Captulo 2
31 pág.

Captulo 2

Disciplina:Contabilidade Social e Balanço de Pagamentos119 materiais1.338 seguidores
Pré-visualização13 páginas
resposta precisa para essa pergunta, mas, de acordo com o SNA 93, o atributo interno é mais recomendado quando se está falando de produto� e o atributo nacional quando se está falando de renda (a idéia por trás disso é que nacional é um atributo que aplica-se apenas à renda gerada, já que tem que ver com a nacionalidade dos proprietários de fatores de produção). Assim, uma boa forma de resumir a questão é dizer que:
O valor do PIB reflete o produto total produzido no território do país, independentemente da origem dos fatores de produção responsáveis por ele. De outro lado, a RNB (renda nacional bruta) considera o valor adicionado gerado por fatores de produção de propriedade de residentes, independentemente do território onde esse valor é gerado.
Voltemos agora à estrutura de nosso sistema. Já sabemos que uma das modificações introduzidas pela consideração do setor externo da economia é que o sistema passa a ter quatro e não mais três contas, visto que, além das contas de produção, apropriação e capital, precisamos também de uma conta para registrar as transações com o exterior. Sabemos também que, além das exportações e importações de bens e serviços não fatores, devem ainda aparecer, nas rubricas dessa nova conta, a renda líquida enviada ao (ou recebida do) exterior.

Contudo, falta ainda um elemento para completar a estrutura da nova conta do sistema. A soma desses dois saldos (exportações/importações de bens e serviços não fatores e renda enviada/renda recebida do exterior) é o próprio resultado do balanço de pagamentos em transações correntes (ou balança de transações correntes). Se esse resultado for positivo, teremos um superávit no balanço de pagamentos em transações correntes; se for negativo teremos um déficit. É essa, portanto, a rubrica que completa a estrutura da conta do setor externo.

Pensemos agora, retomando o princípio das partidas dobradas, de que modo serão feitos os lançamentos nessa nova conta. Para isso, o primeiro passo é lembrar que se trata de uma conta do resto do mundo. Assim, podemos perguntar: o que é que o resto do mundo pode considerar como débito em relação a nosso país? A resposta é: as exportações de bens e serviços não fatores e a utilização de fatores de propriedade de residentes no país. Inversamente, o resto do mundo pode considerar como crédito contra nosso país as importações de bens e serviços não fatores e a renda gerada por fatores de produção de propriedade de não residentes. Vejamos então como fica a estrutura dessa conta.

	Quadro 2.5
Conta do setor externo – primeira versão

	Débito
	Crédito

	G exportações de bens e serviços não fatores

H renda recebida do exterior

K resultado do BP em transações correntes
	I importações de bens e serviços não fatores

J renda enviada ao exterior

	Total do débito
	Total do crédito

Antes de analisar como ficam as demais contas do sistema a partir da introdução desta quarta conta, cabe observar que a rubrica K pode ficar de fato em qualquer dos lados da conta do setor externo desde que seu sinal esteja correto garantindo-se o equilíbrio interno da conta. Ficando onde está, ou seja, do lado esquerdo, ele deverá ter sinal positivo se o país em questão teve um déficit em transações correntes e sinal negativo se o país teve superávit. Isto ocorre porque, como esta conta é construída do pondo de vista do resto do mundo, um resultado negativo em transações correntes dessa economia significa, para o resto do mundo, um superávit, o inverso ocorrendo se se tratar de um resultado positivo. Cabe também lembrar que, para a apuração dos agregados nacionais, o que importa é o resultado líquido do confronto entre H e J, ou seja, soma-se o resultado ao produto interno se ele for positivo (renda recebida maior que renda enviada) e subtrai-se se ele for negativo (renda recebida menor do que renda enviada).

Vejamos então como ficam as demais contas do sistema a partir da introdução dessa quarta conta. Como perceberemos, as contas afetadas por novos lançamentos decorrentes da introdução da conta do setor externo são a conta de produção e a conta de capital. A modificação mais evidente da conta de produção é que ela terá agora de contemplar não só o valor produzido com fatores de produção nacionais, mas também o valor produzido com a utilização de fatores de propriedade de não residentes, líquido dos valores produzidos em outros países com a utilização de fatores de propriedade de residentes.

Mas a necessidade de garantir o equilíbrio externo do sistema impõe uma outra mudança de grande importância para a própria natureza da conta. O débito da rubrica importações, necessário para compensar o lançamento a crédito feito na conta do setor externo, é efetuado na conta de produção, de modo que, a partir da introdução da conta do setor externo, ela não mais vai demonstrar o produto, mas aquilo que se chama oferta total da economia. No movimento contrário, as exportações serão lançadas no lado do crédito da conta de produção, compondo a demanda total da economia.

	Quadro 2.6
Conta do produto – terceira versão

	Débito
	Crédito

	I importações de bens e serviços não fatores
J-H renda líquida enviada (+) ou recebida (-) do exterior
a1 salários
a2 lucros

a3 aluguéis
a4 juros

A renda ou produto nacional líquido
(A = a1 + a2 + a3 + a4)

B depreciação
	G exportações de bens e serviços não fatores
C consumo pessoal

D variação de estoques

E formação bruta de capital fixo

	Oferta Total de Bens e Serviços
	Demanda Total por Bens e Serviços

A partir dessa nova versão, portanto, pode-se dizer que a conta de produção apresenta, do lado do débito, o PIB (produto nacional líquido mais depreciação mais renda líquida enviada ao exterior ou menos renda líquida recebida do exterior) mais as importações de bens e serviços não fatores, ou seja, a oferta total, que deve igualar-se, em valor, à demanda total por bens e serviços, seja ela originada das necessidades de consumo, das necessidades de investimento ou da procura externa.

Com essa nova disposição (e significado) da conta de produção, demos conta da maior parte dos lançamentos inversos necessários para garantir o equilíbrio externo do sistema depois da introdução da conta do resto do mundo (notemos que a rubrica H, apesar de encontrar-se do mesmo lado em que se encontra na conta do setor externo, aparece aqui com o sinal negativo). Contudo, há ainda um lançamento novo, que apareceu com a introdução da conta do setor externo, para o qual não temos um lançamento inverso, a rubrica K. Assim, para completar o fechamento do sistema, é preciso encontrar um lançamento a crédito que compense esse lançamento a débito. É na conta de capital que vamos encontrá-lo. Vejamos.

	Quadro 2.7
Conta de capital – segunda versão

	Débito
	Crédito

	D variação de estoques

E formação bruta de capital fixo
	F poupança líquida

B depreciação
K resultado do BP em transações correntes

	Investimento Bruto Total
	Poupança Bruta Total

Mecanicamente entendemos por que o item K é lançado a crédito na conta de capital. Mas o que isso representa em termos econômicos, lembrando que a conta de capital demonstra a identidade investimento  poupança? Se o valor atribuído à rubrica K for positivo, ou seja, se o país incorreu num déficit na conta corrente de seu Balanço de Pagamentos, isso indica que, no período em questão, parte do investimento efetuado na economia deveu-se à importação de capital, ou seja, necessitou de poupança externa. Como ficará mais claro no Capítulo 5, o déficit do balanço de pagamentos em transações correntes acaba por ser coberto por entrada de capitais externos, o que significa, exatamente, que a economia em questão, para fazer frente a sua absorção interna, está importando capital, ou seja, poupança. Se o valor atribuído à rubrica K for negativo, indicando um superávit em transações correntes, ela terá se tornado, ao menos naquele período, exportadora líquida de capitais, ou seja, sua absorção interna, em face da sua produção, estará permitindo que ela exporte capitais.

Fechamos