novum_organum
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resplandecente e acesa, em lugar de 
qualquer outra matéria ígnea mais consistente. Mas isso deve ser verificado 
posteriormente. 
9. (Oposição à quarta instância.) Há certas coruscações que produzem luz, 
mas não queimam. E ocorrem sempre sem (troar) trovão. 
10. (Em oposição à quinta instância.) As ejeções e erupções de chamas 
ocorrem tanto nas regiões frias como nas quentes, como na Islândia e 
Groenlândia. Por outro lado, as árvores das regiões frias são mais inflamáveis, 
mais resinosas e de mais pez que as das regiões cálidas, como é o caso do abeto, 
pinho e outras. Mas não se investigou satisfatoriamente em que lugares e em 
que natureza de solo costumam ocorrer essas erupções, para que possamos opor 
a negativa à afirmativa. 
11. (Em oposição à sexta instância.) Toda chama é sempre mais ou menos 
quente, não havendo assim instância negativa a se lhe opor; mas fala -se que o 
chamado fogo-fátuo que às vezes é observado nas paredes não tem muito calor, 
assim também a chama do espírito do vinho que é clemente e suave. Mas ainda 
mais suave parece ser a chama que, conforme certas histórias fidedignas e 
sérias, apareceu em torno da cabeça de meninos e meninas e que, sem queimar, 
apenas circulava à sua volta.6 9 De qualquer forma, é absolutamente certo que, 
em volta do cavalo que sua, durante viagens noturnas e em épocas de seca, 
aparece certa fulguração, sem calor manifesto. Há pouco tempo ficou famoso, e 
quase tomado como milagre, o fato do peito de uma menina, depois de algum 
movimento e fricção ter emitido faíscas. Isso talvez tenha acontecido devido ao 
alúmen ou aos sais com que se tinha tingido a veste e que acabaram colados e 
incrustados, formando assim uma espécie de copa, que se abriu. Também é 
igualmente certo que todo açúcar, tanto o refinado quanto o natural, quando se 
encontra endurecido e é quebrado ou raspado no escuro, produz fulgor. 
Da mesma forma, a água marinha e salgada, à noite, fortemente esbatida pelos 
remos, pode fulgurar. E também, durante as tempestades, a espuma do mar, 
fortemente agitada, produz fulgor (fachos) e a que os espanhóis costumam 
chamar de pulmão marinho. Nem foi adequadamente investigada aquela chama 
que os antigos navegantes chamavam por Castor e Pollux e os modernos 
designam por fogo de Santelmo.7 0 
12. (Em oposição à sétima instância.) Todo corpo (ígneo) incandescente que 
tenha o rubor do fogo, mesmo sem chama, é em qualquer caso quente, e para tal 
instância afirmativa não há correspondente negativa. Mas o que parece mais se 
aproximar desse fato é o da madeira podre, que resplandece à noite e não parece 
conter calor. As escamas dos peixes em putrefação também resplandecem à 
noite e não apresentam calor ao tato. Da mesma forma, o corpo do vaga-lume 
ou mosca chamada Lucíola não oferece calor ao tato. 
13. (Em oposição à oitava instância.) Não foi adequadamente investigado o 
lugar de origem e a natureza do solo donde emanam as águas termais e por isso 
não se lhes contrapõe instância negativa. 
14. (Em oposição à nona instância.) Aos líquidos ferventes contrapõe -se a 
instância negativa da peculiar negativa dos líquidos em geral. Pois não se 
encontra na natureza que seja em si mesmo quente e assim permaneça. Ao 
contrário, o calor ocorre por tempo determinado, como natureza que lhe é 
acrescentada. Assim é que os líquidos que no seu poder e nos seus efeitos são 
muito quentes, como o espírito do vinho, os óleos químicos aromáticos, e ainda 
os óleos do vitríolo e do enxofre e outros mais, que queimam após certo tempo, 
são frios ao primeiro contato. E a água termal, colocada em um recipiente e 
longe de sua origem, perde a efervescência, como a água levada ao fogo. De 
outro lado, é verdade que os corpos oleosos parecem ao tato menos frios que os 
aquosos; da mesma forma o óleo menos que a água, a seda menos que o linho. 
