Direito Penal - 2008-Bimestre - 3-4 Bimestres
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Direito Penal - 2008-Bimestre - 3-4 Bimestres

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crime de aborto.

Na situação em que ambos sabiam do estado gravídico da mulher, teríamos:

“A”: responderia pelo crime de aborto com a agravante do art. 61, II, “e”, última figura �, do CP (crime praticado contra o cônjuge).

“B”: responderia pelo crime de aborto em co-autoria , sem a agravante imputada ao sujeito “A”.

Não confundir com a agravante do Art. 61, II, “h”, última figura (mulher grávida). No crime de aborto, “mulher grávida” é elementar do crime (não existe crime de aborto sem mulher grávida), e, portanto, não pode ser causa de aumento, sob pena de o sujeito responder duas vezes pelo mesmo fato “NE BIS IN IDEM”. Ninguém pode ser punido duas vezes pelo mesmo fato. A agravante de mulher grávida serve para outros crimes, como por exemplo, caso de crime de Lesão Corporal (Art. 129 – CP) provocada em mulher grávida.

Elementares, sejam de caráter objetivo ou pessoal, comunicam-se entre os fatos cometidos pelos participantes desde que tenham ingressado na esfera de seu conhecimento: Qualquer elemento que integra o fato típico fundamental comunica-se a todos os concorrentes.

Ex. 1: Funcionário público que comete o crime de peculato (art. 312 – CP �), com a participação de um outro elemento não funcionário público. A elementar de natureza pessoal (funcionário público) comunica-se com o partícipe, desde que este saiba da qualidade de funcionário público do autor.

Ex. 2: “A”, solteiro, induz o sujeito “B”, casado, a praticar crime de bigamia (art. 235 – CP �). Ambos respondem por bigamia, embora o sujeito “A” não seja casado. Lembrando é necesário o conhecimento por parte de “A”, que “B” era casado. Caso contrário ocorreria a punição por responsabilidade penal objetiva, o que não é aceito por nossa doutrina.

7 – Casos de Impunibilidade (art. 31 – CP �)

Participação Impunível: A ressalva “salvo disposição em contrário”, diz respeito aos casos em que o ajuste, a determinação são puníveis como delitos autônomos. Ex.: Art. 286 � e 288 �, CP.

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Da Co-Autoria – Exposição de Motivos do Código Penal/1942

O Código Penal de 1940 adotou, indisfarçavelmente, a teoria extensiva (subjetiva causal), como corolário da teoria da equivalência das causas:

22 – O projeto aboliu a distinção entre autores e cúmplices: todos os que tomam parte no crime são autores. Já não haverá mais diferença entre participação principal e participação acessória, entre auxílio necessário e auxílio secundário, ente a "societas criminis" e a "societas in crimine". Quem emprega qualquer atividade para a realização do evento criminoso é considerado responsável pela totalidade dele, no pressuposto de que também as outras forças concorrentes entraram no âmbito de sua consciência e vontade. Não há nesse critério de decisão do projeto senão um corolário da teoria da equivalência das causas, adotada no art. 11. O evento, por sua natureza, é indivisível, e todas as condições que cooperam para a sua produção se equivalem. Tudo quanto foi praticado para que o evento se produzisse é causa indivisível dele. Há, na participação criminosa, uma associação de causas conscientes, uma convergência de atividades que são, no seu incindível conjunto, a causa única do evento e, portanto, a cada uma das forças concorrentes deve ser atribuída, solidariamente, a responsabilidade pelo todo.
Ficou, assim, repudiada, a ilógica e insuficiente ficção segundo o qual, no sistema tradicional, o cúmplice “acede” à criminalidade do autor principal. Perde a sua utilidade a famosa teoria do autor imediato, excogitada para não deixar impune o cúmplice, quando o autor principal é um irresponsável. Por outro lado, os juizes não ficarão em perplexidade, como atualmente para distinguir entre auxiliar necessário e auxiliar dispensável.

