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sua maioria) apenas são notados ao seu final 
ou periodicamente; o quarto fornece matéria aos sentidos, quando o objeto se 
encontra completamente ausente; o quinto estimula a atenção dos sentidos, a sua 
vigilância e ao mesmo tempo limita a sutileza das coisas. Trataremos, a seguir, 
de cada um deles. 
XXXIX 
Entre as instâncias prerrogativas, colocamos em décimo sexto lugar as 
instâncias deporta ou entrada.209 Com esse nome indicamos as instâncias que 
ajudam as ações imediatas dos sentidos. A vista é manifestamente dos sentidos 
o mais importante para a investigação, daí ser importante procurar 
proporcionar-lhe ajuda. Estas podem ser de três espécies: as que podem 
possibilitar-lhe perceber o que é invisível; as que lhe possibilitam ver mais 
longe; as que lhe permitem perceber mais exata e distintamente. 
Do primeiro gênero são (deixando de lado os óculos e similares, que apenas 
servem para corrigir e atenuar a insuficiência da vista ou a má conformação do 
órgão e, por isso, não nos oferecem nada de novo) as lentes recentemente 
inventadas 210 que revelam as minúcias invisíveis e latentes dos corpos, seus 
ocultos esquematismos e delicados movimentos, com um considerável aumento 
das imagens. Com esse concurso, distinguem-se, não sem espanto, a figura do 
corpo, os seus delineamentos, como também as cores e os movimentos antes 
invisíveis da pulga, da mosca e dos vermes. Diz -se que uma linha reta traçada 
com lápis ou pena, através dessas lentes, parece desigual e torta, pois nem os 
movimentos da mão, a judados pela régua, nem a tinta ou a cor são realmente 
iguais, embora tais diferenças sejam tão minúsculas que não podem ser 
percebidas sem o auxílio dessas lentes. Os homens, a tal respeito, logo fizeram a 
observação supersticiosa (como ocorre com todas as coisas novas e estranhas) 
de que aquelas lentes iluminam as obras da natureza, mas deturpam as da arte, 
O que demonstra somente o seguinte: que as estruturas naturais são muito mais 
sutis que as da arte. De fato, aquelas lentes só servem para as coisas d iminutas; 
e se as tivesse conhecido Demócrito, ter-se-ia alegrado muito, pensando ter 
encontrado a forma de ver os átomos, que ele considerava invisíveis.211 Mas elas 
só são de utilidade em relação aos corpos pequenos. Se servissem para observar 
corpos grandes ou partes pequenas desses para fazerem ver, por exemplo, o 
tecido da tela como uma rede ou as particularidades ou irregularidades das pe-
dras preciosas, dos líquidos, da urina, do sangue, dos ferimentos e muitas outras 
coisas, em tais casos se constituiriam em grande vantagem. 
Do segundo gênero são as lentes inventadas com admirável esforço por 
Galileu,212 por meio das quais é possível entrar em mais estreito contato com os 
corpos celestes, como o fazem as naves nas instâncias marítimas. Por seu 
intermédio sabemos que a Via Láctea não é mais que um aglomerado de 
pequenas estrelas, distintas em número e natureza, fato de que os antigos mal 
suspeitaram. Por seu intermédio fica demonstrado que os espaços dos chamados 
mundos planetários não estão vazios de outras estrelas, mas que o céu começa a 
se tornar cheio de estrelas antes do próprio céu estrelado; embora se trate de 
estrelas menores, invisíveis sem esses instrumentos. Por eles pode-se observar o 
movimento de rotação das pequenas estrelas em torno de Júpiter, o que nos leva 
a supor a existência de vários centros dos movimentos estrelares. Por seu 
intermédio, podem-se observar e determinar claramente as diversas zonas de luz 
e de sombra da lua; bem como se torna possível uma descrição aproximada de 
seu corpo.213 Por seu intermédio, descobrimos, também, as manchas solares e 
coisas semelhantes. Trata-se, sem dúvida, de descobertas notáveis, se se puder 
dar crédito a tais demonstrações. Mas estas são tanto mais passíveis de suspeita 
quanto o experimento se atém a esses poucos descobrimentos e por seu 
intermédio não foram descobertas outras coisas igualmente dignas. 
