Captulo 3
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Captulo 3


DisciplinaContabilidade Social e Balanço de Pagamentos146 materiais1.379 seguidores
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Produto \uf0ba Dispêndio, bem como esses componentes da demanda agregada.
A relação entre o consumo agregado e a renda produz o multiplicador keynesiano, que magnifica os impactos da demanda agregada sobre os níveis de renda e emprego.
Em função da permanente incerteza quanto ao futuro, o investimento é uma variável extremamente instável. 
A atuação positiva do efeito multiplicador depende do comportamento do investimento, que é muito instável, e da demanda externa líquida, variável cujo controle não está na inteira dependência do país. Daí que cabe ao governo, por meio de seus gastos, atuar como regulador do nível de demanda efetiva e impedir a permanência de situações recessivas.
O \u201cconsenso keynesiano\u201d foi rompido, em meados da década de 1970, pelo advento da teoria das expectativas racionais, que deu nova vida aos pressupostos que Keynes atacara e recuperou a primazia da teoria ortodoxa.\u200b
A inflação combinada ao desemprego que marcou o final dos anos 1970 levou a uma onda de questionamentos quanto à pertinência da atuação do Estado como regulador do nível de demanda efetiva e, assim, pôs na dianteira as políticas associadas àquilo que se convencionou chamar neoliberalismo (desregulamentação, controle dos gastos públicos, Estado mínimo, privatizações).
Além da identidade Produto \uf0ba Dispêndio \uf0ba Renda, existe uma outra, que é também fundamental: a identidade Investimento \uf0ba\uf020Poupança. É a partir dela e da recuperação dos conceitos de interno e nacional que se constituem as demais identidades componentes do Sistema de Contas Nacionais. 
Os agregados mensurados do ponto de vista interno medem o valor total produzido no território do país, independentemente da origem dos fatores responsáveis por essa produção, enquanto que os agregados mensurados do ponto de vista nacional consideram o valor adicionado gerado por fatores de produção de propriedade de residentes, independentemente do território onde esse valor é gerado.
Apesar de ambos os conceitos poderem teoricamente ser utilizados em qualquer agregado (produto, renda ou dispêndio), por determinação do SNA 93 não se utiliza mais a terminologia PNB ou PNL, pois parte-se do princípio de que \u201cnacional\u201d é uma qualificação que aplica-se apenas à renda gerada, já que tem que ver com a nacionalidade dos proprietários de fatores de produção. Assim fala-se em Produto Interno (bruto ou líquido, a preço de mercado ou a custo de fatores), mas em Renda Nacional (bruta ou líquida, a preços de mercado ou a custo de fatores).
Nesses termos, temos que:
(1) RNB = PIB \u2013 RLEE
(2) RDB = RNB + TUR
(3) PIB = RDB + RLEE \u2013 TUR
(4) RDB = RPD + RLG
(5) I = S
(6) I (incluindo investimento público) = SD, onde SD = S + Sg
(7) I (incluindo investimento público) = SD + SE, onde SE = (M \u2013 X) + RLEE \u2013 TUR 
Questões para Revisão
Explique a diferença entre identidades e relações de causa e efeito.
Por que foi a partir do advento da teoria keynesiana que se tornou possível a constituição de um sistema de contas nacionais.
Por que o nível de renda é determinado pelo nível da demanda agregada da economia?
Por que um aumento nas exportações pode elevar o nível de renda e emprego?\u200b
Que nova atribuição foi conferida ao governo depois do advento da teoria keynesiana?
Segundo Keynes, a quantidade de bens de consumo que compensa aos empresários produzir depende da quantidade de bens de investimento que eles estejam dispostos a produzir. Lembrando-se do multiplicador, você conseguiria explicar por que ele diz isso? 
Por que o atributo nacional é utilizado para os agregados que se referem à renda, mas não é utilizado para os agregados que se referem a produto?
Qual é a diferença existente entre o PIB e a RNB? Explique
O que é Renda Nacional Disponível Bruta? Como se chega a ela?
Como se divide a RDB considerando a existência do governo?
Como fica a identidade entre Poupança e Investimento numa economia aberta e com governo?
Referências
Simonsen, Mario H. & Rubens Penha Cysne. Macroeconomia, 2a edição. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas Editora, 1996.
FEIJÓ, Carmem A. & RAMOS, Roberto L. O. Contabilidade Social, 3ª edição. Rio de janeiro: Campus-Elsevier
 
Na internet
Banco Central do Brasil (uma das fontes mais completas de informações sobre a economia brasileira): http://www.bcb.gov.br 
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística \u2014 IBGE (o mais completo site de informações estatísticas sobre o Brasil): http://www.ibge.gov.br
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada \u2014 IPEA: http://www.ipea.gov.br; www.ipeadata.gov.br 
\ufffd Na verdade, quando Keynes se insurge contra tal teoria, na década de 1930, ela ainda era conhecida como economia \u201cclássica\u201d. Só mais tarde é que se consagrou, para essa corrente, a denominação \u201cneoclássica\u201d, de fato mais apropriada: a nova escola já tinha abandonado a teoria do valor-trabalho da economia clássica original, de Smith e Ricardo, e a havia substituído pela teoria do valor-utilidade; além disso, as classes sociais (trabalhadores, capitalistas, donos de terra) haviam desaparecido do cenário teórico enquanto personagens importantes para a compreensão do funcionamento do sistema, tendo sido substituídas pelo conceito genérico de \u201cagentes econômicos\u201d.
\ufffd Cumpre esclarecer que não há divergência entre Keynes e os economistas neoclássicos no que tange ao conceito de \u201cdesemprego friccional\u201d, ou seja, aquele desemprego que deriva do fato de as pessoas mudarem de emprego (ou então de cidade) e de haver um lapso de tempo entre a saída do antigo emprego e a entrada no novo. Evidentemente, a discussão não se dá em cima dessa parcela de desemprego. O desemprego friccional está, portanto, excluído tanto do conceito de desemprego voluntário dos neoclássicos quanto do conceito de desemprego involuntário de Keynes.
\ufffd À medida que o governo tributa a renda das famílias, reduz-se a renda disponível para ser consumida ou poupada. Assim, a partir da introdução do governo, o multiplicador deve sofrer alguma redução em sua força magnificadora sobre o nível de renda dos impactos advindos da demanda agregada. Assim, a capacidade de tributar afeta negativamente a demanda agregada de modo indireto, já que reduz a magnitude do multiplicador, enquanto que os gastos efetuados pelo Estado atuam de modo positivo e direto, pois constituem uma das categorias de gasto que compõem a demanda agregada. 
\ufffd Boa parte do estupendo crescimento chinês que o mundo presenciou na primeira década deste século deve-se justamente à enorme demanda por seus produtos vinda de fora do país. São estas relações que tornam tão importante a definição de um dos preços básicos da economia que é o preço da divisa, ou seja, a taxa de câmbio. Voltaremos ao assunto no capítulo 6.
\ufffd Para Keynes, a teoria econômica com a qual todos os economistas de então trabalhavam estava dominada, implícita ou explicitamente pela Lei de Say, aquela que diz que toda oferta cria sua própria demanda, donde a falta de preocupação com a construção de uma teoria que explicasse os fatores determinantes do comportamento da demanda agregada.
\ufffd Lembramos ali, e não custa repetir aqui, que o próprio Keynes discordava de todas essas afirmações, pois, para ele, o investimento é que precede a poupança, sendo que a renda adicional criada pelo investimento produz a posteriori a poupança exigida. Logo, para Keynes, pode haver investimento sem poupança financeira prévia \u2014 por exemplo, via criação de crédito \u2014 e, por conseguinte, não é a poupança que explica o investimento e sim um conjunto de outras variáveis, como a preferência pela liqüidez, a eficiência marginal do capital e a taxa de juros. 
\ufffd A sigla SD deve-se à utilização, para o agregado poupança, da letra S, referente ao termo em inglês Saving.