Direito Penal - 2008-Bimestre - 3-4 Bimestres
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Direito Penal - 2008-Bimestre - 3-4 Bimestres

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1º �, art. 235 – CP

Arts 333 � e 317 � – CP

Arts 342 � e 343 � – CP

5 - Natureza Jurídica da Participação

a) Teoria Causal:

Parte do princípio da equivalência dos antecedentes causais. Se todos os co-delinqüentes são causas do crime, não há como fazer distinção entre autores e partícipes. Não há distinção entre delinqüente principal e acessório.

b) Teoria da Acessoriedade:
A participação é acessória de um fato principal.

Atos de participação não integram elemento algum de realização da figura típica, não sendo puníveis por si mesmo.

A punibilidade passa a ser uma acessão à punição do fato do autor.

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Questão: O crime é imputado a quem realiza a conduta descrita na norma penal. Como então, punir o que apenas assessora o autor do delito?

Ex.: “A” instiga “B” a matar “C” – “B”, logo após, mata “C”.

Quem cometeu o crime?

“A” cometeu algum crime? – Realizou alguma ação descrita como crime?

Como punir “A”?

Resposta: A resposta está na Teoria da Adequação Típica, que tem a forma:

Adequação Típica de Subordinação Imediata – o comportamento se amolda (se encaixa) ao preceito primário da norma incriminadora.

Adequação Típica de Subordinação Mediata (indireta) ou Adequação Típica de Subordinação Ampliada: O comportamento do sujeito não se amolda à descrição de algum tipo penal (no exemplo: instigar alguém a praticar homicídio, não é crime). Há a necessidade de outro dispositivo para o enquadramento. É o caso do art. 29 – CP �– norma de expansão (de extensão) – a conduta, inicialmente atípica de “A” se torna típica.

Há 4 (quatro) Teorias de acessoriedade:

Acessoriedade Mínima: Basta que a conduta do partícipe aceda (aceder=concordar) a um comportamento principal que constitua fato típico (o que é fato típico?) – não há exigência que o fato seja antijurídico. Ex.: “A” induz “B” a agir em legítima defesa. “B” mata “C” em legítima defesa ( “A” vai responder por crime e “B” não irá – não pode ser aceita.

Acessoriedade Extrema ou Máxima: Exige que a conduta principal seja um fato típico, antijurídico e culpável. Caso de questão da OAB: o menor é inimputável, e sendo inimputável, a conduta principal não é culpavel. Não sendo culpável, não há como punir o partícipe, ou seja, o partícipe ficaria impune por sua conduta, mesmo tendo-a feito sabendo que o menor praticaria o furto.

Teoria da Hiperacessoriedade: O fato principal deve ser típico, ilícito, culpável e punível. Ex.: Filho maior furta pai ( fato típico, ilícito, ocorrência de culpa, mas não punível (art. 181, II – CP � – caso de Escusa Absolutória). Se alguém tivesse instigado o filho, esse alguém não poderia responder pelo crime como partícipe.

Teoria da Acessoriedade Limitada: Utilizada pelo nosso direito – para a punibilidade do partícipe, basta que a conduta do autor constitua um fato típico e ilícito. Assim, no caso da questão da OAB, o partícipe poderia ser punido. O menor cometeu um fato típico e ilícito, e portanto, por adoção desta teoria limitada, o partícipe pode ser punido.

REMEMORAÇÃO

Autor: Quem integraliza a ação típica diretamente ou através de outrem (autoria mediata).

Co-Autor: É quem integraliza em conjunto com outrem e com unidade de vontades, a figura típica ou, aquele que embora não tenha realizado a ação descrita no tipo penal, tem o domínio do fato no momento da execução. Ex. 1: sujeito segura a vítima para que o outro mantenha conjunção carnal contra a vontade da vítima. Ex. 2: Dois sujeitos em um roubo à banco – enquanto um mantém o segurança sob a ameaça da arma de fogo, o outro recolhe o dinheiro do caixa.

Partícipe: Ocorre quando o sujeito, não praticando atos de execução do crime, concorre de qualquer modo para a sua realização (art. 29 – CP �). Ele não tem poder diretivo sobre o crime, sendo apenas um colaborador. Ex. 1: Sujeito que tem em seu poder armamento e o empresta aos demais integrantes para um determinado roubo. Ex. 2: O empregado doméstico que passa as informações sobre os hábitos do dono da residência, para que o restante da quadrilha promova seu seqüestro.

