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DisciplinaFilosofia e Ética2.510 materiais75.264 seguidores
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celeste, etc. Os primeiros movimentos enumerados, por sua 
vez, são meramente lógicos e escolásticos, como fica manifesto, ao serem 
comparados com estes últimos. 
Não é menos ruinoso que em suas filosofias e especulações os seus esforços se 
consumam na preocupação e na investigação dos princípios e das causas últimas 
da natureza, pois toda a possibilidade e utilidade operativa se concentram nos 
princípios intermediários. A conseqüência disso é que os homens não cessam de 
fazer abstrações sobre a natureza, ate atingir a matéria potencial e informe; nem 
cessam de dissecá-la até chegar ao átomo. Tudo isso, ainda que correspondesse 
à verdade, pouco serviria ao bem-estar do homem. 
LXVII 
Também se deve acautelar o intelecto contra a intemperança dos sistemas 
filosóficos no livrar ou coibir o assentimento, porque tal intemperança concorre 
para firmar os ídolos, e, de certo modo, os faz perpétuos, sem possibilidades de 
remoção. 
Há no caso um duplo excesso: o primeiro é o dos que se pronunciam 
apressadamente, convertendo a ciência em uma doutrina positiva e doutoral; e 
outro é o dos que introduziram a acatalepsia e tornaram a investigação vaga e 
sem um termo. O primeiro deprime, o segundo enerva o intelecto. Assim, a 
filosofia de Aristóteles, depois de destruir outras filosofias (à maneira dos 
otomanos, com seus irmãos) com suas pugnazes refutações, pronunciou-se 
acerca de cada uma das questões. Depois, inventou ele mesmo, ao seu arbítrio, 
questões para as quais a seguir apresentou soluções, e dessa forma tudo ficou 
definido e estabelecido e é o que passou a ser atendido ainda hoje por seus 
sucessores. 
A escola de P latão, de sua parte, introduziu a acatalepsia, a princípio como ardil 
e ironia, por desprezo para com os velhos sofistas, Protágoras, Hípias e os 
demais, os quais nada temiam mais que aparentar terem dúvidas a respeito de 
algo. Mas a Nova Academia transformou a acatalepsia em dogma e dela fez 
profissão. E, ainda que esta seja uma atitude mais moderada que a dos que se 
achavam no direito de se repronunciarem sobre tudo já que os acadêmicos 
dizem que não pretendem confundir a investigação (como o fizeram P irro e os 
céticos) e que se limitam ao provável, quando de fato nada aceitavam como 
verdadeiro \u2014, contudo, quando o espírito humano se desespera da busca da 
verdade, o seu interesse por todas as coisas se torna débil; daí resultando que os 
homens passam a preferir as disputas e os discursos amenos, distantes da 
realidade, em vez de se comprometerem com rigor na investigação. Contudo, 
como dissemos a principio e sustentamos sempre, os sentidos e o intelecto 
humano, pela sua fraqueza, não hão de ser desmerecidos em sua autoridade, 
mas, ao contrário, devem ser providos de auxílios. 
LXVIII 
Já falamos de todas as espécies de ídolos e de seus aparatos. Por decisão solene 
e inquebrantável todos devem ser abandonados e abjurados. O intelecto deve ser 
liberado e expurgado de todos eles, de tal modo que o acesso ao reino do 
homem, que repousa sobre as ciências. possa parecer-se ao acesso ao reino dos 
céus, ao qual não se permite entrar senão sob a figura de criança.2 6 
LXIX 
As demonstrações falhas são as fortificações e as defesas dos ídolos. E as que 
nos ensina a dialética não fazem muito mais que subordinar a natureza ao 
pensamento humano e o pensamento humano às palavras. As demonstrações, na 
verdade, são como que filosofias e ciências em potência, porque, conforme 
sejam estabelecidas mal ou corretamente instituídas, assim também serão as 
filosofias e as especulações. Errados e incompetentes são os que seguem o 
processo que vai dos sentidos e das coisas diretamente aos axiomas e as 
conclusões. Esse processo consiste de quatro partes e quatro igualmente são 
seus defeitos. Em primeiro lugar. as próprias impressões dos sentidos são 
viciosas; os sentidos não só desencaminham como levam ao erro É pois 
necessário que se retifiquem os descaminhos e se corrijam os erros. Em segundo 
lugar, as noções são mal abstraídas das impressões dos sentidos, ficando 
indeterminadas e confusas. quando deveriam ser bem delimitadas e definidas. 
