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uma lâmina 
de ferro colo cada entre o magneto e um outro ferro extingue a ação magnética. 
Mas voltaremos a essas questões mais demoradamente e no lugar próprio, 
quando tr atarmos dos adminículos da indução. 
XLIV 
Dissemos o que competia sobre as instâncias que ajudam os sentidos e que são 
de uso precípuo para a parte informativa. Com efeito, a informação tem início 
nos sentidos. Mas todos os assuntos se completam na prática. Acrescentamos, 
pois, aquelas instâncias que são de uso precípuo na parte operativa, que são de 
dois gêneros e em número de sete, mas costumamos chamá-las em conjunto de 
instâncias práticas. Há dois tipos de defeitos a serem corrigidos na parte 
operativa e, por isso, dois tipos de instâncias prerrogativas, a saber, a operação 
ou é falha, ou é muito onerosa. Mesmo depois de um diligente exame da 
natureza, a operação pode falhar em razão da errada valorização e medida das 
forças e das ações dos corpos. Pois bem, as ações e as forças dos corpos são 
delimitadas e medidas, ou segundo o esforço, ou segundo o tempo, ou segundo 
a quantidade, ou segundo a predominância de virtude. Quando esses quatro 
aspectos não forem considerados com diligência e probidade, certamente 
teremos ciências belamente ornadas de especulações, mas ineficazes na parte 
operativa. E as quatro instâncias que devem ser mencionadas, vamos designá-
las com o único nome de instâncias matemáticas e de instâncias de medida.230 
A operação prátic a torna-se muito onerosa, ou pela mistura de coisas inúteis ou 
pela multiplicação dos instrumentos, ou pelo peso excessivo da matéria ou das 
substâncias que intervêm na operação. Portanto, devem ser tidas como da maior 
valia as instâncias que orientam a prática para as operações que são de maior 
interesse para o homem, ou que reduzem o número dos instrumentos, ou 
poupam materiais ou ferramentas. Esses três tipos de instâncias que servem ao 
fim ora indicado, designamos com o único nome de instâncias propícias ou 
instâncias benévolas.231 Logo a seguir, trataremos detalhadamente de todas as 
sete e com isso daremos por terminadas as instân cias prerrogativas. 
XLV 
Entre as instâncias prerrogativas, colocamos em vigésimo primeiro lugar as 
instâncias da Vara 232 ou do Raio,233 a que também costumamos chamar de 
alcance 234 ou de non ultra.235 Pois, de fato, as forças e os movimentos das 
coisas não se desenvolvem em espaço indefinido ou acidental, mas em espaço 
definido e determinado; por isso, no estudo das naturezas singulares, é de 
grande importância para a prática determinar esses espaços, não só para evitar 
que venha a malograr, como também para torná-la mais ampla e eficaz. Por seu 
intermédio, às vezes, é possível aumentar artificialmente a sua força e, por 
assim dizer, aproximar as distâncias, tal como ocorre com o uso dos óculos (ou 
telescópios). 
Essas forças, em sua maioria, só agem quando há contato manifesto, como 
ocorre no choque dos corpos, onde o corpo se move comunicando o movimento 
unicamente por contato. Também nas medicinas para aplicação externa, como 
os ungüentos, os emplastros, exercem as suas forças através do contato. Enfim, 
os objetos não são percebidos quando ficam pelo menos em continuidade com 
os órgãos respectivos. 
Há ainda outras forças ou virtudes que operam a distância e até agora só 
algumas poucas foram notadas, embora muito mais numerosas do que se possa 
pensar. Como, para citar exemplos comuns, o âmbar e o azeviche, que atraem 
felpas; as bolhas de água, que aproximadas se fundem; algumas medicinas 
purgativas arrastam os humores das partes superiores do corpo, etc. E, ao 
contrário, a virtude magnética, pela qual o magneto atrai o ferro, o magneto 
atrai o magneto, atua num limite circunscrito do espaço; enquanto que, por seu 
turno, a virtude magnética, que emana da terra, um pouco abaixo da superfície, 
fazendo a agulha do ferro voltar-se para o pólo, age a grande distância. 
