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DisciplinaFilosofia e Ética2.556 materiais75.829 seguidores
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fizeram o mesmo em relação às plantas, os metais, os fósseis, 
com história e descrições abundantes, ele não se dá conta, não parece ver ou 
compreender suficientemente o assunto de que tratamos. Pois uma é a marcha 
da história natural, organizada por amor de si mesma,8 3 outra, a que é destinada 
a informar o intelecto com ordem ( método), para fundar a filosofia. Essas duas 
histórias naturais se diferenciam em muitos aspectos, principalmente nos 
seguintes: a primeira compreende a variedade das espécies naturais e não os 
experimentos das artes mecânicas. Com efeito, da mesma maneir a que na vida 
política o caráter de cada um, sua secreta disposição de ânimo e sentimentos 
melhor se patenteiam em ocasiões de perturbação que em outras, assim também 
os segredos da natureza melhor se revelam quando esta é submetida aos assaltos 
8 4 das artes que quando deixada no seu curso natural. Em vista disso, é de se 
esperar muito da filosofia natural quando a história natural que é a sua base e 
fundamento \u2014 esteja melhor construída. Até que isso aconteça nada se pode 
esperar. 
XCIX 
Por sua vez, mesmo em meio à abundância dos experimentos mecânicos, há 
grande escassez dos que mais contribuem e concorrem para informação do 
intelecto. De fato, o artesão, despreocupado totalmente da busca da verdade, só 
está atento e apenas estende as mãos para o que diretamente serve a sua obra 
particular. Por isso, a esperança de um ulterior progresso das ciências estará 
bem fundamentada quando se recolherem e reunirem na história natural muitos 
experimentos que em si não encerram qualquer utilidade, mas que são 
necessários na descoberta das causas e dos axiomas. A esses experimentos 
costumamos designar por lucíferos, para diferenciá-los dos que chamamos de 
frutíferos.8 5 Aqueles experimentos têm, com efeito, admirável virtude ou 
condição: a de nunca falhar ou frustrar, pois não se dirigem à realização de 
qualquer obra, mas à revelação de alguma causa natural. Assim, qualquer que 
seja o caso, satisfazem esse intento e assim resolvem a questão. 
 
C 
Deve-se buscar não apenas uma quantidade muito maior de experimentos, como 
também de gênero diferente dos que até agora nos têm ocupado. Mas é 
necessário, ainda, introduzir -se um método completamente novo, uma ordem 
diferente e um novo processo, para continuar e promover a experiência. Pois a 
experiência vaga, deixada a si mesma, como antes já se disse,86 é um mero 
tateio, e presta-se mais a confundir os homens que a informá-los. Mas quando a 
experiência proceder de acordo com leis seguras e de forma gradual e constante, 
poder-se-á esperar algo de melhor da ciência. 
CI 
Todavia, mesmo quando esteja pronto e preparado o material de história natural 
e de experiência, na quantidade requerida para a obra do intelecto, ou seja, para 
a obra da filosofia, nem assim o intelecto estará em condições de trabalhar o 
referido material espontaneamente e apenas com o auxílio da memória. Seria o 
mesmo que se tentasse aprender de memória e reter exatamente todos os 
cálculos de uma tábua astronômica. E até agora, em matéria de invenção, tem 
sido mais importante o papel da meditação que o da escrita, e a experiência não 
é ainda literata.8 7 Apesar disso, nenhuma forma de invenção é conclusiva senão 
por escrito. E é de se esperar melhores frutos quando a experiência literata for 
de uso corrente. 
CII 
Além disso, sendo tão grande o número dos fatos particulares, quase um 
exército, e achando-se de tal modo esparsos e difusos que chegam a desagregar 
e confundir o intelecto, não é de se esperar boa coisa das escaramuças, dos 
ligeiros movimentos e incursões do intelecto, a não ser que, organizando e 
coordenando todos os fatos relacionados a um objeto, se utilize de tabelas de 
invenção idôneas e bem dispostas e como que vivas. Tais tabelas servirão à 
mente como auxiliares preparados e ordenados. 
