Captulo 2
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Captulo 2

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líquido de uma economia num determinado período é preciso deduzir, do valor total produzido, ou seja, do valor do produto bruto, a parcela destinada à reposição do estoque de capital da economia, ou seja, a depreciação.

5.	Os aluguéis e juros pagos às empresas não devem ser considerados quando da mensuração do valor do produto pela ótica da renda, uma vez que já estão implicitamente considerados na rubrica lucros. A única exceção é o setor financeiro.​ Nesse caso, deve-se considerar a diferença entre juros pagos e juros recebidos.
6.	A conta de produção mostra a identidade entre renda e dispêndio, enquanto a conta de apropriação mostra de que maneira as famílias alocam as rendas recebidas pela cessão de seus fatores de produção às empresas.

 7.	A conta de capital mostra a identidade investimento  poupança, que nada mais é do que uma forma alternativa de representar a identidade produto  renda  dispêndio.

 8.	As transações econômicas entre os países não se reduzem à mera compra e venda de bens e serviços; elas envolvem​ também fatores de produção. Surge daí a necessidade de se distinguir entre produto interno e produto nacional.

 9.	Para se obter o produto nacional de uma economia, é preciso deduzir de seu produto interno a renda líquida enviada ao exterior ou, se for o caso, adicionar a seu produto interno a renda líquida recebida do exterior.

10.	Na maior parte dos casos, os países mais desenvolvidos são exportadores líquidos de capital e, portanto, recebem liquidamente renda do exterior (o produto nacional é maior que o produto interno), enquanto ocorre o inverso com os países menos desenvolvidos.
11.	A conta do setor externo não é nada mais do que a conta do balanço de pagamentos em transações correntes com os lançamentos invertidos.
12.	O governo arrecada impostos diretos (que incidem sobre a renda ou o patrimônio) e indiretos (que incidem sobre os preços). Transferências são impostos diretos com o sinal negativo; subsídios são impostos indiretos com o sinal negativo.

13.	O produto a preços de mercado inclui o valor dos impostos indiretos compensados dos subsídios; o produto a custo de fatores não considera esse valor adicional.

14.	A oferta global da economia num determinado período é a soma do produto interno bruto a preços de mercado (PIBpm) com as importações de bens e serviços não fatores. A demanda global, por seu lado, é a soma do PIBpm com as exportações de bens e serviços não fatores.

15. A primeira estimativa da renda nacional no Brasil foi elaborada pela FGV-RJ em fins dos anos 1940. Mas é só em 1956 que o país vai dispor, pela primeira vez, de um conjunto integrado de estatísticas que, seguindo as determinações do System of National Accounts (SNA) da ONU de 1952, apresenta as contas nacionais do Brasil para o período 1948-55.

16. Desde então é o Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), mais particularmente o Centro de Contas Nacionais da FGV-RJ, que se encarrega da elaboração dessas estimativas. O Centro de Contas Nacionais procurou sempre se adequar aos padrões metodológicos e formais recomendados pelo SNA.
17.	O Centro de Contas Nacionais da FGV permaneceu, até 1986, como a instituição responsável pela elaboração e divulgação das contas, ocasião em que tal tarefa torna-se incumbência da Fundação IBGE, que se encarregava então da elaboração da matriz insumo-produto do Brasil.

18. Até 1986, o sistema de contas nacionais do Brasil tinha uma estrutura bastante similar à de cinco contas discutida na seção 2.2. Quando o IBGE assume esse encargo, elabora também uma profunda revisão metodológica e opera substantivas mudanças no sistema. A alteração mais significativa foi a substituição do antigo modelo de cinco contas por um de quatro.

19. Assim, a partir de 1987, a conta do governo deixa de constar do sistema de contas nacionais do Brasil. As atividades do governo não aparecem destacadas numa conta própria, mas diluem-se nas contas restantes. Cria-se simultaneamente, mas como instrumento à parte do sistema de contas, a conta corrente das administrações públicas, formato esse que seguia as determinações do SNA 68.

Questões para Revisão

Quais são as duas formas possíveis de investimento?
Defina investimento não planejado e dê um exemplo.

De que maneira a conta de produção mostra a identidade entre renda e dispêndio?

Por que os aluguéis e juros pagos às empresas não devem ser considerados quando da estimativa do produto pela ótica da renda?

Explique de que maneira a conta de capital mostra a identidade investimento  poupança.

Por que razão, no caso dos países menos desenvolvidos, o produto nacional tende a ser menor do que o interno?

Quais as mudanças mais significativas da passagem do cálculo e elaboração das contas nacionais do Brasil para a Fundação IBGE?
Explique a conta corrente das administrações públicas do sistema que vigorou até 1996.

Nas afirmações abaixo, indique verdadeiro ou falso, justificando sua resposta:

O produto líquido é necessariamente menor do que o produto bruto.

O produto a custo de fatores é necessariamente maior do que o produto a preços de mercado.

(c) O produto nacional é necessariamente maior do que o produto interno.

Referências

Beckerman, Wilfred. Introdução à Análise da Renda Nacional. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1979.

 Simonsen, Mario H. & Rubens Penha Cysne. Macroeconomia, 2a edição. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas Editora, 1996.

Na internet

Banco Central do Brasil (uma das fontes mais completas de informações sobre a economia brasileira): http://www.bcb.gov.br
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social — BNDES:

http://www.bndes.gov.br
Confederação Nacional da Indústria — CNI (indicadores mensais da atividade produtiva e comercial das empresas e da evolução do mercado de trabalho):

http://www.cni.org.br

Dados Sócio-Econômicos sobre o município de São Paulo: http://www.seade.gov.br/
Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos — DIEESE: http://www.dieese.org.br
Federação das Indústrias de São Paulo — FIESP: http://www.fiesp.org.br
Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas​ — FIPE (acesso aos Indica​dores de Movimentação Econômica no Esta​do de São Paulo — IMEC/SP): http://www.fipe.com/
Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados — Fundação SEADE:

http://www.seade.gov.br

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — IBGE (o mais completo site de informações estatísticas sobre o Brasil): http://www.ibge.gov.br
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada — IPEA: http://www.ipea.gov.br; www.ipeadata.gov.br
Ministério do Trabalho: http://www.mtb.gov.br

Anexo 2.1   A Matriz Insumo-Produto

Quando formos estudar, no capítulo 4, o sistema de contas nacionais tal como é atualmente elaborado, veremos que uma de suas peças básicas é o conjunto constituído pelas Tabelas de Recursos e Usos (TRU). Essas tabelas conformam um conjunto de 6 matrizes, quais sejam: matriz de oferta, matriz de produção, matriz de importação, matriz de consumo intermediário, matriz de demanda final e matriz de componentes do valor adicionado. Sendo assim, o presente anexo pretende apresentar as noções básicas necessárias para a compreensão de uma matriz insumo-produto, com o que se facilitará o entendimento do novo sistema. Optamos por sua apresentação neste capítulo, onde já fizemos referência à sua existência e à sua relação com o sistema de contas nacionais, porque o próximo capítulo será inteiramente dedicado à discussão que envolve, por um lado, as identidades macroeconômicas básicas, contempladas pela contabilidade social e, por outro, as relações de causa e efeito entre as variáveis agregadas, que é objeto de estudo da macroeconomia.
A matriz insumo-produto, cujo desenvolvimento está ligado ao prêmio Nobel em Economia Wassily W. Leontief (1906-1999), tem como objetivo proporcionar uma análise acerca das relações intersetoriais na produção. De extrema utilidade para a definição de políticas setoriais e para as atividades de planejamento de modo geral, a matriz insumo-produto,