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UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL Psicofarmacologia Laura Morais Machado Laíne Domingues dos Santos RESENHA “Geração Prozac” Geração Prozac é a adaptação cinematográfica dirigida pelo norueguês Erik Skjoldbjærg em 2001. A obra, um best-seller de enorme sucesso, autoria da escritora e jornalista norte-americana Elizabeth Wurtzel, narra os dramas psicológicos da autora e o inicio do tratamento com a medicação Prozac. A trama inicia com Elizabeth, ou “Lizzie”, sendo aceita em Harvard. Já ao iniciar a narrativa, a mesma feita pela adolescente, notamos a conturbada relação de mãe e filha. Mãe esta que vive as mazelas do fim do casamento com o pai da menina. A jovem, apesar de ser uma talentosa escritora, não tinha o sonho de ir para Harvard, deixando claro em sua narrativa que este sonho era da mãe. Nos primeiros momentos da entrada de Lizzie no dormitório da universidade, a mesma se depara com a colega de quarto com a qual acaba nutrindo uma relação de amizade. Lizzie, ao narrar sua história, apresenta um pouco da sua infância, no qual conta ao telespectador que não era uma criança sociável e que este fato serviu como oportunidade para a mãe aproximar-se ainda mais e através desta falta social, estudar além do normal e fazer da menina uma grande escritora, ou seja, realizar grandes feitos através da jovem filha. Por este excesso de obrigações, com a escola e a mãe, a adolescente não teve experiências comuns a idade e com a oportunidade de liberdade através da vida universitária longe da mãe, a garota viu a chance de experenciar o que perdeu e coisas novas, junto com sua mais nova amiga e colega de quarto. É neste momento que Lizzie começa a frequentar as festas e tem seu primeiro contato, por meio de Noah, com as drogas. Também é neste momento que Lizzie conhece um artista musical famoso, cria um artigo sobre o mesmo e é reconhecida pelo sua excelente escrita, tem seu artigo publicado por uma renomada revista, além de ganhar um prêmio pela universidade e a chance de escrever novamente para a revista. O uso e abuso de álcool e drogas por Lizzie, somado a pressão da escrita de um novo artigo e ao fato de inesperadamente rever seu pai, após quatro anos seu contato algum, faz com que a mesma escreva compulsoriamente, sem dormir, sem praticar a higiene pessoal e alimentar-se. É somente através de uma intervenção dos amigos que a adolescente começa a fazer terapia com a Drª. Sterling. É neste ponto que a obra abrange nitidamente a relação da garota com a depressão e seus percalços. Após a separação, a Mrs. Wurtzel, mãe de Lizzie, acaba dedicando-se inteiramente a filha. Procurando fazer o melhor para a menina, ela trabalha arduamente para o sustento e a chance de dar as melhores oportunidades possíveis para a filha ter um futuro promissor, tudo sem a ajuda do ex-marido. A questão presente neste fato é que a mãe de Lizzie acabou depositando um fardo que a menina mal conseguia carregar, exigindo demasiadamente da filha, ignorando-a como um sujeito carente de afeto, ignorando a singularidade e ambiguidade da menina. Através de seus feitos como mãe, Mrs. Wurtzel exigia que a filha fosse grata, condenando qualquer contato da menina com o pai, caracterizando o contato como ingratidão e punindo-a psicologicamente por tentar fazê-lo. Ao anular este pai da vida de Elizabeth, a garota acaba por sentir-se consumida em culpa por desejar ter contato com este pai, além de não ter conhecimento do real papel deste homem na vida dela e da mãe. Essa noção é trazida na cena em que Lizzie atende a um telefonema do pai após seu aniversário, a mãe sente-se ultrajada pelo ato, assim mostrando quem é a pessoa por trás do sustento e pagamento da terapia, criticando a filha pelo afeto ao pai. Outro ponto importante na trama é quando Lizzie conhece Rafe, trazendo-o em sua narrativa como escolhido para salva-la. Sua relação amorosa com ele começa tranquila, até incentiva a adolescente a seguir o tratamento, porém, o relacionamento começa a decair após pequenos episódios de possessividade. É com o término da relação que Elizabeth começa o tratamento com Prozac, a medicação lhe é sugerida para oferecer um maior apoio, ajudando-a a lidar com este momento doloroso. A internação da mesma é realizada, como precaução executada pela Dra. Sterling, já que a adolescente apresentava ideação suicida e o medicamento ministrado nas primeiras semanas de tratamento podem potencializa-lo. O tratamento medicamentoso faz Lizzie questionar seus efeitos, pois acredita estar perdendo a sensibilidade para escrever, perdendo a capacidade de manifestar suas emoções, como se o Prozac estivesse mascarando e criando uma versão apática dela mesma. Em um ato desesperado, como se tentasse provar suas queixas, ela quebra um vidro para cortar-se, mas a chegada da filha da Drª. Sterling faz com que ela hesite, principalmente ao notar o abraço acolhedor e cuidadoso daquela mãe para com sua filha. Lizzie nunca o teve. Fazendo uma alusão ao investimento pesado da indústria farmacêutica no marketing de um medicamento capaz de abolir todo sofrimento, comercializando-o como a milagrosa “pílula da felicidade” e ao exagero da demanda de receitas, e com uma critica bem elaborada, geração prozac termina com Lizzie fazendo uma breve referência ao fato, comparando o medicamento a venda e consumo de drogas ilegais e ao seu uso indiscriminado. Sendo assim, o filme abrange uma grande reflexão acerca da forma de consumo, mas também traz um melhor entendimento sobre a depressão e tratamento.