Aula 12 parte 1 Tributação
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Aula 12 parte 1 Tributação

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Aula 12.1: Receita pública – quem paga e como se gasta no Brasil

Carga tributária bruta e distribuição funcional da renda
Com base no sistema de contas nacionais do IBGE, a renda nacional (PIB a custo de fatores) pode ser dividida em rendimento dos proprietários (empregador e conta própria) e dos não proprietários (empregados). Em 2006, a participação dos rendimentos dos proprietários foi de 51,7% (R$1,038,2 bilhões) e a dos não proprietários foi de 48,3% (R$969,4 bilhões).
De acordo com os dados do IBGE e com a secretaria do tesouro nacional (STN), a arrecadação nacional dos tributos que incidem diretamente sobre a renda dos não proprietários (contribuições previdenciárias e imposto de renda retido na fonte) foi de R$236,9 bilhões no ano de 2006 (24% de 969,4 Bi). Por outro lado, a arrecadação dos tributos que incidem diretamente sobre a propriedade e renda do capital totalizou R$141,1 bilhões (13,6% de 1038,2 Bi). A carga tributária nacional com os tributos que incidem explicitamente sobre a renda dos proprietários e não proprietários (ver nome dos impostos em texto) foi, em 2006, 18,8% do PIB a cf.
O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) são impostos embutidos no preço final de mercadorias e serviços, não se sabe o quanto desses impostos as empresas conseguem repassar para os consumidores. Por isso, há R$430,6 Bi arrecadados em 2006 que não entraram no cálculo da carga tributária por terem incidência incerta sobre a renda dos contribuintes. Ver gráfico 1 da página 3.
Carga tributária bruta e distribuição pessoal da renda
No Brasil, a distribuição do ônus tributário se dá de modo heterogêneo, com alguns setores da população sendo mais afetados que os outros. O princípio importante em qualquer sistema tributário é o da equidade ou da capacidade contributiva, por permitir que o estabelecimento da contribuição dos cidadãos para o financiamento do estado seja compatível com a sua capacidade econômica. Nesse sentido, esse sistema deve buscar a progressividade, ou seja, tributar os mais ricos mais do que os mais pobes.
Com a tabela 1 da página 4, podemos ver que o sistema brasileiro faz exatamente o contrário: tributa mais os mais pobres. Os 10% mais pobres da população brasileira destinam 32,8% de sua renda para o pagamento de tributos, enquanto que para os 10% mais ricos, o ônus é estimado em 22,7% da renda (2004)
Destinação da carga tributária bruta
O quadro 1 da página 6 destaca os principais programas e ações do governo federal em termos de volume de recursos e número de beneficiários.
Os programas destacados dão visibilidade ao fato de que a arrecadação dos tributos não desaparece simplesmente nas entranhas da burocracia, mas financia a atuação do Estado. Vale lembrar que dentre os outros grandes grupos de despesa do governo, é importante da destaque ao montante destinado ao pagamento de juros da dívida pública. Em 2008, o governo federal gastou 3,8% do PIB com o pagamento de juros.