Direito Penal - 2008-Bimestre - 3-4 Bimestres
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Direito Penal - 2008-Bimestre - 3-4 Bimestres

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o primeiro aumento, sobre esse incidirá o aumento em razão do concurso de crimes.

Relembrando: concorrência entre causas de diminuição: encontrada o quantum em razão da primeira diminuição, a segunda recai sobre essa operação; portanto diferente das causas de aumento concorrentes. Nas causas de diminuição há o efeito cascata, ou seja, um sobre o outro.

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PONTO VI - CONCURSO DE CRIMES

Considerações:

Quando várias pessoas praticam um crime, há o chamado Concurso de Agentes; porém, quando um indivíduo comete dois ou mais delitos, surge o Concurso de Crimes (“Concursus Delictorum”).

É possível que o fato apresente concurso de agentes e de crimes. É o caso de duas ou mais pessoas sem concurso, praticarem dois ou mais crimes.

Quando existe pluralidade ações, o caso é de Concurso de Crimes.

Espécies de Concurso:

O concurso de crimes pode ser:

Concurso Material (art. 69 – CP �).

Concurso Formal (art. 70 – CP �).

Crime Continuado (art. 71 – CP �).

a) Concurso Material ou Real (art. 69 – CP 210).

É integrado por várias ações ou omissões constituindo crimes. Portanto, pressupõe:

Mais de uma ação ou omissão

Dois ou mais crimes idênticos ou não.

Os termos da ação e o da omissão devem ser tomados no sentido de conduta. Por exemplo: um agente subtrai uma dúzia de frutas do pomar do vizinho. Cometeu doze atos, mas uma só conduta. Responde por um só crime de furto. Outro exemplo, sujeito desfere vários golpes na vítima. Há um só comportamento e crime único.

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Espécies de Concurso Material

Homogêneo: quando os crimes são idênticos, ou seja, estão previstos na mesma figura típica. Exemplo: sujeito pratica um crime de homicídio contra “A”, e na seqüência, mata “B” que era testemunha do fato.

Heterogêneo: quando os crimes não são idênticos, ou seja, estão previstos em figuras típicas diversas. Exemplo: Furto e estupro.

Aplicação da pena – art. 69 – CP �
As penas são cumuladas, ou seja, somadas. Assim, se como furto e estupro, as penas privativas de liberdade devem ser somadas. Porém a duração das penas obedece ao art. 75 – CP �: não pode exceder a 30 anos de cumprimento, o que não implica em fixar a pena acima dos 30 anos. EXCEÇÃO: art. 9º da Lei dos Crimes Hediondos (Lei 8072/90) onde o juiz não pode fixar além dos 30 anos..

O Juiz antes de somar as penas, precisa individualizar e motivar cada pena, para que se saiba qual foi a sanção de cada crime. Se não explicitar, a sentença é nula.

b) Concurso Formal ou Ideal – art. 70 – CP �
Ocorre quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes. Difere do concurso material pela unidade de conduta.

Concurso material: sujeito comete dois ou mais crimes por meio de duas ou mais condutas.

Concurso formal: sujeito comete dois ou mais delitos por meio de uma só conduta omissiva ou comissiva.

Espécies:

O concurso formal pode ser:

Homogêneo – quando os crimes se encontram descritos pela mesma figura típica, havendo diversidade de sujeitos passivos. Exemplo: Sujeito “A” atira em “B”, mas vem alcançar “C”, matando ambos.

Qual é a figura típica? Homicídio contra “B” e contra “C”. Portanto, a mesma figura típica, Há uma homogeneidade.

Heterogêneo: quando os crimes se acham definidos em normas penais diversas. Exemplo: individuo contaminado de moléstia venérea estupra uma mulher virgem, expondo-a a perigo de contágio. Qual o bem jurídico atingido? A liberdade sexual e a saúde – crime de estupro (art. 213 – CP �) e de perigo para a vida ou à saúde de outrem (art. 132 – CP �).

Além das espécies homogêneo e heterogêneo, o concurso formal ainda pode ser:

Perfeito (art. 70, “caput”, 1ª parte – CP �). É o próprio conceito do concurso formal. Unidade de comportamento e pluralidade de crimes. O agente tem em vista um só fim.

Imperfeito. Trata-se de uma questão subjetiva. Os desígnios são um só externamente, porém, perante a consciência e a vontade do agente não são um só.
O que é desígnio: É um programa ou plano de ações ou de omissões, firme, determinado e concreto, que o agente ideou e que pretende realizar sucessivamente em tempos e/:ou em lugares diversos.

