Captulo 3
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Captulo 3


DisciplinaContabilidade Social e Balanço de Pagamentos139 materiais1.369 seguidores
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f(Y) (3.2)
Existe também uma parcela do consumo que não varia com o nível de renda (por constituir um mínimo de consumo sem o qual a sociedade pode perecer e que de alguma forma existe independentemente do nível de renda) e que podemos chamar de consumo autônomo, indicado por Ca. Portanto
 
 Y = Ca + cY (3.3)
Assim, podemos reescrever a Expressão 3.1 da seguinte forma:
	Y = Ca + cY + I 	 (3.4) 
Quanto ao investimento, Keynes constatou que ele depende de variáveis extremamente sujeitas à flutuação, devido às sempre presentes incertezas em relação ao futuro. Essas variáveis são a preferência pela liquidez (ou preferência pela segurança que o dinheiro traz e que, segundo o economista inglês, está na base da determinação da taxa de juros da economia) e as expectativas quanto ao rendimento futuro esperado dos bens de capital \u2014 que determinam aquilo que Keynes chama de eficiência marginal do capital (EmgK). Assim, se chamarmos a taxa de juros de r, podemos escrever que
 I = f (r, EmgK) (3.5)
Assim, o investimento é, para Keynes, uma variável extremamente instável e que pode explicar por que, em determinados momentos, a economia opera num nível de produção que não é suficiente para empregar todos os fatores de produção disponíveis. Como a teoria keynesiana dos determinantes do investimento é extremamente complexa, explicá-la em detalhes demandaria um capítulo inteiro, o que, com certeza, foge ao escopo deste livro. O assunto voltará a ser enfocado com um pouco mais de detalhes no Capítulo 8, mas, para nossos propósitos aqui, basta enfatizar que a determinação do nível de renda e produto é, para Keynes, intimamente dependente do comportamento do investimento e que este é bastante sujeito a flutuações. Assim, com o que temos, já podemos mostrar algumas importantes conclusões quanto à determinação do nível de produto e renda em que opera a economia.
Se retomarmos a expressão 3.4, perceberemos facilmente que podemos reordenar seus termos do seguinte modo:
	 Y (1 \u2013 c) = Ca + I e, logo,
 Y = Ca + I (3.6)
 (1 \u2013 c) 
 Ao termo 1/(1 - c), Keynes chamou multiplicador. Ele indica a magnitude do aumento no nível de renda em decorrência seja de um aumento em Ca, seja de um aumento em I. Ele indica também que, quanto maior for a propensão a consumir da economia, maior é o efeito multiplicador de uma elevação em Ca ou I. Por exemplo, se c for igual a 0,9 (ou seja, na média, as famílias consomem 90% de sua renda), o multiplicador será 10, de modo que, se houver um aumento de $ 100 no investimento, o aumento na renda será de $ 1.000. Se, numa outra hipótese, tivermos c igual a 0,5, o multiplicador será 2, de modo que o mesmo aumento de $ 100 no investimento provocará uma elevação na renda de apenas $ 200. 
Supondo, como parece razoável, que Ca é uma variável bastante estável, a atuação positiva do efeito multiplicador sobre o nível de renda fica na inteira dependência do comportamento de I. Como esta variável está sujeita, pelas razões já expostas, a intensas flutuações, os momentos em que I decresce provocam um efeito sobre o nível de renda e produto que é magnificado pelo efeito multiplicador (que evidentemente também opera no sentido inverso). Nesses momentos, mesmo dispondo de fatores de produção para operar num nível mais elevado, a economia permanece operando num nível insuficiente para empregar toda a força de trabalho e toda a capacidade instalada. 
É importante perceber, em todo esse raciocínio, a manutenção da identidade entre produto e renda, ao mesmo tempo em que ele também nos permite identificar os determinantes do nível de renda no qual opera a economia. É por conta deste último elemento que, a partir da equação apresentada na expressão 3.2, pudemos substituir o sinal indicador de identidade (\uf0ba) pelo sinal de igualdade (=). 