Do terceiro gênero são os bastões usados para medir as superfícies, os 
astrolábios e outros instrumentos semelhantes próprios para dirigir e retificar, 
mas não ampliar, a vista. As outras instâncias, que servem de auxílio aos outros 
sentidos, em suas operações imediatas e particulares, se não aumentam a sua 
capacidade de percepção, nada dizem ao nosso propósito. Por isso, não nos 
ocuparemos delas. 
XL 
Entre as instâncias prerrogativas, colocamos em décimo sétimo lugar as 
instâncias de citação,214 vocábulo tomado dos tribunais civis, que citam para 
comparecimento o que ainda não compareceu, e a que também costumamos 
chamar de instâncias evocantes,2 15 porque tornam sensível o que antes não o 
era. 
As coisas escapam aos sentidos devido a várias causas: pela distância em que 
está colocado o objeto; pela intervenção de outros corpos entre o objeto e os 
sentidos; pela natureza do objeto não facilitar a sua percepção; pela dimensão 
muito pequena do objeto, não chegando a impressionar os sentidos; por não 
haver tempo suficiente para impressionar os sentidos; pela prévia ocupação dos 
sentidos por outro objeto, não possibilitando nova impressão. Tudo isso se rela-
ciona principalmente com a vista e um pouco com o tato, que são os sentidos 
mais informativos em relação a tais objetos, enquanto os outros sentidos quase 
não dão informação, a não ser imediatamente e de objetos que lhes são próprios. 
No primeiro gênero, não há meios de se fazer redução ao sensível, a não ser que 
a uma coisa que não pode ser vista, em razão da sua distância, se acrescente ou 
se substitua outra que possa impressionar os sentidos, mesmo de longe: é o caso 
de quando se faz uso de fogueiras, sinos e coisas semelhantes para se comunicar 
alguma coisa. 
No segundo gênero, pode-se obter a redução ao sensível por meio de alguma 
coisa que se encontre na superfície de um corpo, e que revele o que se passa em 
seu interior; isso numa posição em que não é possível a observação direta, em 
vista da interposição de outras partes do referido corpo, que se não podem 
remover. E o caso do estado geral do corpo humano, que se conhece pelo pulso, 
pela urina e outros signos semelhantes. 
O terceiro e o quarto gêneros são os mais freqüentes e, por isso, é possível 
encontrar-se um grande número de exemplos. Assim, o ar, o espírito e coisas 
semelhantes, que estão em todos os corpos sutis, mas que se não podem ver, 
nem tocar. Por essa razão, o estudo desses corpos não pode prescindir das 
deduções. 
Por exemplo, tome-se para investigação a natureza da ação e do movimento do 
espírito encerrado nos corpos tangíveis. Pois não há corpo tangível sobre a terra 
que não cubra um espírito invisível, como uma veste. Aí tem origem a tríplice 
fonte tão admirável e poderosa do processo do espírito em um corpo tangível: se 
o espírito se desprende, o corpo se contrai e seca; se permanece dentro dos 
corpos, abranda-os e os torna fluidos; se não se desprende nem nele permanece 
por c ompleto, empresta forma, cria membros, assimila, digere, etc.. tornando-se 
um organismo. Todas essas coisas se manifestam aos sentidos por seus efeitos 
aparentes. 
Com efeito, em todo corpo tangível e inanimado, começa por se multiplicar, 
como que se nutrindo das portas tangíveis que são mais fáceis e estão para isso 
preparadas; assimila -as, consome-as, convertendo-as em espírito, e depois 
escapam juntos. Essa consumação e multiplicação do espírito se torna sensível 
pela diminuição de peso. Em toda dessecação, efetivamente, ocorre perda de 
uma parte da quantidade; e isso não tanto pelo espírito que aí antes se 
encontrava, posto que o espírito por si mesmo não tem peso, mas devido ao pró-
prio corpo, que antes