testamento_politico
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e protestantes tinham de ser despojados dos seus Estados,
como muitos outros príncipes já haviam sido por solicitação, tendo levado a desejar secretamente o apoio
de V. M. Ela tratou com eles com tal intrepidez e tanto sucesso, que eles impediram na própria presença
do imperador a eleição do rei dos romanos, embora a dieta de Ratisbonne fosse convocada para esse
único fim.

 Em seguida, para contentar o ávido duque da Baviera, satisfazer os eleitores e vários outros príncipes
e para os firmar a todos na resolução que tinham tomado, de tornar a liga Católica independente, não do
império mas da Espanha que usurpava a sua direção, seus embaixadores se governaram com tal
correspondência, com estes príncipes que eles lhes facilitaram os meios de fazer depor Walstein do
comando dos exércitos do império, o que ocasionou um retardo nos negócios do seu senhor.

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 O crédito de V. M. não foi menor no Norte pois que o barão de Charnacé sem titulo de embaixador,
procurou quase ao mesmo tempo a paz entre os reis da Polônia e da Suíça, paz que havia sido inutilmente
tentada por vários outros potentados.

 Essa paz deu lugar à empresa que o rei da Suécia fez pouco depois para impedir a opressão dos
príncipes do império, na Alemanha, e esse desígnio, assim que foi do nosso conhecimento, procurou-se
prevenir o prejuízo que a religião católica poderia ter; V. M. fez um tratado com ele em que o obrigava a
não perturbar o exercício religioso em todos os lugares de sua conquista.

 Eu bem sei que os inimigos, que pensam justificar as suas ações desacreditando as de V. M., nada
esqueceram do que puderam, para tornar essa convenção odiosa; mas seu desígnio não produziu outro
efeito senão o de patentear a sua malícia.

 A inocência de V. M. é tanto mais clara quanto o embaixador não entrou jamais em nenhum tratado
com este conquistador (Gustavo Adolfo), senão seis meses depois de ter ele entrado na Alemanha, o que
justifica evidentemente que as convenções que foram feitas com este príncipe foram o remédio do mal,
cuja causa não pode ser avaliada.

 Os tratados passados não somente com este grande rei, mas também com muitos outros príncipes da
Alemanha, são tanto mais justos quanto foram absolutamente necessários para a salvação do duque de
Mântua, injustamente atacado e para a salvação de toda a Itália, sobre a qual os espanhóis não tinham
menos direito do que sobre o Estados deste pobre príncipe, pois que estimavam que a sua comodidade
era direito suficiente e legítimo.

 As perturbações produzidas neste reino pela divisão que os espanhóis abertamente suscitaram em sua
casa real, obrigava V. M. a recorrer a expedientes que lhe pudessem tornar mais seguro.

 O senhor príncipe tendo saído da corte e da França, pela terceira vez, por diversos artifícios dos quais
os espanhóis foram os principais autores, e o cardeal infante, tendo retirado a rainha mãe para Flandres é
fácil de julgar que se esses bons vizinhos não tivessem tido alguma notável ocupação interna, teria
levado os negócios muito adiante, para prejudicar V. M. neste reino.

 Era preciso necessariamente afastar a tempestade e se preparar para manter o esforço, caso não fosse
possível evitá-la.

 Nesta consideração, depois que V. M. ficou segura daquele poderoso auxílio, fez como aqueles que,
para prevenirem o contágio com que o ar os ameaça, purgam-se com tanto mais cuidado quanto a
limpeza interna é, a seu critério, o melhor e o mais seguro meio que têm de se garantirem contra as
injúrias externas.

 A providência de Deus lhe foi tão favorável nesta circunstância, que, aqueles que, animando a rainha
e o senhor príncipe contra a França, pensavam fazer a V. M. muito mal, não conseguiram senão
mostrar-se incapazes; e sua conduta pareceu tanto mais maravilhosa nesta ocasião, quanto chamando um
e desejando a volta da outra, sua bondade a seu respeito foi reconhecida por toda a gente, ao mesmo
tempo que os efeitos da sua justiça caíram sobre aqueles que o tinham ajudado a tomar maus conselhos.