Em terceiro lugar. é imprópria a indução que estabelece os princípios das 
ciências por simples enumeração, sem o cuidado de proceder àquelas exclusões, 
resoluções ou separações que são exigidas pela natureza. Por último, esse 
método de invenção e de prova, que consiste em primeiro se determinarem os 
princípios gerais e, a partir destes, aplicar e provar os princípios intermediários, 
é a matriz de todos os erros e de todas as calamidades que recaem sobre as 
ciências. Mas desse assunto, que tocamos de passagem, trataremos mais 
amplamente quando propusermos o verdadeiro método de interpretação da 
natureza, depois de cumprida esta espécie de expiação e purgação da mente. 
LXX 
A melhor demonstração é de longe, a experiência, desde que se atenha 
rigorosamente ao experimento. Se procuramos aplicá-la a outros fatos tidos por 
semelhantes, a não ser que se proceda de forma correta e metódica, é falaciosa. 
Mas o modo de realizar experimentos hoje em uso é cego e estúpido. Começam 
os homens a vagar 27 sem rumo fixo, deixando-se guiar pelas circunstâncias; 
vêem-se rodeados de uma multidão de fatos, mas sem qualquer proveito; ora se 
entusiasmam, ora se distraem; presumem sempre haver algo mais a ser 
descoberto. Dessa forma, ocorre que os homens realizam os experimentos 
levianamente, como em um jogo, variando pouco os experimentos já 
conhecidos e, se não alcançam resultados, aborrecem-se e põem de lado os seus 
desígnios. E mesmo os que se dedicam aos experimentos com mais seriedade, 
tenacidade e esforço acabam restringindo o seu trabalho a apenas um 
experimento particular. Assim fez Gilbert com o magneto, e os alquimistas com 
o ouro. Um tal modo de proceder é tão inexperto quanto superficial, pois 
ninguém investiga com resultado a natureza de uma coisa apenas naquela 
própria coisa: é necessário ampliar a investigação até as coisas mais gerais.2 8 
E mesmo quando conseguem estabelecer formulações científicas ou teóricas, a 
partir dos seus experimentos, demonstram uma disposição intempestiva e 
prematura de se voltarem para a prática.29 Procedem dessa forma não apenas 
pela utilidade e pelos frutos que essa prática propic ia, como também para obter 
uma certa garantia de que não serão infrutíferas as investigações subseqüentes e, 
ainda, para que as suas ocupações sejam mais reputadas pelos demais. Por isso 
acaba acontecendo com eles o que aconteceu a Atalanta:3 0 desviam-se de seu 
caminho, para recolherem os frutos de ouro, interrompendo a corrida e deixando 
escapar a vitória. Para se topar com o verdadeiro caminho da experiência e a 
partir daí se conseguir a produção de novas obras, é necessário tomar como 
exemplos a sabedoria e a ordem divinas. Deus, com efeito, no primeiro dia da 
criação criou somente a luz, dedicando-lhe todo um dia e não se aplicando nesse 
dia a nenhuma obra material. Da mesma forma, em qualquer espécie de 
experiência, deve-se primeiro descobrir as causas e os axiomas verdadeiros, 
buscando os axiomas lucíferos e não os axiomas frutíferos.31 Pois os 
experimentos, quando corretamente descobertos e constituídos, informam não a 
uma determinada e estrita prática, mas a uma série contínua, e desencadeiam na 
sua esteira bandos e turbas de obras. Mais adiante falaremos dos verdadeiros 
caminhos da experiência, que, por sua vez, não se encontram menos obstruídos 
e interceptados que os do juízo; por ora falaremos da experiência vulgar. 
considerando-a como uma má espécie de demonstração. Mas, para o momento, 
a ordem das coisas exige que falemos algo mais acerca dos