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e à 
deformação nas suas incursões cotidianas e rotineiras. 
Essas instâncias devem ser utilizadas como uma espécie de remédio 
preparatório para retificação e purificação do intelecto. Pois tudo o que afasta o 
intelecto das coisas habituais aplaina e nivela a sua superfície para a recepção 
da luz seca e pura das noções verdadeiras. 
Além disso, essas instâncias abrem e preparam o caminho para a parte 
operativa; como diremos no lugar próprio quando tratarmos das deduções para a 
prática.177 
XXXIII 
Entre as instâncias prerrogativas, colocamos em décimo primeiro lugar as 
instâncias de acompanhamento e as instâncias hostis,178 a que costumamos 
também chamar de instâncias das proposições fixas. São essas instâncias que 
revelam algum corpo ou matéria, com o qual a natureza investigada sempre se 
apresenta como com uma companheira inseparável; mas do qual, por seu turno, 
a natureza se afasta sempre e procura exclui-lo como estranho e inimigo. A par-
tir de tais instâncias formam-se proposições certas e universais, afirmativas ou 
negativas, nas quais o sujeito será o referido objeto concreto e o predicado a 
própria natureza investigada. As proposições particulares não são de modo 
algum fixas; em vista disso a natureza investigada se encontra, fluida e móvel, 
em um corpo concreto ou assentada em condições de ser adquirida ou se 
interrompe e é deposta. Por isso, deve ser lembrado que as proposições 
particulares não têm maior prerrogativa, com exceção dos casos de migração de 
que antes já falamos.179 Apesar disso, as proposições particulares, confrontadas 
e comparadas com as universais, são de grande ajuda, como mais adiante 
diremos. Contudo, nessas proposições universais já não se requer uma 
afirmação ou negação absolutas, pois são suficientes para o seu uso, ainda que 
haja alguma rara exceção. 
O uso das instâncias de acompanhamento é o delimitar a investigação 
afirmativa da forma. Como as instâncias migrantes delimitam a investigação 
afirmativa da forma, estabelecendo como condição necessária que a forma seja 
qualquer coisa que por qualquer ato de migração se adquire ou se perde, assim 
também, as instâncias de acompanhamento estabelecem como condição 
necessária que a forma seja qualquer coisa que penetre a concreção do corpo, ou 
que dela se afaste. Em vista disso, quem conhece bem a constituição ou 
esquematismo de um corpo não estará muito longe de trazer à luz a forma da 
natureza investigada. 
Por exemplo, suponha-se que a natureza investigada é o calor; instância de 
acompanhamento é a chama. Na água, no ar, na pedra, no metal e em 
muitíssimos outros corpos, o calor é móvel e pode ou não se exercer, mas toda 
chama é quente e o calor é sempre encontrado na concreção da chama. Mas 
entre nós não se encontra qualquer instância hostil ao calor. Os nossos sentidos 
não conhecem com segurança a temperatura das entranhas da terra, mas de 
todos os corpos conhecidos não há qualquer concreção que não seja suscetível 
de calor. 
Suponha-se, agora, que a natureza a ser investigada seja da consistência; 
instância hostil é o ar. De fato, o metal pode ser fluido e pode ser consistente; 
igualmente o vidro; e até a água pode se tornar sólida quando gela; mas é 
impossível que o ar se torne consistente e perca a sua fluidez. 
Restam-nos duas observações ou advertências sobre as instâncias dessas 
proposições fixas, que são de utilidade para o nosso trabalho. A primeira é a de 
que, se falta completamente a universal afirmativa ou negativa, com cuidado 
nota-se como não existente; tal como fizemos com o calor, no qual falta uma 
universal negativa (pelo que se conhece) na natureza das coisas. Assim, se a 
natureza investigada é o eterno ou o incorruptível, entre nós falta a universal 
afirmativa, pois não se pode predicar o eterno e o incorruptível de nenhum dos 
corpos que se encontra sob o céu ou sobre a crosta da terra. A segunda 
advertência é a de que às proposições universais, tanto negativas quan to 
afirmativas, devem juntar-se aquelas instâncias concretas que parecem aderir ao 
que é inexistente, como no caso do calor as chamas muito fracas e que queimam 
muito pouco; e no da incorruptibilidade, o ouro é o que dela mais se aproxima. 