Qual a importância da distinção entre Autor e Partícipe?
R.: Vai influir na fixação da pena. O art. 29 – CP, última parte 20 (na medida da culpabilidade), e § 1º do mesmo art. 29 20, dão a dimensão da utilização pelo juiz dos dados referentes à conduta do agente no caso de concurso de pessoas.

6 – Circunstâncias Incomunicáveis (art. 30 – CP �)
Art. 30: “Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime”.

Interpretação das expressões contidas na descrição:
 Circunstâncias: São dados acessórios que, agregados ao crime, têm função de aumentar ou diminuir a pena. Não interferem na qualidade do crime. Encontram-se na Parte Geral e na Parte Especial do CP. Ex. 1: art. 155 – “Furto simples; se esse mesmo furto for praticado durante o repouso noturno, surge uma circunstância que representa uma causa de aumento (durante o repouso noturno)” – (art. 155 – CP �). Ex. 2: Art. 121 – “homicídio simples; se existir uma circunstância de ter sido ele cometido sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação do ofendido, surge uma causa de diminuição da pena” – (art. 121 – CP �). Portanto, circunstâncias são acessórios que circundam o crime.
 Condições de caráter pessoal: São as relações do sujeito com o mundo exterior e com outras pessoas ou coisas, como as de estado civil, de parentesco, emprego etc..

 Elementares: São os elementos típicos do crime. Componentes fundamentais para a existência do crime. Ex. 1: Art. 155, Caput – se a conduta do sujeito não for a retirada da coisa contra a vontade da vítima, o fato atípico; ou ainda, se a subtração, embora existindo contra a vontade da vítima, mas a finalidade é apenas de uso, estará faltando um elemento no crime. Ex. 2: Art. 312 – CP �, Peculato: se a apropriação não for efetuada por funcionário público, o crime se transforma, em tese, em apropriação indébita (art. 168 – CP �).

 As Circunstâncias e as Elementares podem ou não se comunicar:

Circunstâncias Subjetivas ou de Caráter Pessoal: dados inerentes à pessoa de determinado concorrente não se estendem aos fatos cometidos pelos outros participantes. Dizem respeito ao agente e não ao fato. Ex.: reincidência (art. 61, I, CP �); a menoridade; a maioridade senil (maior de setenta anos na data do julgamento – art. 65, I, 2ª parte �); o parentesco do autor com o ofendido (cônjuge, ascendente, descendente). Tal circunstância não se comunicará, em hipótese alguma, ainda que o outro ou outros agentes tenham conhecimento.
Circunstâncias Objetivas: Relacionam-se com o fato e não com o agente. Ex.: os meios empregados para a prática do crime (arma, veneno, fogo etc.); os meios empregados no modo de execução (emboscada, traição etc.); a qualidade da coisa (bem público, pequeno valor etc.); qualidade da vítima (criança, velho, mulher grávida – art. 62, II, “h”�). Estas circunstâncias se comunicam desde que tenham entrado na esfera de conhecimento do partícipe ou do co-autor.
Portanto, de forma diferente das Circunstâncias Subjetivas, estas Circunstâncias Objetivas não tem relação com o agente ativo do delito. O que se considera para efeitos de incidência da ação do agente é o fato delituoso e suas circunstâncias, assim como os meios e modos de execução.

Ex.: Sujeito “A”, casado, sabe que a mulher está grávida e quer provocar um aborto. Convida “B” para ajudá-lo a dar uma “surra” na mulher, sob a alegação que ela o está traindo e omite o estado gravídico da mulher. Ao chegarem no local em que a vítima se encontrava, passaram a espancá-la, observando-se que a mesma não trazia sinais aparentes de gravidez. Em razão dos ferimentos provocados, ocorre o aborto (art. 125 – CP �). Neste caso, “A” responderá pelo crime de aborto, enquanto “B” responderá pelas lesões corporais, não se comunicando o crime de aborto. CASO o sujeito “B” soubesse de estar a mulher grávida, aí sim haveria a comunicação da circunstância do crime de aborto, e ambos seriam penalmente responsáveis, em co-autoria, pelo