Direito Penal - 2008-Bimestre - 3-4 Bimestres
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Direito Penal - 2008-Bimestre - 3-4 Bimestres

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mesmo tipo penal. Aqueles que possuem os mesmos elementos descritivos da mesma espécie. São os que possuem as mesmas elementares, não importando que os delitos componentes sejam tentados ou consumados, simples, privilegiado ou qualificado. São crimes da mesma espécie e não do mesmo gênero. Por exemplo: furto e apropriação indébita – são delitos do mesmo gênero (contra o patrimônio), mas não são da mesma espécie. Portanto, entre eles não pode haver continuação. Embora exista posições contrárias, como Magalhães Noronha que entende que pode haver continuação entre crimes que não apresentam as mesmas elementares.

Homogeneidade das circunstâncias

Além de crimes da mesma espécie, exige-se para o crime continuado, que ocorra semelhança entre as circunstâncias de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes. Para a configuração do crime continuado, não é suficiente a satisfação das circunstâncias objetivas homogêneas. Exige-se além disso, que os delitos tenham sido praticados pelo sujeito aproveitando-se das mesmas relações e oportunidade ou com a utilização de ocasiões nascidas da primitiva situação. Portanto, não é suficiente a satisfação das circunstâncias objetivas homogêneas, ou seja, crimes da mesma espécie. Exemplo do agente que durante sua relação de emprego furta várias vezes o mesmo patrão. Outro exemplo, sujeito em uma só noite furta vários escritórios, da seguinte maneira: entra em um prédio visando determinado escritório, ao sair percebe que nos andares abaixo as porta estão abertas. Comete novos furtos continuados.

Conexão temporal

Jurisprudência dominante nos tribunais de São Paulo exige que os crimes não tenham sido cometidos em período superior a um mês (entre um e outro).

Fator espacial

É o dominante o entendimento de admitir continuação entre crimes cometidos em cidades próximas. Por exemplo: São Paulo e Osasco.

Crime continuado específico – Art. 71, § único – CP �
Além dos requisitos gerais do crime continuado comum, há mais três condições específicas:

Crimes dolosos. As infrações não podem ser culposas.

Contra vítimas diferentes. Se for uma só vítima, a hipótese será a do crime continuado comum.

Com violência ou grave ameaça à pessoa. A violência é a física contra a pessoa.

Aplicação da pena

No crime continuado comum, está claro, o aumento varia de um sexto até dois terços. No crime continuado específico, o aumento permitido máximo é o triplo.

E o mínimo? Usa-se o mínimo do comum, ou seja, de um sexto.

Limite da pena: Embora o aumento possa chegar até o triplo da pena, esta não pode ser maior do que seria se as penas fossem cumuladas (art. 70 – CP �) e superior a 30 anos para seu cumprimento.

Reiteração Criminosa

Reiteração e habitualidade é a habitualidade incompatível com a continuidade delitiva. Exemplo: caso do justiceiro mentor de vários homicídios; reiteração de roubos em datas próximas. Por si só não justificam continuidade. É necessário que haja uma ligação entre eles.

� CP – Do Concurso de Pessoas - Art. 29. Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas na medida de sua culpabilidade. §1º - Se a participação for de menor importância, a pena poder ser diminuída de um sexto a um terço. §2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave.

CP – Do Concurso de Pessoas – Circunstâncias Incomunicáveis – Art. 30. Não se comunicam as circunstancias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime.

CP – Do Concurso de Pessoas – Casos de Impunibilidade – Art. 31. O ajuste, a determinação ou instigação e o auxilio, salvo disposição expressa em contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado.

� CP – Da Sedução e da Corrupção de Menores – Corrupção de menores – Art. 218. Corromper ou facilitar a corrupção de pessoa maior de quatorze anos e menor de dezoito anos, com ela praticando ato de libidinagem, ou induzindo-a a praticá-lo ou presenciá-lo: Pena – reclusão, de um a quatro anos.

� CP – Do Lenocínio e do Tráfico de Pessoas – Mediação para servir a lascívia de outrem – Art. 227. Induzir alguém a satisfazer a lascívia de outrem: Pena – reclusão, de um a três anos.

� CP – Do Lenocínio e do Tráfico de Pessoas – Favorecimento da prostituição – Art. 228. Induzir ou atrair alguém à prostituição, facilitá-la ou impedir que alguém a abandone: Pena – reclusão, de dois a cinco anos.

� CP – Da Rixa – Rixa – Art. 137. Participar de rixa, salvo para separar os contendores: Pena – detenção, de quinze dias a dois meses, ou multa.

� CP – Dos Crimes contra a Paz Pública – Quadrilha ou bando – Art. 288. Associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de cometer crimes: Pena – reclusão, de um a três anos.

� CP – Dos Crimes contra o Casamento – Bigamia – Art. 235. Contrair alguém, sendo casado, novo casamento: Pena – reclusão, de dois a seis anos.

� CP – Dos Crimes contra o Casamento – Simulação de casamento – Art. 240. Revogado. Lei nº 11.106 de 28/03/2005. Observação: O crime de adultério estava previsto no art. 240 do Código Penal e tinha por objeto jurídico da tutela penal “a organização jurídica da família e do casamento”. Mesmo reconhecendo a importância da proteção jurídica da família e do casamento, é de se concluir que hoje não mais se justifica a proteção penal outorgada pelo legislador de 1940. Os principais pontos do Código Penal reformados pela recente Lei 11.106, de 28 de março de 2005, são os seguintes: Eliminação do delito de adultério: o crime de adultério estava previsto no art. 240 do CP e foi revogado (Art. 240 – CP: Cometer adultério: Pena - detenção, de quinze dias a seis meses. § 1º Incorre na mesma pena o co-réu.). Mais um caso de abolitio criminis. Praticamente já não se via condenação penal por esse dispositivo. Era uma hipótese de “revogação” da lei (isto é, não uso, não incidência) pelos costumes (leia-se: a sociedade brasileira já não acreditava na eficácia do Direito Penal para evitar o adultério). Juridicamente não se pode afirmar que os costumes revogam a lei. Mas é certo que pode colocá-la em desuso. Era o art. 240 do CP, ademais, exemplo de ação penal privada personalíssima (porque somente a vítima e ninguém mais podia agir em juízo para processar o agente). Em boa hora o legislador penal revogou o delito de adultério, que encontra melhor atenção no âmbito do Direito civil. Porém, apesar de não mais ser tido como crime o fato "adultério", o cônjuge traído pode ainda se ver, de certa forma, compensado pelo dano moral sofrido. Não mais com a prisão do cônjuge ofensor, mas com a diminuição no seu patrimônio (o que pode configurar uma sanção ainda mais eficaz). Ora, o "crime de adultério" tinha uma pena simbólica prevista para o culpado que variava de 15 (quinze) dias a 6 (seis) meses de detenção. Essa pena não surtia efeito algum e nunca se via alguém efetivamente condenado. Agora, se o cônjuge infiel se ver compelido a pagar indenização ao traído, isso com certeza será mais eficaz.

� CP – Do Concurso de Pessoas - Art. 29. Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas na medida de sua culpabilidade. §1º - Se a participação for de menor importância, a pena poder ser diminuída de um sexto a um terço. §2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave.

� CP – Da Aplicação da Pena – Agravantes no caso de concurso de pessoas – Art. 62. A pena será ainda agravada em relação ao agente que: I – promove, ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos demais agentes; II – Coage ou induz outrem à execução material do crime; III – Instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua autoridade ou não-punível em virtude de condição ou qualidade pessoal; IV – executa o crime, ou nele participa,