Se há uma força magnética que atua, por consenso, entre o globo terrestre e os 
corpos pesados, ou entre o globo da lua e as águas do mar (que seria de se supor 
em vista dos fluxos e refluxos quinzenais), ou entre o céu estrelado e os 
planetas, pela qual são levados aos seus apogeus; se assim for, essa força atua a 
uma enorme distância. Há ainda matérias que se incendeiam a grande distância, 
como se diz da nafta da Babilônia.236 Também a comunicação do calor, como a 
do frio, se cumpre a grande distância. Por exemplo, os habitantes do Canadá 
sentem de longe o frio que emana dos blocos de gelo, que se desprendem e que 
flutuam no oceano Atlântico, em direção às suas praias. O mesmo se pode dizer 
dos odores de pontos longínquos (embora em tais casos ocorra a emissão de 
corpúsculos) e disso têm prova os que navegam próximo às costas da Flórida ou 
de certas regiões da Espanha, com os odores que se desprendem dos bosques de 
limoeiros, laranjeiras e outras árvores aromáticas, ou de área coberta de árvores 
aromáticas, como alecrim, manjerona e plantas semelhantes. Finalmente, sejam 
lembrados os raios de luz e os sons que agem a grandes distâncias. 
Todavia, todas essas forças, atuem a grande ou a pequena distância, certamente 
agem a distâncias limitadas e determinadas segundo sua natureza, de modo que 
constituem algo de não mais; e isso em proporção à massa ou à quantidade do 
corpo, à força ou a pouca intensidade da virtude, bem como aos corpos 
interpostos que a impedem ou auxiliam, tudo deve ser calculado e anotado. 
Também a mistura dos chamados movimentos violentos, como os de projéteis, 
canhões, rodas e coisas semelhantes, tem os seus movimentos fixos, pelo que 
também devem ser anotados com precisão. 
Há, por outro lado, movimentos ou virtudes que agem melhor a distância que 
por contato, e ainda outros que operam com maior intensidade de longe que de 
perto. Por exemplo, a vista não funciona bem por contato, exigindo certo meio e 
distância. Isso a despeito de termos ouvido de alguém digno de fé que, enquanto 
era operado de catarata por um cirurgião (pela introdução de uma agulha de 
prata sob a córnea do olho, para desprender a película que forma a catarata e 
empurrá-la para um dos cantos do olho), via claramente a agulha movendo-se 
diante da pupila. De qualquer maneira, parece manifesto que os corpos maiores 
não podem ser distinguidos claramente senão no vértice do cone formado pelos 
raios que partem dos objetos a uma certa distância do olho; dessa forma, os 
velhos vêem melhor de longe que de perto. No caso dos projéteis, eles são mais 
fortes de longe que de perto. Este e outros exemplos, a propósito da medida dos 
movimentos, em relação à distância, devem ser anotados. Mas não pode ser 
desprezado um outro modo de se misturar os movimentos especiais. Não se 
trata dos movimentos lineares, progressivos, mas esféricos, ou seja, que se 
expandem em uma esfera maior, ou que se contraem em uma esfera menor. 
Com efeito, é necessário que se investigue em tais medidas de movimentos qual 
é o grau de compressão ou extensão que os corpos, segundo sua natureza, 
suportam facilmente e sem violência, e em que grau começam a resistir até que 
não a güentam um não mais além, será o caso se se comprimir uma bexiga cheia, 
que suporta certa compressão de ar, mas, se aumentada, a bexiga não suporta e 
se rompe. 
Procuramos, com um experimento delicado, e com mais exatidão, esse mesmo 
fenômeno. Tomamos uma campânula de metal, muito fina e leve, como as que 
se usam para saleiro; submergimo-la em uma cuba com água, de tal maneira a 
levar consigo ao fundo o ar encerrado em seu bojo. Colocamo-la lá no fundo, 
sobre um pequeno globo, antes já mergulhado, e obtivemos os seguintes dois 
resultados: