Socrates
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Aula 7 \u2013 Sócrates 
 
Filho de um escultor e uma parteira, Sócrates nasceu sob o esplendor da 
cidade de Atenas. Presenciou a decadência de sua cidade natal na Guerra do 
Peloponeso (resultado de divergências e rivalidades entre Esparta e Atenas 
entre 431 e 404 a.C), que conferiu a vitória aos espartanos. Refletindo sobre a 
derrota dos atenienses, Sócrates concluiu que ela foi precipitada 
principalmente pela influência cética exercida pelos sofistas. Estes foram 
mestres da arte de falar adequadamente ao público (retórica), criando um 
movimento com características próprias, bem diferentes da busca de 
princípios para a natureza que marcou as preocupações dos pré-socráticos. 
A sofística estaria marcada pelo relativismo \u2013 fomulações de princípios e 
valores que mudam e se diferenciam \u2013, subjetivismo \u2013 recusa de um critério 
objetivo e único de verdade, tomando-se como medida das coisas critérios 
puramente humanos \u2013 e ceticismo \u2013 postura crítica e negativa com relação a 
um conhecimento tomado como verdadeiro, pressupondo-se que as coisas são 
tais como aparecem a cada um, inexistindo, assim, valores morais bons ou 
ruins próprios a cada coisa. 
Combatendo os sofistas, Sócrates acreditou na estabilidade das leis, dos 
princípios verdadeiros e universais das normas, conferindo a elas um valor 
intrínseco; a partir dele, o termo ética se afasta tanto do sentido originário de 
morada quanto de equilíbrio das paixões, tal como Heráclito e Demócrito 
respectivamente entendiam. Este avanço foi possível sob a elaboração de um 
método, denominado maiêutica, que levasse os diversos cidadãos a uma vida 
virtuosa, abrangendo dois momentos, ironia e maiêutica. A ironia gira em 
torno de um jogo de perguntas e respostas, no qual Sócrates desempenha o 
papel de alguém que lança questões e instiga o seu interlocutor \u2013 tratando-o 
 
 
 
 
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como aprendiz \u2013 a fim de que este se volte para si mesmo em busca de 
respostas verdadeiras. 
O conhecimento assim obtido não resultaria da transmissão de um conjunto de 
regras já estabelecidas, mas do reconhecimento da ignorância do aprendiz em 
face das perguntas formuladas. Logo, o ato de aprender exigia que este 
descobrisse os erros que portava referentes ao tema a ser conhecido: 
confrontar-se com o não-saber seria o caminho para que ele pudesse atingir o 
verdadeiro conhecimento. 
Uma vez chegado a este ponto, preparava-se o início do segundo momento, a 
maiêutica. Esta, ocorrendo também por intermédio do diálogo, levaria o 
aprendiz a descobrir os conhecimentos que parecia portar dentro de si \u2013 em 
sua própria alma. Neste sentido, ele retirava de si um conhecimento que 
preexistia, o qual transcendia a existência humana, sendo, portanto, 
universal.