que se os espanhóis julgam este ano favorável, eles se estimam felizes
quando a sua desgraça é menor do que o seu temor.

 Enfim, o combate das galeras pode ser considerado o mais célebre que se tenha dado no mar, onde

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quinze das de V. M. atacaram outras tantas dos espanhóis e as combateram com tal vantagem, que os
inimigos perderam quatro a cinco mil homens e seis galeras, entre as quais uma capitânia e duas
"patronas", não assinalando pouco uma ação tão gloriosa.

 Este combate, digo eu, fez ver que a prudência da real conduta não foi somente acompanhada de
felicidade; mas que a audácia daqueles que comandaram os exércitos de V. M. foi seguida.

 Várias coisas são notáveis nesta guerra.

 A primeira é: Que V. M. não entrou nela senão depois de ver a impossibilidade de evitá-la, e dela não
saiu senão no momento em que devia.

 Esta nota é tanto mais gloriosa a V. M. quanto, estando em paz, foi por várias vezes convidada pelos
aliados a tomar armas sem querer fazê-lo; e que, durante a guerra, seus inimigos lhe propuseram
constantemente uma paz particular, sem que tivesse nunca querido ouvir, porque não devia separar-se
dos interesses dos aliados.

 Aqueles que souberem que V. M. foi abandonada por diversos príncipes, que tinham aliança com ela,
sem ter querido abandonar a nenhum e ainda que alguns daqueles que ficaram firmes no seu partido, lhe
tenham faltado em diversas coisas importantes; receberam sempre de V. M. efeitos conformes às suas
promessas; esses reconhecerão que se a felicidade de V. M. pareceu grande