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 O duque de Bellegarde ficou privado do governo da Borgonha e por conseqüência as chaves das
portas que ele tinha aberto ao senhor príncipe, para fazê-lo sair do reino.

 O duque d'Elboeuf foi igualmente despojado do governo da Picardia que V. M. lhe havia dado pouco
tempo antes.

 O duque de Guise premido pelos temores da sua consciência, tendo-se retirado para a Itália quando V.
M. o chamou à corte para prestar conta das suas ações, essa retirada criminosa fê-lo perder o governo
com que o falecido rei, pai de V. M., o tinha honrado.

 Assim se livrou V. M. de governadores ingratos e infiéis e a Borgonha, a Picardia e a Provença,
províncias de grande consideração, ficaram nas suas mãos, livres desses espíritos perigosos.

 V. M. colocou na primeira o primeiro príncipe de sangue, que a desejava ardentemente, e por esse
meio V. M. o interessou prudentemente nos negócios do tempo, dando muito em que pensar ao senhor
príncipe, que, com razão nada no mundo temia tanto, quanto o estabelecimento de pessoa que de perto o
seguisse.

 Estabeleceu na segunda o duque de Chevreuse, príncipe da Lorena, para testemunhar que as faltas são
pessoais e que sua indignação não se estendia senão aos dessa casa que se haviam tornado culpados por
sua má conduta.

 Foi gratificado o marechal de Vitri com a terceira, tanto por causa da sua fidelidade quanto porque,
sendo mantido por autoridade, ele era de seu natural capaz de fazer frente àquele que dela tinha saído.

 Entretanto as declarações que V. M. fez, nestas ocasiões, registar no parlamento, foram tanto mais
aprovadas por todo o mundo, quanto condenados os culpados e os sectários da rainha e do senhor
príncipe, elas escusavam estas duas pessoas que são tão caras quanto próximas de V. M., embora no
passado, usassem do parentesco de maneira completamente contrária ao exemplo presente.

 Vossa majestade com muita vigilância pode impedir desígnios e muitas empresas meditadas e
tentadas sob o nome da rainha e do senhor príncipe sobre diversas praças do reino; sua paciência foi tal
nestes desgraçados encontros, que posso quase dizer que V. M. fez conhecer apenas o que não era
possível dissimular de sua má conduta.

 Entretanto, para evitar o curso e contrariar a licença com a qual parecia que lhes fosse permitido tudo
empreender à sua sombra, V. M. fez cortar a cabeça ao marechal de Marillac, com tanta mais razão
quanta, tendo sido condenado com justiça, a constituição presente do Estado requeria um grande
exemplo.

 Estes grandes e aborrecidos negócios não lhe impediram de reprimir, com tanta autoridade quanta
razão, certas ações do parlamento de Paris, que tinha suportado em muitas outras ocasiões, o que é mais
notável por ter sido feito no calor dos descontentamentos da rainha, do senhor príncipe e de todos os seus
partidários do que é pela ação mesma. Em seguida, o senhor príncipe entrou à mão armada em França, à
solicitação dos espanhóis, e do duque de Lorena, com tropas que esses bons vizinhos forneceram em
grande parte.

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 Parecia que o conhecimento que V. M. teve em seguida de que ele era esperado no Languedoc pelo
duque de Montmorency muito autorizado nessa província, de que era governador, lhe devesse desviar do
desígnio que lhe havia conduzido à Lorena, para livrar este duque do mau partido em que se havia posto;
mas acabando aquilo que se havia começado com tão bons propósitos, V. M. fez seguir ao senhor seu
irmão de perto pelo marechal de Schomberg e tão prontamente avançou após haver recebido três praças
do duque de Lorena como garantia de sua fé, que todos os esforços daqueles que se haviam ligado contra
El Rei tornaram-se