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V. M. verificar em seus parlamentos e no seu
grande conselho, romperia as cadeias que ligam as mãos aos prelados do seu reino, e os tornaria
responsáveis pelas desordens de dioceses, pelas quais é impossível que possam agora responder.

 A obtenção dessa, bula seria a meu ver, tanto mais fácil, quanto ela é conforme às premissas do

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conselho de Trento que declara nominalmente, (22) que os capítulos e os curas não podem, em virtude de
alguma isenção, costume, posse sentença, juramento e concordata ou coisa semelhante, impedir de serem
visitadas, corridas e castigadas por seus bispos ou outras pessoas deputadas de sua parte; e quando
mesmo este expediente não fosse do gosto de Roma, onde as novidades embora úteis são comumente
odiosas e onde a menor oposição impede de ordinário grandes benefícios; V. M. fazendo observar quanto
a isso o decreto do concílio, não terá necessidade de nenhuma nova expedição.

 Sei bem que este remédio será desaprovado pelo parlamento, no espírito do qual o uso e a prática
prevalecem freqüentemente a algumas razões que possam ser trazidas; mas após ter previsto este bem e
considerado todos os obstáculos que podem ser encontrados; digo sem temor que seria muito melhor
passar por cima, do que parar por motivo de oposição que se lhe faça, e V. M. pode ser levado a mudança
com tanta mais razão quanta pondo as coisas no direito comum, ela as restabeleceria em sua natureza,
sendo algumas vezes bom aos soberanos terem audácia que é justa, e cuja importância não pode ser posta
em dúvida (23).

 Os cônegos têm seus títulos tão escondidos, que é impossível de tomar-se deles conhecimento sem
autorização do rei; pode-se supor mesmo que não os tenham; e Pedro de Blois e Pedro o Venerável disso
se queixavam abertamente.

 Embora a utilidade destes dois expedientes tenham o mesmo efeito, deve-se fazê-los aprovar; o temor
que tenho de que a dificuldade que haveria na execução os tornassem inúteis, fez-me passar ao segundo
que consiste em fazer nomear comissões de bispos, curas e religiosos, que junto aos deputados do
conselho e dos parlamentos se fizessem apresentar todas as isenções e privilégios da igreja; a fim de que
sendo levados a V. M. aquelas que fossem encontradas boas e válidas, pudessem ser reguladas e aquelas
que não tivessem legítimo fundamento fossem abolidas: Há tanto mais clareza na prática deste
expediente que a ordenança de Orleans (24) feita sob Francisco II tem um artigo expresso para regular a
isenção.

 Se em seguida o papa quisesse dar poder em cada metrópole aos juizes delegados que nós propusemos
acima regulando pela autoridade da Santa Sé, aquilo que os bispos não poderão fazer por si mesmos em
vista das isenções que ficaram em plena força e vigor, V. M. exigindo do seu conselho tomar
conhecimento das disputas que sobrevierem, remediará absolutamente a todos os males dos quais tais
privilégios são causa.

SEÇÃO VII
Que representa os inconvenientes que provêm do fato de os bispos não gozarem de pleno direito, dos
benefícios que lhes são devidos.

 Resta falar do mal proveniente de que os bispos não dispõem da maior parte das paróquias de sua
diocese, às quais os patronos eclesiásticos, ou os laicos, têm direito de apresentar.

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 Os patronos começaram a gozar do direito de patronagem no concílio de Orange, onde foi ordenado
que os bispos que quisessem constituir igrejas em outras dioceses teriam direito de nelas porem os padres
a sua vontade, desde que fossem julgados capazes pelos bispos diocesanos. O mesmo direito foi também
dado por Justiniano aos laicos que quisessem fundar capelas, o que obtiveram em seguida em relação aos
próprios monastérios, dos quais eles se tornavam fundadores. O nono concílio de Toledo estendeu ainda
o direito de patronagem laica às igrejas paroquiais, permitindo aos fundadores nomear os curas, de modo
que a negligência com a qual os bispos satisfizessem às suas fundações desviassem de novas (25).