Todas essas coisas, de fato, indicam os limites da natureza entre o existente e o 
não existente e constituem as circunscrições das formas,180 para que não se 
desprendam e ponham-se a vagar fora das condições da matéria. 
XXXIV 
Entre as instâncias prerrogativas, colocamos em décimo segundo lugar as 
instâncias subjuntivas,181 a que já nos referimos no aforismo anterior e a que 
costumamos chamar também de instâncias da extremidade ou do termo.182 Tais 
instâncias não são úteis apenas se juntas a proposições fixas, mas também por si 
mesmas e em suas próprias propriedades. Indicam, de um modo não obscuro, as 
dimensões das coisas e as verdadeiras divisões da natureza, o limite até o qual 
atua a natureza e produz algo, e, enfim, a passagem da natureza a outra coisa. É 
o caso do ouro em relação ao peso; do ferro em relação à dureza; da baleia em 
relação ao tamanho dos animais; do cão em relação ao olfato; da inflamação da 
pólvora em relação à expansão violenta; e coisas semelhantes. Tais coisas se 
colocam no grau mais elevado, mas não se deve deixar de ter em igual conta as 
coisas que estão nos graus inferiores mais baixos, como o espírit o do vinho em 
relação ao peso; a seda em relação à suavidade; os vermes da pele em relação ao 
tamanho dos animais, etc. 
XXXIV 
Entre as instâncias prerrogativas, colocamos em décimo terceiro lugar as 
instâncias de aliança ou de união.183 São as que confundem e reúnem naturezas 
consideradas como heterogêneas, e que as divisões usuais designam e 
consideram como tal. 
As instâncias de aliança mostram que as operações e os efeitos que se atribuem 
como próprios de qualquer das naturezas heterogêneas pertencem também a 
outras naturezas heterogêneas. Com isso se comprova que aquela suposta 
heterogeneidade não é verdadeira ou essencial, nada mais sendo que uma 
modificação da natureza comum. Bem por isso, são de grande utilidade para 
conduzir e elevar o intelecto das diferenças específicas aos gêneros, e para 
dissipar as falsas imagens das coisas que constituem a máscara com que a nós se 
apresentam as naturezas nas substâncias concretas. 
Por exemplo, tome-se para investigação a natureza do calor. Tome-se como 
completamente consagrada e autorizada a distinção do calor em três gêneros: o 
calor dos corpos celestes, o calor dos animais e o calor do fogo, e que tais 
gêneros de calor diferem, entre si, pela própria essência e pela espécie, ou pela 
natureza específica, sendo dessa forma completamente heterogêneos. 
Especialmente o calor do fogo se comparado com os outros dois, uma vez que o 
calor dos animais e dos corpos celestes engendra e reanima enquanto o do fogo 
destrói e consome. Pertence por isso às instâncias de aliança o conhecido 
experimento no qual se introduz o ramo de vinha em uma casa onde permanece 
aceso um foco de fogo, o que faz com que a uva amadureça até um mês antes do 
que se estivesse fora. Assim, o amadurecimento da fruta ainda presa à árvore 
pode ocorrer graças ao fogo, quando parecia um efeito reservado à ação do sol. 
Desde o início o intelecto, deixando de lado a teoria da heterogeneidade essen-
cial, dispõe-se facilmente a investigar as verdadeiras diferenças que há na 
realidade entre o calor do sol e o do fogo, das quais resulta que suas operações 
sejam tão diversas, embora em si mesmos participem de uma natureza comum. 
As diferenças são em número de quatro. A primeira é a de que o calor do sol, 
comparado com o calor do fogo,