Então: Quando há uma unidade de desígnios é como se cada crime constituísse fase de execução de um só comportamento.

Quando há desígnios autônomos, o sujeito pretende praticar não só um crime, mas vários, tendo consciência e vontade em relação a cada um deles, considerado isoladamente.

No exemplo que demos antes: O sujeito portador de doença venérea estupra mulher com dupla finalidade: 1) satisfazer o instinto sexual e, 2) transmitir a doença venérea de que está contaminado. Externamente, é uma só conduta, mas para a consciência e vontade do sujeito não é, não é única a conduta. Isto implica na cominação da pena, ou seja, nesse caso, ao invés do aumento, as penas são cumuladas, somadas – art. 70, 2ª parte – CP 218.

Exemplo: Perfeito – 1ª parte – art. 70 – CP 218. Sujeito coloca dois indivíduos em fila e atira no primeiro, de modo que venha a alcançar também o segundo. Mata os dois. – crimes idênticos – aplica uma pena de homicídio, aumentada. Outro exemplo: mesma ação, mata o primeiro e fere o segundo. Pena: mais grave, mais o aumento.

Parágrafo único do art. 70 – CP 218:

O Legislador criou este parágrafo visando que o sujeito ativo não fosse prejudicado. Exemplo: sujeito pratica homicídio simples e uma lesão corporal leve em concurso formal. Uma só ação e dois crimes.

Aplicado o princípio do concurso ideal (formal), como ficaria? Vamos lá!

Art. 121 – CP � – Pena: reclusão de 6 a 20 anos.

O Juiz então aplica a pena mínima = 6 anos.

Diz a regra: Aplica a mais grave aumentada de 1/6 até a metade.

Digamos que o réu é primário, possui bons antecedentes etc.

Então, fica 6 anos (pena mínima), mais 1/6 (que é menos que a metade). 1/6 de 6 anos = 1 ano.

Portanto, pena final = 7 anos de reclusão!

Agora : se aplicarmos a pena de acordo com o concurso material, como é que fica? Art. 69 – CP �. Aplica-se cumulativamente (somam-se) a pena do homicídio mais a pena da lesão corporal. Vamos lá:

art. 121 – CP � – pena = 6 anos + art. 129 – CP � – pena = 3 meses.

Total = 6 anos e 3 meses.

Daí a razão do parágrafo único do art. 70 – CP �. A pena aplicada não pode ser superior à que seria cominada se fosse caso de concurso material.

Portanto, o Juiz antes de tornar a pena definitiva, no concurso formal deve verificar se ela não ultrapassa o “quantum” se fosse aplicada a regra do concurso material. (há autores que chamam essa hipótese do parágrafo único do art. 70 – CP 223 de Concurso Material Benéfico).

c) Crime Continuado – art. 71 – CP �

O crime continuado se assemelha ao concurso material. Há duas teorias a respeito da conceituação do crime continuado.

Teoria objetivo-subjetiva – o crime continuado exige, para sua identificação, além dos elementos de ordem objetiva, outro de ordem subjetiva, que é: unidade de dolo e unidade de desígnio.

Teoria puramente objetiva – dispensa a ideação subjetiva do sujeito e deduz o conceito das condutas continuadas dos elementos exteriores.

O Código Penal adotou a teoria objetiva – Exposição de Motivos da Parte Geral, item 59. Pelo art. 71, “Caput” 224, basta que os crimes da mesma espécie apresentem semelhança em seus elementos. Só que dificilmente o Juiz, para afastar o concurso material, ou seja, para saber se a conduta se amolda ao crime continuado ou do concurso material, deixará de apreciar o elemento subjetivo do agente. Temos decisões nos dois sentidos – a amplamente majoritária acata a teoria objetiva.

Requisitos:

Pluralidade de ações ou omissões

Pluralidade de delitos da mesma espécie

Continuação, já que os delitos posteriores devem continuar o primeiro.

Unidade de desígnio – para quem adota a teoria objetivo-subjetiva.

Exemplo: sujeito mantém vítima em cárcere privado; esta consegue fugir em determinado momento, porém, vem a ser perseguida e recapturada pelo agente ativo, que a coloca novamente em cárcere privado. (vejam: temos todos os requisitos!)

Conceito de Crimes da Mesma Espécie:

São os previstos no