 O direito se perdia quando os fundadores perdiam a vida; Justiniano, Gregório e Pelágio o estenderam
a seus filhos: enfim sob Carlos Magno passou aos herdeiros, fossem quais fossem, e assim continua até o
presente.

 Este direito louvado por vários pais da igreja, tendo sido confirmado por diversos concílios e
especialmente pelo de Trento, deve ser considerado como santo e inviolável por sua antigüidade, por sua
autoridade fundada sobre os cânones dos pais e dos concílios e pela utilidade de que goza a igreja, em
favor da qual fazem-se muitas fundações para que se adquira, por esse meio, o poder de nomear aqueles
que devem usufruí-la.

 Mas quando ponho diante dos meus olhos que a necessidade não tem leis e que o uso de um privilégio
que foi bom no fervor dos fundadores é agora tão prejudicial pela corrupção daqueles que são herdeiros
de tais bens e que não o são do seu zelo, nem da sua virtude, nem algumas vezes da sua religião, é
impossível deixá-los continuar sem expor muitas almas a perda: Ouso dizer abertamente que não se pode
deixar de remediar a uma desordem de tais conseqüências, sem que se seja responsável ante Deus.

 Muitos pensarão que o melhor remédio deste mal está em abolir inteiramente a causa, mas quando
considero que o que é legado a título oneroso, isto é, pelo transporte de seu próprio bem, não pode ser
possuído com justiça, senão com o cumprimento das condições às quais devem obedecer, e que os pais
do concílio de Trento, que conheciam os abusos não ousaram pensar em mudá-los, não creio que um
particular possa sem temeridade propor um tal remédio; valendo mais recorrer a um meio mais doce não
proposto pelo concílio de Trento, embora nenhum ele tenha apresentado.

 Este meio é (26) que o sínodo eleja os examinadores pelos quais todos os aspirantes aos benefícios
encarregados de almas, sejam cuidadosamente examinados, a fim de que a sua capacidade e a sua
probidade sendo conhecidas, eles possam em seguida propor dois ou três dos mais capazes aos patronos
das paróquias que vagarem, a fim de que escolham e apresentem ao bispo, aquele que lhe for mais
agradável.

 Sei que este expediente tira um pouco da liberdade que têm hoje os patronos em França, mas, posto
que restringindo-a eles a conservam tirando o meio de porem pessoas incapazes nas cúrias, deve este
expediente ser recebido tanto mais voluntariamente a meu ver, quanto remediando ao mal que vem da
apresentação das cúrias, se a ordem do concílio é observada, remediará também àqueles males que são
causados pela facilidade com a qual os arcebispos investem freqüentemente os padres que seus
sufragantes recusaram, e como quer o concílio, que os examinadores que propõem para ser juizes da
capacidade daqueles que devem ser nomeados para as cúrias, sejam obrigados a dar contas da sua ação
aos concílios provinciais; também não quer que os arcebispos passem por cima dos seus julgamentos sem

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um motivo tão legítimo que não possa ser posto em dúvida.

SEÇÃO VIII
Da reforma dos mosteiros.

 Depois de tão justos regulamentos como aqueles que foram descritos acima é da piedade de V. M.
autorizar, tanto quanto puder, a reforma das religiões.

 Sei bem que muitas considerações dão lugar a temer que aquelas que nasceram em nosso tempo não
sejam tão austeras em sua continuação, quanto de começo, mas é preciso não deixar de amparar e de
favorecer, visto que o bem não muda de natureza por ser de pouca duração, mas que é sempre bem, e
aquele que faz o que pode com prudência e bom intuito, faz o que deve e satisfaz ao que Deus pede dos
seus cuidados.

 É bem verdade que sempre pensei, e assim o estimo ainda agora, que valeria melhor estabelecer
reformas moderadas na observação das quais os corpos