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implacavelmente, e sem contemplações, para conduzir toda a classe
operária a esse nível de extrema degradação.

Pode acontecer que o capital, ao prolongar a jornada de trabalho,
pague salários mais altos e que, sem embargo, o valor do trabalho
diminua, se o aumento dos salários não corresponde à maior quantidade
de trabalho extorquido e ao mais rápido esgotamento da força de tra-
balho que daí resultará. Isso pode ainda ocorrer de outro modo. Vossos
estatísticos burgueses vos dirão, por exemplo, que os salários médios
das famílias que trabalham nas fábricas do Lancashire subiram. Mas
se esqueceram de que agora, em vez de ser só o homem, o cabeça da
família, são também sua mulher e, talvez, três ou quatro filhos que
se vêem lançados sob as rodas do carro de Jaguernaut30 do capital e
que a alta dos salários totais não corresponde à do sobretrabalho total
arrancado à família.

Mesmo com uma jornada de trabalho de limites determinados,
como existe hoje em dia em todas as indústrias sujeitas às leis fabris,
pode-se tornar necessário um aumento de salários, ainda que somente
seja com o fito de manter o antigo nível do valor do trabalho. Mediante
o aumento da intensidade do trabalho, pode-se fazer com que um homem
gaste em 1 hora tanta força vital como antes, em 2. É o que se tem
produzido nas indústrias submetidas às leis fabris, até certo ponto,
acelerando a marcha das máquinas e aumentando o número de má-
quinas de trabalho a que deve atender agora um só indivíduo. Se o
aumento da intensidade do trabalho ou da quantidade de trabalho
despendida em 1 hora se mantém abaixo da diminuição da jornada
de trabalho, sairá então ganhando o operário. Se se ultrapassa esse
limite, perderá por um lado o que ganhar por outro, e 10 horas de
trabalho o arruinarão tanto como antes 12. Ao contrabalançar essa
tendência do capital, por meio da luta pela alta dos salários, na medida
correspondente à crescente intensidade do trabalho, o operário não faz
mais que se opor à depreciação do seu trabalho e à degeneração da
sua descendência.

4 — Sabeis todos que, por motivos que não me cabe aqui explicar,
a produção capitalista move-se através de determinados ciclos perió-
dicos. Passa por fases de calma, de animação crescente, de prosperidade,
de superprodução, de crise e de estagnação. Os preços das mercadorias
no mercado e a taxa de lucro no mercado seguem essas fases; ora
descendo abaixo de seu nível médio ora ultrapassando-o. Se conside-
rardes todo o ciclo, vereis que uns desvios dos preços do mercado são
compensados por outros e que, tirando a média do ciclo, os preços das
mercadorias do mercado se regulam por seus valores. Pois bem. Durante

OS ECONOMISTAS

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30 Jaguernaut é o nome das imagens do deus indiano Vixnu. Nas festas em honra a essa
divindade, celebrava-se uma procissão acompanhando o carro do deus, debaixo do qual se
atiravam e pereciam muitos fanáticos. (N. do T.)