A teoria keynesiana e a contabilidade nacional 
Se tomarmos agora a conta do produto em sua versão final e, portanto, considerarmos uma economia aberta e com governo, chegaremos a outras conclusões importantes sobre essa questão. 
	Quadro 3.2 
Conta de produção 
	Débito
	Crédito
	I importações de bens e serviços não fatores
J-H renda líquida enviada (+) ou recebida (-) do exterior 
a1 salários
a2 lucros
a3 aluguéis
a4 juros
A renda ou produto nacional líquido
(A = a1 + a2 + a3 + a4)
B depreciação
Q-N impostos indiretos líquidos de subsídios
	G exportações de bens e serviços não fatores
C consumo pessoal
L consumo do governo
D variação de estoques
E formação bruta de capital fixo
	Oferta Total de Bens e Serviços 
	Demanda Total por Bens e Serviços
Como se percebe, a conta traz agora, do lado do débito, a oferta total de bens e serviços e, do lado do crédito, a demanda final. Se passarmos a rubrica importações para o lado do crédito com o sinal negativo, encontraremos a expressão 3.7:
	Y \uf0ba C + I + G + (X \u2013 M)	(3.7)
onde
C = consumo (rubrica consumo pessoal),
G = gastos do governo (rubrica consumo do governo),
X = exportações de bens e serviços não fatores,
M = importações de bens e serviços não fatores,
enquanto Y e I conservam seus significados anteriores. 
Transpondo para essa expressão ampliada as mesmas considerações anteriormente feitas para uma economia fechada e sem governo, podemos perceber que o nível de produto e renda em que opera a economia não depende apenas do consumo e do investimento, mas também dos gastos do governo e das exportações líquidas das importações. Valem, para essas novas variáveis, as mesmas relações anteriormente estabelecidas para Ca e I. 
Assim, um efeito multiplicador (devidamente modificado pela introdução do governo, particularmente por sua capacidade de tributar)\ufffd também vai atuar sobre os possíveis aumentos, seja nos gastos do governo, seja nas exportações líquidas das importações. Em outras palavras, um aumento nos gastos do governo eleva o nível de renda e um aumento nas exportações produz efeito idêntico, enquanto um aumento nas importações produz efeito contrário, todos esses efeitos devidamente ampliados, para cima ou para baixo, conforme o caso, pela magnitude do multiplicador.
Uma forma bastante sugestiva de compreender esse processo é pensar num mecanismo de estímulos e desestímulos que estão permanentemente influenciando o nível de renda e de produto. Se há um aumento na parcela autônoma do consumo, ou no investimento, ou nos gastos do governo, ou ainda na demanda externa pelos bens e serviços que a economia em questão produz, qualquer um desses aumentos vai estimular a produção e elevar o nível de renda na magnitude determinada pelo multiplicador. No caso das exportações, trata-se, na verdade, de um estímulo externo, ou, em outras palavras, de uma injeção de demanda na economia, que provém de um aumento na demanda externa pelos bens e serviços internamente produzidos. Simetricamente, um aumento nas importações representa um vazamento de estímulo, ou seja, uma transferência, para fora da economia, de uma parcela de sua demanda por bens e serviços.\ufffd
A expressão 3.7 mostra-nos, ainda, a importância que acabou sendo atribuída ao governo por conta das considerações de Keynes quanto aos determinantes do nível de renda. Se um aumento no nível de renda e produto em que opera a economia pode ser proveniente de uma elevação nos gastos do governo, então cabe a este um importante papel, além daqueles normalmente a ele consagrados. Em determinados momentos em que o investimento insista em manter-se deprimido e em que os estímulos advindos de fora da economia não sejam suficientes para evitar o desemprego, só o governo tem condição de retirar a economia de tal situação. Aumentando