Mas isso de fato pertence à Tábua de Graus do Frio. 
 
15. (Em oposição à décima instância.) De idêntica maneira, ao vapor quente 
opõe-se a instância negativa derivada da própria natureza do vapor, tal como é 
comumente encontrado. As exalações dos corpos oleaginosos, mesmo sendo 
facilmente inflamáveis, não são quentes, quando não são exalações recentes de 
um corpo quente. 
16. (Em oposição à décima primeira instância.) De idêntica maneira, ao ar 
quente se opõe a instância negativa derivada da própria natureza do ar. Não 
encontramos entre nós ar quente, a não ser quando encerrado, submetido à 
fricção ou aquecido pelo sol, pelo fogo ou por qualquer outro corpo quente. 
17. (Em oposição à décima primeira instância.) A instância negativa das 
estações frias é oposta mais devido aos outros períodos do ano, como acontece 
quando sopram Euro ou Bóreas.71 O contrário acontece quando sopra o Austro 
ou o Zéfiro.7 2 Mas uma tendência para a chuva, especialmente no inverno, vem 
acompanhada de temperaturas tépidas, e o gelo, de temperaturas frias. 
18. (Em oposição à décima segunda instância.) Contrapõe-se a instância 
negativa do ar confinado nas cavernas no verão. E a respeito desse ar confinado 
é necessária uma cuidadosa investigação. Em primeiro lugar, há dúvidas, não 
sem motivo, a respeito da natureza do ar relacionado ao frio e ao calor. Pois o ar 
manifestamente recebe o calor dos corpos celestes; o frio, ao contrário, talvez 
por exalação da terra, e na chamada região intermediária dos vapores das neves. 
Dessa forma, não se pode estabelecer um juízo sobre a natu reza do ar através do 
ar a céu descoberto e exposto, mas é possível um juízo mais seguro a r espeito 
do ar confinado. Mas é necessário que o ar seja colocado em um recipiente de 
material de tal ordem que não venha a impregná-lo de calor ou frio de sua 
própria natureza e também que não receba influência do ar exterior. Faça-se, 
pois, o experimento com um recipiente de argila, revestido várias vezes com 
couro para protegê-lo do ar exterior e mantenha-se bem fechado por três ou 
quatro dias. Uma vez aberto o recipiente, verificar-se-á a temperatura com a 
mão e com o vidro graduado.7 3 
19. (Em oposição à décima terceira instância.) Subsiste igualmente a dúvida a 
respeito da tepidez da lã das peles, das plumas e coisas semelhantes; se é 
resultante de algum débil calor que lhe é imanente, devido à sua origem animal 
ou da matéria graxa e oleaginosa que por sua própria natureza é afim ao calor 
ou simplesmente do ar fechado e separado, já mencionado no parágrafo 
anterior, O ar separado do ar externo parece guardar algum calor. Para tanto, 
faça-se experimentar com material fibroso de linho, em vez da lã ou pluma ou 
seda que são de origem animal. Deve ainda ser observado que todos os pós 
(manifestamente misturados ao ar) são menos frios que os corpos íntegros de 
que provêm. Pelo mesmo motivo, acreditamos que toda espuma (como tudo que 
contém ar) seja menos f ria que o liquido que lhe deu origem. 
20. (Em oposição à décima quarta instância.) Não há instância negativa a se 
lhe opor. Com efeito, não se encontra entre nós nenhuma coisa tangível ou 
gasosa que aproximada do fogo não adquira calor. Contudo, mesmo aí, é 
necessário distinguir -se entre coisas que adquirem calor mais rapidamente, 
como o ar, o azeite e a água, e outras mais lentamente, como a pedra e os 
metais. Mas esses fatos pertencem à Tábua de Grau. 
21. (Em oposição à décima quinta instância.) A esta instância não se opõe 
qualquer outra negativa, exceção feita da observação de que não se conseguem 
cintilações (ou fagulhas) do sílex ou do aço ou de outra substância dura, a não 
ser com a fragmentação de pequenas partículas dessa substância, seja pedra ou 
metal. Também o ar não pode produzir cintilações pelo simples atrito, como 
julga o vulgo.