23 – Para substituição da antiga fórmula do “concursus deliquentium” por outra mais racional, mais lógica e menos complexa, surgiram em doutrina três teorias diversas: a pluralística, a dualística e a monística. Segundo a teoria pluralística (Getz Massari), no concurso criminoso não se dá somente a pluralidade de agentes, mas a cada um destes corresponde uma ação própria, um elemento subjetivo próprio, um evento próprio, devendo-se, pois concluir que “quot personae agentes tot crimina”.

Para a teoria dualística (Manzini), há um crime único entre os chamado autores principais e outro crime único entre os co-partícipes secundários “cúmplices strictu sensu”.

Para a teoria monística, finalmente, o crime é sempre único e indivisível, tanto no caso de unidade de autoria, quanto no de co-participação. É o sistema do Código italiano. Os vários atos convergem para uma operação única. Se o crime é incindível do ponto de vista material ou técnico, também o é do ponto de vista jurídico. Foi esta a teoria adotada pelo projeto. A preferência por ela já vinha do projeto Galdino Siqueira. É a teoria que fica a meio caminho entre a teoria pluralística e a teoria tradicional. Assim dispõe, peremptoriamente, o art. 25 do projeto: “Quem de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas”.

Para que se identifique o concurso, não é indispensável um “prévio acordo” das vontades: basta que haja em cada um dos com-correntes conhecimento de concorrer à ação de outrem. Fica, destarte, resolvida a “vexata quastio” da chamada autoria incerta, quando não tenha ocorrido ajuste entre os concorrentes. Igualmente, fica solucionada, no sentido afirmativo, a questão sobre o concurso em crime culposo, pois neste tanto é possível a cooperação material, quanto a cooperação psicológica, isto é, no caso de pluralidade de agentes, cada um destes, embora não querendo o evento final, tem consciência de cooperar na ação.

As diferenças subjetivas ou objetivas das ações convergentes, na co-delinqüência, podem ser levadas em conta, não para atribuir a qualquer delas uma diversa importância causal, mas apenas para um diagnóstico de maior ou menor periculosidade (Rocco).

O art. 26 preceitua que, na co-delinqüência, “não se comunicam as circunstancias de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime”. A circunstancias de caráter pessoal incomunicáveis são apenas as que representam no caso concreto, simples “accidentalia delicti”. As circunstâncias subjetivas que influem sobre o “nomem júris” da infração penal, ainda que inerentes a um só dos partícipes, estendem-se, necessariamente, aos co-partícipes.

A cumplicidade “post factum”, da lei vigente, é inteiramente desconhecida do projeto, que passou a considerá-la como crime autônomo, sob os “nomina júris” de receptação e favorecimento.

Salvo disposição especial em contrário, não constituem crime o ajuste e a determinação ou instigação, bem como o auxílio para o crime, se este não for, pelo menos, tentado (art. 27 – CP); mas se se tratar de indivíduo, perigoso, será aplicada uma medida de segurança ou, mais precisamente, a liberdade vigiada (arts. 92, parágrafo único e 94 nº III).
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QUESTIONÁRIO

Qual o conceito formal de crime?

Crime formal é aquele em que o tipo não exige a produção do resultado para a consumação do crime, embora seja possível a sua ocorrência, ou seja, é a conduta proibida por lei, sob imposição de pena criminal.

Correção: A pergunta não é o conceito de crime formal, mas sim o Conceito Formal de Crime.

R.: O crime, sob o aspecto formal é um fato típico e antijurídico, ou um fato típico e ilícito.

O que é um fato típico?

É o comportamento humano, positivo ou negativo, que provoca um resultado e é previsto na lei penal como infração. É aquele que se enquadra perfeitamente nos elementos contidos no tipo penal.

É possível afirmar que um fato antijurídico é também um fato ilícito?

Sim, uma vez que, antijuridicidade é sinônimo de ilicitude.

Todo agente que pratica uma ação descrita na lei penal, e não acobertada por uma excludente, sofrerá uma sanção penal?

Correção: A excludente de ilicitude afasta um dos requisitos do crime. Uma ação não acobertada por uma excludente de ilicitude, nem sempre será passível de sofrer uma sanção. Ex.: O §1° do art. 28 �– CP. O sujeito fica isento