CIII 
Contudo, mesmo depois de se haver disposto, como que sob os olhos, de forma 
correta e ordenada a massa de fatos particulares, não se pode ainda passar à 
investigação e à descoberta de novos fatos particulares ou de novos resultados. 
Se, não obstante, tal ocorrer, não é de se ficar satisfeito com apenas isso. 
Todavia, não negamos que depois que os experimentos de todas as artes forem 
recolhidos e organizados e, depois, levados à consideração e ao juízo de um só 
homem, seja possível, pela simples transferência dos conhecimentos de uma 
arte para outra, com auxílio da experiência a que chamamos de literata, chegar 
a muitas novas descobertas úteis à vida humana e às suas condições. Todavia, 
tais resultados, a bem dizer, são de menor importância. Na verdade muito 
maiores serão os provenientes da nova luz dos axiomas, deduzidos dos fatos 
particulares, com ordem e por via adequada, e que servem, por sua vez, para 
indicar e designar novos fatos particulares. Atente -se para isto: o nosso caminho 
não é plano, há nele subidas e descidas. É primeiro ascendente, em direção aos 
axiomas, é descendente quando se volta para as obras. 
CIV 
Contudo, não se deve permitir que o intelecto salte e voe dos fatos particulares 
aos axiomas remotos e aos, por assim dizer, mais gerais \u2014 que são os chamados 
princípios das artes e das coisas \u2014 e depois procure, a partir da sua verdade 
imutável, estabelecer e provar os axiomas médios. E é o que se tem feito até 
agora graças à propensão natural do intelecto, afeito e adestrado desde há muito, 
pelo emprego das demonstrações silogísticas. Muito se poderá esperar das 
ciências quando, seguindo a verdadeira escala, por graus contínuos, sem 
interrupção, ou falhas, se souber caminhar dos fatos particulares aos axiomas 
menores, destes aos médios, os quais se elevam acima dos outros, e finalmente 
aos mais gerais. Em verdade, os axiomas inferiores não se diferenciam muito da 
simples experiência. Mas os axiomas tidos como supremos e mais gerais 
(falamos dos de que dis pomos hoje) são meramente conceituais ou abstratos 88 e 
nada têm de sólido. Os médios são os axiomas verdadeiros, os sólidos e como 
que vivos, e sobre os quais repousam os assuntos e a fortuna do gênero humano. 
Também sobre eles se apoiam os axiomas generalíssimos, que são os mais 
gerais. Estes entendemos não simplesmente como abstratos, mas realmente 
limitados pelos axiomas intermediários. Assim, não é de se dar asas ao 
intelecto, mas chumbo e peso para que lhe sejam coibidos o salto e o vôo. É o 
que não foi feito até agora; quando vier a sê-lo, algo de melhor será lícito 
esperar-se das ciências. 
 
 
CV 
Para a constituição de axiomas deve-se cogitar de uma forma de indução diversa 
da usual até hoje e que deve servir para descobrir e demonstrar não apenas os 
princípios como são correntemente chamados como também os axiomas 
menores, médios e todos, em suma. Com efeito, a indução que procede por 
simples enumeração é uma coisa pueril, leva a conclusões precárias, expõe -se 
ao perigo de uma instância que a contradiga. Em geral, conclui a partir de um 
número de fatos particulares muito menor que o necessário e que são também os 
de acesso mais fácil. Mas a indução que será útil para a descoberta e 
demonstração das ciências e das artes deve analisar a natureza, procedendo às 
devidas rejeições e exclusões, e depois, então, de posse dos casos negativos 
necessários, concluir a respeito dos casos positivos. Ora, é o que não foi até hoje 
feito, nem mesmo tentado, exceção feita, certas vezes, de Platão, que usa essa 
forma de indução para tirar definições e idéias. Mas, para que essa indução ou 
demonstração possa ser oferecida como uma ciência boa e legítima, deve-se 
cuidar de um sem-número de coisas que nunca